Veja a programação detalhada nos diferentes espaços da Unicamp

De 14 a 24 de setembro, das 8h30 às 17 horas, a Gare do CIS-Guanabara será palco do Campo Antípoda, atividade que reunirá instalação, performances, espetáculos, conversas e lançamentos de livros que têm o Japão como mote, como gatilho para a criação. De acordo com os organizadores, nos últimos anos, vários criadores de dança têm proposto diálogos, algumas vezes reais, outras imaginários, com o Japão e com as imagens do corpo da cultura japonesa. A proposta dos coreógrafos não é explorar o exotismo tampouco mimetizar o Japão, mas sim, testar experimentos. Campo Antípoda terá como protagonistas nessa incursão pelo Japão pesquisadores e diretores como Christine Greiner, Ricardo Muniz Fernandes e Hideki Matsuka. Christine Greiner é professora do Departamento de Linguagens do Corpo na PUC-São Paulo e coordenadora do Centro de Estudos Orientais na mesma instituição. Ricardo Muniz Fernandes é curador e produtor cultural independente, que tem na bagagem a direção de importantes projetos internacionais no Brasil assinados por diretores como Bob Wilson e Jan Fabre. Hideki Matsuka é arquiteto com larga experiência em cenografia. Dentre os projetos que assina estão Tokyogaqui e A Revolta da Carne.

Durante o período dessa instalação, estão programadas três conversas de Christine Greiner e criadores presentes no festival com os dançarinos e coreógrafos que participarão da Bienal. Dia 16, sábado, às 17 horas, o encontro será com Takao Kawaguchi. Também será realizado o lançamento do livro de Kasuo Ohno, Treino e(m) Poema, obra essencial para quem deseja conhecer o universo de um dos mais relevantes dançarinos do século XX.

Dia 17, domingo, às 17 horas, a conversa será com o dançarino Marcelo Evelin. No encontro será lançado o livro Fabulações do Corpo Japonês – A Descoberta do Outro e a Invenção de Si, da dançarina e pesquisadora Christine Greiner. O livro é fruto de seu trabalho de pós-graduação que aborda o dualismo entre mente e corpo para desfazer clichês sobre o país oriental. No dia 19, terça-feira às 19 horas, a conversa será com Alejandro Ahmed. As conversas e os lançamentos dos livros têm entrada gratuita.

Nos dias 15 e 16 de setembro (sexta-feira e sábado), às 21h30, na Gare do CIS-Guanabara, o coreógrafo piauiense Marcelo Evelin apresenta Dança Doente, espetáculo que mistura a dança Butô com os movimentos do Candomblé. Segundo o bailarino e coreógrafo japonês, Kazuo Ohno, falecido em 2010 aos 103 anos, “Butô é uma das mais arrojadas formas de dança contemporânea, única do Japão. Expressa ao mesmo tempo tantas ideias diferentes que é impossível defini-la. Ela somente choca e surpreende.”

Admirador do trabalho de Tatsumi Hijikata (1928-1986), um dos criadores do Butô na década de 1970, Marcelo Evelin tem o Japão como principal inspiração para sua produção artística. Nessa montagem ele faz uma homenagem ao livro de memórias de Hijikata, A Dançarina Doente.  Os bailarinos do espetáculo são adornados por quimonos, rendas brancas, máscaras e colares, fazendo referência ao expressionismo e surrealismo da dança japonesa e, também, ao universo do Candomblé. Em tom fantasmagórico, o espetáculo de Evelin remete às noções de doença e de morte. A apresentação tem duração de 90 minutos e os ingressos custam R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (estudantes com carteirinha e aposentados) e R$ 6,00 (credencial do Sesc). O espetáculo é proibido para menores de 18 anos.

Nos dias 16, sábado, e 17, domingo, às 19h30, no Armazém do CIS-Guanabara, a artista plástica Néle Azevedo e a coreógrafa Marina Tenório apresentam a instalação-performance Composição Para Esculturas de Um Corpo. Nesse espetáculo, as artistas evidenciam o território de passagem, de transição, e refletem sobre a impermanência da vida, a intersecção entre o material e o imaterial, o físico e o imagético, o transparente e o opaco, o momento presente e o que se mantém na memória.  Na montagem, Mariana Tenório se movimenta e se relaciona com dezenas de esculturas de corpos fundidas em gelo com cerca de 1,10 metro, suspensas por fios de nylon. O corpo vivo dialoga com o corpo-gelo em processo de derretimento e transformação, expondo a fragilidade de ambos. A trilha sonora concebida pelo músico Thomas Rohrer ajuda a compor o clima, enquanto performer e esculturas se ressignificam com a ação do tempo. A apresentação tem duração de 90 minutos e os ingressos custam R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (estudantes com carteirinha e aposentados) e R$ 6,00 (credencial do Sesc). O espetáculo é proibido para menores de 14 anos.

Sobre Kazuo Ohno é o espetáculo do dançarino japonês Takao Kawaguchi, programado também para domingo, dia 17, às 21 horas, na Gare do CIS-Guanabara. Sem nunca ter visto Kazuo Ohno no palco (Ohno faleceu em 2010) e nem mesmo aprendido Butô, Kawaguchi se transmuta no mestre, buscando copiar de forma precisa a dança de Ohno a partir de registros em VHS de seus clássicos. No espetáculo, ele questiona conceitos como autenticidade, memória e originalidade da cópia. O espetáculo é também uma negação da essência do Butô, cujo princípio fundamental era de que a arte deveria resultar de um processo de criação pessoal, intrínseco ao artista, e Kawaguchi se confronta com o dançarino a partir do exterior, se projetando em suas formas, seus gestos e caretas, sem nunca ter acesso a seu mundo interior. O espetáculo tem 110 minutos de duração e os ingressos custam R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (estudante com carteirinha e aposentados) e R$ 9,00 (credencial do Sesc). O espetáculo é proibido para menores de 16 anos.

Nos dias 19, terça-feira, e 20, quarta-feira, às 19h30, no Armazém do CIS-Guanabara, será apresentado o espetáculo Ó, interpretado pelo dançarino Cristian Duarte. Trata-se de um trabalho de pesquisa que vem sendo realizado desde 2011 no âmbito da residência artística Lote Osso e que chega a sua quinta edição com Ó, espetáculo que investiga o minimalismo na dança e o caráter sensorial dos movimentos. Em um espaço plano, sem o relevo do palco, público e artistas se misturam em uma performance que aposta numa dramaturgia tátil, criando um ambiente de empatia e percepção de afetos.  A atmosfera intimista é reforçada pela trilha sonora de Tom Monteiro, um discreto ruído branco, e pela iluminação a meia-luz de André Boll. O mito grego de Orfeu, que perde sua amada Eurídice ao olhar para trás quando tentava resgatá-la do mundo dos mortos, serve de inspiração para a peça, que contou também com a colaboração da companhia alemã CocoonDance (Bonn). O espetáculo tem 75 minutos de duração e os ingressos custam R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (estudante com carteirinha e aposentados) e R$ 6,00 (credencial do Sesc). O espetáculo é proibido para menores de 16 anos.

Também nos dias 19 e 20, às 20 horas, na Casa do Lago, no campus da Unicamp, o público poderá assistir gratuitamente ao espetáculo Tudo Junto, interpretado pelo coreógrafo argentino Juan Onofri Barbato, que propõe o encontro do erudito com o popular e todo estranhamento que essa experiência pode causar. Nesse espetáculo, dois artistas com formações e linguagens distintas se encontram. Um deles, Santiago Torricelli, é um pianista erudito. O outro, Lucas Yair Araujo, dançarino urbano, adepto da estética da street dance e do break. Ao som de fragmentos da Sonata Opus 31 no. 2, de Beethoven, tocada por Torricelli ao piano, eles apresentam uma performance que evidencia as diferenças e a heterogeneidade dos corpos e histórias de seus intérpretes, criando um ritual tão extremo quanto provisório. O espetáculo tem duração de 20 minutos. A entrada é livre.

No dia 20, quarta-feira, às 12 horas, na Praça do Ciclo Básico da Unicamp, será realizado o Campeonato Interdrag de Gaymada, uma intervenção urbana feita pelo coletivo Toda Deseo, que pretende criar um espaço de convivência e diversidade a partir do tradicional jogo da queimada. Do “corpo de baile” fazem parte transexuais, gays, gente fantasiada, maquiada e de peruca, acompanhados de uma DJ, além de cheerleaders e uma juíza. Nos intervalos, o coletivo relembra os casos de agressões e mortes geradas pela discriminação no Brasil, numa iniciativa de combater o preconceito. O evento, gratuito, tem duração de 150 minutos. A entrada é livre.

Bananas é o espetáculo que será realizado pelo Núcleo Artérias, no dia 22, sexta-feira, às 18 horas, no Armazém do CIS-Guanabara. Trata-se de uma investigação sobre o desejo e o imaginário masculinos na interpretação de bailarinas mulheres. Esse é o mote de Bananas, dirigido por Adriana Grechi, que pretende questionar as fronteiras entre gêneros, espectador e artista. Vestindo camisetões amplos, as performers se misturam ao público e encenam no palco movimentos que aludem a um gestual tipicamente masculino.  A obra da artista britânica Sarah Lucas, que expande dimensões de gênero e discute o predomínio do masculino na cultura contemporânea, é uma referência importante para o grupo, cujo trabalho aborda questões como instabilidade, incerteza, consumismo, identidade, espetacularização e seus reflexos no corpo e no movimento. O espetáculo tem duração de 50 minutos e os ingressos custam R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (estudante com carteirinha e aposentados) e R$ 6,00 (credencial do Sesc). O espetáculo é proibido para menores de 16 anos.

No sábado, dia 23, às 18 horas, no Armazém do CIS-Guanabara, será realizado o espetáculo Protesto, que apresenta a dança como forma de contestação para uma melhor conexão em tempos de crise e incerteza. Partindo dessa ideia, o Núcleo Artérias, dirigido pela coreógrafa Adriana Grechi, iniciou um estudo sobre diferentes práticas de transe, que resultou nesse espetáculo. Em suas pesquisas, o coletivo descobriu técnicas comuns a várias culturas, desde os Gnawas no Marrocos (confraria mística muçulmana de origem sufi) até rituais de Umbanda no Brasil. Assim, entrou em contato com o termo “protesto oblíquo”, usado pelo antropólogo escocês Ioan Lewis para designar transes empregados como estratégias de pessoas marginalizadas, caso de mulheres em sociedades patriarcais, para terem algum tipo de visibilidade social. Diante desses achados, o grupo criou sua própria prática e, em cena, busca conectar corpos usando materiais que ativem os sentidos, tais como pedras, tecidos e plantas. O espetáculo tem duração de 60 minutos e os ingressos custam R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (estudante com carteirinha e aposentados) e R$ 6,00 (credencial do Sesc). O espetáculo é proibido para menores de 16 anos.


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