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Comunidades de homossexuais
no Orkut são tema de dissertação

RAQUEL DO CARMO SANTOS

A antropóloga Carolina Parreiras Silva, autora da dissertação: "Queria saber como a sexualidade é construída no on-line". (Foto: Antoninho Perri)Adolescentes entre 15 e 16 anos encontram em comunidades virtuais, como as do Orkut (www.orkut.com) - um programa de relacionamentos - espaço para assumir a homossexualidade e apreender aspectos que não seriam possíveis no ambiente físico. Em geral, eles pertencem a cidades do interior ou locais afastados dos grandes centros, e dificilmente poderiam expressar suas aspirações sexuais. No Orkut, eles conseguem apresentar a opção sexual, sem sofrer com determinados tipos de preconceito, além de tomarem conhecimento da dinâmica e padrões que envolvem o "ser gay". Esta foi uma das principais questões levantadas pela antropóloga Carolina Parreiras Silva em sua dissertação de mestrado "Sexualidades no pontocom: espaços e homossexualidades a partir de uma comunidade on-line", apresentada no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH).

Carolina entrou para uma comunidade on-line composta por homens que se relacionam afetiva e sexualmente com outros homens para investigar as relações interpessoais estabelecidas entre eles. "Queria saber como a sexualidade é construída no on-line a partir da observação, conversas via comunicador instantâneo, encontros e discussões empreendidas no fórum da comunidade", explica a antropóloga.

A comunidade, que denominou EPER como nome fictício, possui 3.500, mas ativos somam cem, número de membros considerado significativo para uma comunidade no Orkut. São perfis de todas as idades e de várias regiões do país, com predominância da região Sudeste. Segundo Carolina, que foi orientada pela professora Maria Filomena Gregori, os motivos que levaram à escolha foram inúmeros, mas o principal foi a diversidade de questões colocadas em pauta.

Os membros extrapolam nas abordagens e permitem um aprofundamento nos temas. Um assunto recorrente são as implicações da autenticidade do perfil. No mundo virtual não há como aferir, num primeiro momento, a autenticidade do perfil, pois existem pelo menos três tipos mais usuais encontrados em programas como o Orkut. Os perfis fake, por exemplo, são aqueles em que a pessoa se aproveita da possibilidade de manipulação permitida pelo on-line e cria personagens, não necessariamente em diálogo com o off-line. Há também o mask, cujo termo em inglês significa máscara em que o indivíduo só não revela alguns dados como o nome e foto por dificuldades em assumir a situação, mantendo os relacionamentos normalmente. E, por último, os oficiais que assumem a condição com todos os dados verdadeiros, sem omitir nenhum tipo de informação.

Carolina relata que esses termos ajudam a entender as implicações e a lógica da organização da comunidade. "Trata-se de um ambiente restrito e assumir a homossexualidade não gera problemas de relacionamentos. Se não fosse o espaço virtual, não falariam abertamente sobre os temas abordados", acredita a antropóloga. Ao mesmo tempo em que existe uma liberdade para assumir a condição e a possibilidade de fugir dos preconceitos no ambiente físico, Carolina acredita que se trata de uma falsa liberdade e a participação pode gerar outros preconceitos. "O ciberespaço pode prender a certo padrão que pode excluir determinados comportamentos. Existem regras e não se pode fazer de tudo", revela.

No início, a entrada de Carolina na comunidade foi difícil, pois se apresentou com seus dados verdadeiros. Para eles, era inadmissível uma mulher participar de uma discussão daquela natureza. Depois de esclarecer as suas motivações para o moderador, conseguiu não só permanecer no ambiente, como também ser moderadora por um tempo. Isto permitiu, segundo ela, que tivesse acesso à dinâmica da comunidade, o que facilitou muito o seu estudo.

Outra dificuldade foi selecionar a comunidade que poderia servir de objeto. Em dois meses de levantamento, Carolina identificou mais de mil comunidades de homossexuais que discutem diferentes assuntos. Fechou sua amostragem em cinco, mas em três foi rejeitada, por isso a comunidade EPER foi a escolhida. No doutorado, Carolina pretende investigar, ainda no ciberespaço, a pornografia e o erotismo. (R.C.S.)


 
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