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Campinas, junho de 2001 - ANO XV - N. 163.........
   
  
 

Se oriente rapaz
Pela constelação Cruzeiro do Sul ...
como sabiamente canta Gilberto Gil

ROMILDO PÓVOA FARIA

rientar-se significa descobrir onde está o oriente, o nascente. Ou seja, orientar-se significa descobrir onde está a direção do leste, que é a direção do oriente. Sabendo-se qual é o leste, na direção oposta estará o oeste, o poente, o ocidente. Um observador, esticando seus braços, um para o leste e o outro para o oeste, terá à sua frente a direção norte e, às suas costas, a direção do sul.
O leste é a direção onde nasce o Sol e onde surgem, com o decorrer das horas, outros astros. Posteriormente, eles vão ficando mais altos no céu, até começarem de novo a se aproximar do horizonte e se esconderem no oeste. Para encontrar estas direções é necessário portanto observar onde nascem ou se põem os astros e, a partir disso, encontrar as direções norte e sul.

Mas também é possível orientar-se usando a constelação do Cruzeiro do Sul, visível no céu, atualmente, desde as primeiras horas da noite. As constelações são agrupamentos de estrelas, nos quais imaginam-se as mais diversas figuras, como animais, objetos e heróis lendários.

Presente na bandeira do Brasil e de outros países, no emblema do Exército brasileiro e de time de futebol, as estrelas que formam o Cruzeiro do Sul já haviam sido descritas por Cláudio Ptolomeu, no século II d.C., em seu livro “Almagesto”. Entretanto, para ele aquelas estrelas faziam parte de outra constelação, o Centauro.
Somente em abril de 1500 este grupo de estrelas foi descrito como “Cruz do Sul”, em carta que Mestre João (astrônomo, físico, médico e engenheiro da esquadra de Cabral) enviou ao rei de Portugal, D. Manuel. A partir do início do século XVII, com a publicação do livro “Uranometria”, do astrônomo e médico J. Bayer, o nome se universalizou. Em nosso século, com a divisão oficial do céu em 88 constelações, o Cruzeiro do Sul permaneceu, com o nome oficial latino: Crux.

Estrelas girando – Esta constelação se carateriza principalmente por quatro estrelas que representam o madeiro maior (Estrela de Magalhães e Rubídea) e o madeiro menor (Mimosa e Pálida) de uma cruz. Além destas, há a famosa Intrometida, estrela de brilho mais fraco, que recebe este apelido no Brasil por “atrapalhar” o desenho da cruz.

Se observarmos estas (e outras) estrelas, registrando suas trajetórias pelo céu durante várias horas, iremos perceber que elas parecem girar em torno de um ponto do céu, chamado de pólo celeste sul.

É possível fazer o registro deste movimento colocando uma máquina fotográfica apontada fixamente para a direção do sul, abrangendo uma região de até 60 graus acima do horizonte. Passadas algumas horas, a mudança de posição das estrelas será registrada num filme fotográfico sensível.

Revelando-se o filme, pode-se ver que todas as estrelas descrevem trajetórias circulares, como mostra a foto de capa desta edição do Jornal da Unicamp. O centro comum é o pólo celeste sul, que fica situado na direção da constelação do Oitante, formada por estrelas de fraco brilho.
Quem está em algum local do hemisfério norte da Terra registrará algo semelhante, só que na direção do norte. Para eles as estrelas parecem girar em torno de outro ponto: o pólo celeste norte, situado na constelação da Ursa Menor, não visível aqui de Campinas.

O que são os pólos celestes? – São os pontos do céu (ou do espaço) para onde está dirigido o eixo imaginário de rotação da Terra. Nosso planeta completa este movimento a cada 24 horas siderais (equivalente a 23 horas e 56 minutos do tempo marcado pelos nossos relógios). Ao sermos arrastados com a Terra em seu movimento de rotação, de oeste para leste, temos a impressão de que são todos os astros que se movem; de que é toda a paisagem celeste que se desloca no sentido contrário, do leste para o oeste. E, nas direções sul e norte, as estrelas parecem descrever este movimento em torno dos pólos celestes.

Uma maneira prática de saber onde está o pólo celeste sul é observar a constelação do Cruzeiro do Sul. Se prolongarmos o imaginário madeiro maior da cruz, quatro vezes e meia o seu tamanho aparente (ângulo entre as duas estrelas), encontraremos a posição do pólo celeste sul. Isto em qualquer posição em que está a constelação.
Quando ela está mais próxima ao horizonte leste, a cruz parece “deitada”, com o “pé” (a Estrela de Magalhães) para a direita. O contrário ocorre quando ela se apresenta mais próxima do oeste, quando o pé aparece apontando para a esquerda.
Já em outros horários, quando a cruz está mais alta no céu, a cruz parece “em pé”, com seu madeiro maior apontando para o horizonte sul. Mais exatamente, quando o Cruzeiro do Sul está no ponto mais alto do céu, o braço maior da cruz está apontando para o ponto cardeal sul, no horizonte.

A partir deste encontramos, na direção oposta, o ponto cardeal norte. E, a 90 graus destes dois, no horizonte, localizam-se os pontos cardeais leste e oeste.
Assim, através do Cruzeiro do Sul podemos nos orientar, como diz a música de Gil.


 

 

 

 
 
 

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