Tecnologia da Unicamp pode potencializar a expansão da TV digital no Brasil

Metodologia diminui custos de transmissão do sinal de TV Digital

Neste ano, a TV Brasil da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), rede de televisão pública aberta do país, irá se adequar a um novo modelo de transmissão que possibilita imagens e áudios em alta definição e maior interatividade com o público: o sinal de TV digital. Nesse processo, a EBC contará com uma tecnologia desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e licenciada com apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp pela empresa Anywave Communication Technologies.

Através da sua representante comercial, a Phase, a binacional com sede nos Estados Unidos e na China, ganhou a licitação para fornecer os transmissores de sinal digital à EBC com o algoritmo da Unicamp. Uma das vantagens da tecnologia licenciada sem exclusividade para a empresa é a possibilidade de embutir aos transmissores de sinal a função de compressão e descompressão de dados enviados para os satélites. Assim, as emissoras poderão ocupar menos banda sem queda de qualidade do conteúdo, como explica um dos inventores da tecnologia, Cristiano Akamine, ex-aluno da Unicamp e coordenador do Laboratório de TV Digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Segundo ele, um dos problemas para a popularização do sinal de TV digital no Brasil é o custo da distribuição para as emissoras. Isso porque é necessário usar alguns MHz de banda no transponder de um satélite que distribuirá o sinal para todos os transmissores no território nacional. Por serem sinais em alta definição, eles ocupam mais banda e custam mais. Diante desse problema, em sua pesquisa de doutorado na Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC) com orientação do professor Yuzo Iano, o inventor colaborou junto a um grupo com o desenvolvimento da metodologia de remultiplexação de sinais:

“Uma forma de diminuir esses custos é comprimindo os dados antes de os enviar ao satélite. As antenas parabólicas que recebem os sinais vão descomprimir os dados antes de os enviar para transmissores de TV digital, de modo similar ao que ocorre em arquivos de computador, com os formatos ZIP e RAR. Nossa metodologia faz isso, mas exclusivamente para a transmissão de sinal de TV digital no modelo usado no Brasil”, explica Akamine.

Apesar de ter sido introduzida no Brasil há 15 anos, a TV digital ainda não atinge todo o país. Segundo dados do Ministério das Comunicações (MCom), divulgados no lançamento do programa Digitaliza Brasil no ano passado, mais de 4 mil municípios brasileiros não haviam concluído a migração para o sinal digital. Desses, 1.638 mantêm apenas transmissão via sinal analógico.

A meta do MCom é levar o sinal de TV digital a todo território brasileiro até dezembro de 2022. O programa prevê a oferta de kits de adaptação a famílias de baixa renda que não possuírem aparelhos compatíveis com a recepção do sinal. Mas há ainda um problema de adaptação de algumas emissoras que usam a transmissão analógica adotarem o sinal digital. A tecnologia da Unicamp poderá ser uma solução adequada quando associada aos transmissores fornecidos por empresas licenciadas.

Expansão do sinal digital no mercado brasileiro

O Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre é uma versão modificada do padrão japonês Integrated Services Digital Broadcasting – Terrestrial (ISDB-T). Denominado ISDB-TB, esse sistema foi adotado também por outros países da América Latina e da África. O mercado brasileiro tem, porém, uma particularidade à qual as fabricantes de transmissores tiveram que se adaptar: a necessidade de habilitar a descompressão para abrir o sinal de TV digital enviado. É o que explica Sérgio Abramoff, diretor regional da Anywave Communication Technologies, que licenciou a tecnologia de descompressão de dados da Unicamp.

“Já tivemos que adaptar o transmissor por causa do padrão usado no Brasil, diferente dos usados nos Estados Unidos e na China. Mas há também a necessidade de os transmissores adquiridos descompactarem os dados que algumas emissoras brasileiras compactam, por ser mais barato no uso do satélite, o que não é comum em outros países que atendemos”.

De acordo com Abramoff, a empresa licenciada tem forte atuação em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) nos Estados Unidos e na China. Mas para resolver a demanda do mercado brasileiro foi mais vantajoso licenciar a tecnologia da Unicamp. Existem várias formas de codificar o sinal para comprimir os dados e, se a emissora usou uma chave de compressão de dados, é necessário usar a mesma chave na descompressão. A diferença do algoritmo da Unicamp em relação a outros métodos é que se trata de uma “chave universal”, isto é, ela permite a abertura do sinal independente da forma que os dados foram comprimidos.

“Ao optarmos pelo licenciamento dessa patente da Unicamp, otimizamos uma tecnologia que já está madura. É um algoritmo já testado, e que funciona bem para todos os padrões de compressão usados no Brasil. Isso poupou à Anywave tempo e recursos financeiros, pois não houve necessidade de desenvolver seu próprio algoritmo para atender uma demanda nos transmissores vinda de algumas emissoras que já comprimem os dados para minimizar custos”, justifica Abramoff.

A patente da metodologia já foi concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para a Unicamp, com apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp, o órgão responsável pelo licenciamento não exclusivo da tecnologia às empresas interessadas. Para conhecer esse método da Unicamp e outras soluções, acesse o Portfólio de Tecnologias da Unicamp.

PRÊMIO INVENTORES 2022

INVENTORES PREMIADOS NESTE LICENCIAMENTO:

Prof. Yuzo Iano (FEEC Unicamp), Fernando Silvestre da Silva, Ana Lúcia Mendes Cruz Silvestre da Silva e Cristiano Akamine foram premiados na categoria Propriedade Intelectual Licenciada no Prêmio Inventores 2022.

PROGRAMAÇÃO DE HOMENAGENS

Essa matéria faz parte da série de reportagens produzida pela Inova Unicamp sobre tecnologias licenciadas. Elas podem ser lidas pelo site da Inova e também em formato e-book na Revista Prêmio Inventores, com lançamento previsto para junho. Também está agendado um webinar com conteúdo sobre propriedade intelectual e transferência de tecnologia para o dia 08 de junho, com inscrições abertas ao público em geral.

Confira todos os premiados no site do Prêmio Inventores da Unicamp.

Os patrocinadores do Prêmio Inventores 2022 são: Pulse HubClarkeModet3M, e Neger Telecom

Imagem de capa JU-online

A metodologia desenvolvida na Unicamp diminui custos de transmissão do sinal de TV digital. Na foto os pesquisadores Cristiano Akaminie e Yuzo Iano. Crédito: Felipe Christ