Crânio de 400 mil anos é descoberto em Portugal

Javier Trueba/Divulgação
O crânio descoberto na Caverna da Aroeira

Um crânio hominino datado de 400 mil anos atrás foi descoberto num sítio arqueológico português, a Gruta da Aroeira, informa artigo publicado no periódico PNAS. A época coincide com a do aparecimento de vestígios do Homem de Neandertal no registro fóssil, e o crânio foi encontrado junto de restos de animais e ferramentas de pedra similares às da cultura acheulense, um tipo de tecnologia normalmente associada, na África, ao Homo erectus, uma espécie mais antiga que o neandertal.

Essa tecnologia é especialmente conhecida pela presença de “bifaces”, pedras lascadas de modo a assumir uma forma de gota, arredondada numa extremidade e pontuda na outra, lembrando uma cabeça de machado. O crânio da Aroeira representa o fóssil humano europeu localizado mais a oeste já encontrado para seu período – o Pleistoceno Médio –, e um dos mais antigos do continente a ser associado à tecnologia acheulense.

Os vestígios homininos europeus associados a ferramentas acheulenses geralmente são atribuídos ao neandertal ou ao Homo heidelbergensis, uma espécie que existiu até 200 mil anos atrás e tinha características comuns com o Homo erectus e o Homo sapiens atual.

O crânio encontrado na Gruta da Aroeira tem características que sugerem uma espécie ancestral dos neandertais, e os autores do artigo na PNAS, de um grupo internacional que inclui pesquisadores portugueses, espanhóis, alemães e americanos, acreditam que a descoberta poderá ajudar a elucidar a chegada dos homininos à Europa e a própria origem do Homem de Neandertal . O artigo informa, ainda, que a presença de ossos queimados, entre os vestígios que acompanham o crânio, indica que a espécie já dominava o fogo.

Referência:

New Middle Pleistocene hominin cranium from Gruta da Aroeira (Portugal)

[doi:10.1073/pnas.1619040114]