Mostra exibe 30 objetos relacionados à história e aos costumes da ‘África Negra’

Exposição vai até 19 de abril no saguão da Biblioteca Central da Unicamp

 

Foto: Antonio Scarpinetti
Objetos expostos fazem parte do acervo do Instituto Cultural Babá Toloji, localizado no Jardim São Vicente, em Campinas

Trinta peças relacionadas à história e aos costumes de países que compõem a chamada “África Negra”, como Nigéria, Angola, Cabo Verde e Costa do Marfim, permanecerão expostas até o dia 19 de abril no saguão da Biblioteca Central Cesar Lattes (BC-CL) da Unicamp. A mostra, intitulada “África: memória e identidade”, é organizada pela Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural (CDC) da Universidade. Os objetos (máscaras ritualísticas, tecidos, objetos de decoração, entre outros), fazem parte do acervo do Instituto Cultural Babá Toloji, localizado no Jardim São Vicente, em Campinas. A visitação é gratuita e pode ser feita de segunda à sexta-feira, das 7h30 às 23h.

A ideia de promover a exposição foi do gestor cultural da CDC, Fábio Cerqueira, que tomou conhecimento do acervo do Instituto Toloji por meio de um amigo. “Fui conhecer o local e fiquei encantado com o número e a qualidade das peças que ficam expostas para o público. Além do valor estético, elas são muito representativas das culturas dos países africanos”, afirma. Ao receber de Cerqueira a proposta de exibir parte da coleção na Unicamp, o fundador do instituto, o babalorixá Luiz Antonio Castro de Jesus, o Toloji, mostrou-se reticente de saída. “Depois de muita negociação, porém, ele acabou concordando”, conta o funcionário da CDC.

Foto: Antonio Scarpinetti
Vinícius Fuscaldy, do Instituto Toloji: “Estamos muito felizes pela oportunidade de divulgar esses objetos nas dependências da Universidade, para um público que se interessa por arte, por história e que pesquisa temas relacionados à cultura africana”

De acordo com Vinícius Fuscaldy, representante do Instituto Toloji, o acervo da entidade soma aproximadamente 10 mil peças, que foram reunidas por seu fundador ao longo de 40 anos. “São objetos que ele adquiriu ou ganhou ao longo do tempo. Entre as peças, há esculturas, pinturas, tecidos, máscaras ritualísticas, móveis e utensílios domésticos, produzidos em diversos materiais, como madeira, marfim e bronze. Apenas uma pequena parte da coleção [perto de 15%] fica exposta à visitação pública. O restante permanece guardado como reserva técnica”, explica.

Alguns objetos do acervo foram produzidos pelo próprio Toloji, que também é artista plástico. Estes foram confeccionados originalmente para uso em rituais religiosos do candomblé. “Esta é uma das poucas vezes que peças que compõem a coleção do instituto são exibidas externamente. Eu me recordo de outras duas ocasiões em que isso ocorreu, uma numa escola de Campinas e outra no Museu de Arte Moderna [desativado atualmente]”, diz Fuscaldy. Segundo ele, selecionar os objetos que viriam para a BC-CL foi uma tarefa muito difícil.

Foto: Antonio Scarpinetti
Fábio Cerqueira, gestor cultural da CDC: peças têm elevado valor estético e são representativas das culturas dos países africanos

Primeiro, por causa do tamanho da coleção. Segundo, pelo valor histórico de cada peça. “O critério que utilizamos foi o seguinte: optamos por objetos fáceis de transportar e que não fossem frágeis, mas que fossem representativos do conjunto do acervo. Estamos muito felizes com o resultado da exposição e pela oportunidade de divulgar esses objetos nas dependências da Universidade, para um público que se interessa por arte, por história e que pesquisa temas relacionados à cultura africana”, declara.

Cerqueira explica que a exposição “África: memória e identidade” está sendo realizada no contexto do Projeto Espaço de Arte, idealizado pela CDC em 2007. O objetivo da iniciativa é levar mostras para espaços que não foram originalmente construídos para esta finalidade, como o saguão da BC-CL. “Queremos que esses locais cumpram um papel diferente de uma galeria, para onde o público interessado nesse tipo de evento se dirige. A proposta é levar exposições para lugares onde já existe um grande fluxo de pessoas”, detalha.

Foto: Antonio Scarpinetti
Regiane Alcântara Bracchi, coordenadora do SBU: “A parceria com a CDC é muito positiva e se encaixa perfeitamente na proposta que temos para a biblioteca. Em nosso planejamento estratégico, definimos que um de nossos objetivos é incentivar as atividades artísticas e culturais”

Segundo Regiane Alcântara Bracchi, coordenadora do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), circulam diariamente pelo saguão da BC-CL perto de mil pessoas. “A parceria com a CDC é muito positiva e se encaixa perfeitamente na proposta que temos para a biblioteca. Em nosso planejamento estratégico, definimos que um de nossos objetivos é incentivar as atividades artísticas e culturais. Em maio, por exemplo, vamos ter uma nova exposição, cujo título é “Criacionismo, Darwin”, que exibirá ao público objetos e imagens relacionadas com o tema”, adianta a dirigente.

O Instituto Cultural Babá Toloji foi inaugurado em 1999 pelo babalorixá Luiz Antonio Castro de Jesus, o Toloji. O local abriga o que Toloji classifica como “a primeira casa de candomblé de Campinas”. Lá também são realizados diversos projetos voltados para a comunidade, como oficinas de culinária, dança, cânticos e de língua iorubá.  O acervo da entidade ainda não dispõe de metodologia museológica de identificação e tombamento. O objetivo do instituto é executar um projeto de organização que permita catalogar as peças e criar sistemas de inclusão e pesquisa informatizada.