Vida pode ter migrado na órbita de TRAPPIST-1

Nasa/Divulgação
Comparação das distâncias entre os planetas de TRAPPIST-1 e do interior do Sistema Solar; as áreas verdes representam a zona habitável de cada sistema

Se a vida surgiu em pelo menos um dos sete planetas localizados em órbita da estrela TRAPPIST-1, há uma alta probabilidade de que ela tenha se espalhado pelos demais, aponta estudo publicado no repositório de artigos científicos de exatas ArXiv. Os trabalhos lançados no ArXiv ainda não passaram por revisão pelos pares, mas são oferecidos para discussão pela comunidade acadêmica e podem acabar sendo aceitos por periódicos estabelecidos. 

Os autores do artigo, da Universidade Harvard e do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, propõem um modelo para calcular a probabilidade de ocorrência de eventos em que rochas ejetadas ao espaço por um planeta, após o impacto de um cometa ou asteroide, transportem micróbios viáveis para outro, num processo chamado “litopanspermia”.

Eles então determinam que, dada a pequena distância que separa os três planetas que se encontram na zona habitável de TRAPPIST-1, a chance de litopanspermia entre esses mundos é muito mais alta, em ordens de magnitude, do que a que existe entre a Terra e Marte. A possível transferência de seres vivos entre Marte e Terra é um assunto muito estudado: traços interpretados, por alguns cientistas, como possíveis fósseis de micro-organismos marcianos já foram identificados em pelo menos dois meteoritos encontrados em nosso planeta, em 1996 e, mais recentemente, 2014.

O artigo sobre litopanspermia no sistema TRAPPIST-1 calcula ainda que a mera transferência de matéria orgânica entre os planetas – “pseudo-panspermia”, sem o transporte de seres vivos viáveis, mas apenas moléculas – aumenta de modo significativo a chance de a vida surgir espontaneamente num desses mundos, no processo chamado abiogênese.

“Se a panspermia (ou pseudo-panspermia) for um mecanismo eficaz, isso leva a um aumento significante na probabilidade de abiogênese”, diz o texto. “Isto porque cada evento de panspermia pode transferir um número pequeno de ‘espécies’ moleculares, e a probabilidade cumulativa aumenta exponencialmente no melhor cenário. Portanto, parece razoável concluir que as chances de abiogênese são maiores no sistema TRAPPIST-1, em comparação com o Sistema Solar”.

Referências
Enhanced interplanetary panspermia in the TRAPPIST-1 system
(https://arxiv.org/abs/1703.00878)
[arXiv:1703.00878v2]

Putative Indigenous Carbon-Bearing Alteration Features in Martian Meteorite Yamato 000593
(http://online.liebertpub.com/doi/full/10.1089/ast.2011.0733)
[doi:10.1089/ast.2011.0733]