Untitled Document
PORTAL UNICAMP
4
AGENDA UNICAMP
3
VERSÃO PDF
2
EDIÇÕES ANTERIORES
1
 
Untitled Document
 


Lodo de lagoa de tratamento
de esgoto limpa solo agrícola

Os bags com o lodo localizados no município paulista de Coronel Macedo: alternativa para redução de custos (Foto: Divulgação)Testar uma técnica para reduzir a carga patogênica do lodo gerado em lagoas de tratamento de esgoto e sua possível aplicação em solo agrícola foi o tema de estudo do engenheiro químico Josué Tadeu Leite França, na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), sob orientação do professor Ronaldo Stefanutti. Em sua pesquisa de mestrado, ele investigou a remoção do lodo da lagoa de estabilização do município de Coronel Macedo, no interior de São Paulo, e seu acondicionamento em sacos de polipropileno de alta resistência, denominados bags, por um tempo determinado, para então ser utilizado para limpeza do solo agrícola ou como alternativa para reduzir os elevados custos com o transporte até aterros licenciados.

Segundo França, a enorme quantidade de água na composição do lodo, além de encarecer o transporte, também dificulta os processos operacionais para a disposição do resíduo. “As longas distâncias dos aterros autorizados para dispor este tipo de resíduo e as dificuldades de remoção do lodo da lagoa tornam a opção de aproveitá-lo como condicionador do solo bem aceita”, explica o engenheiro químico. Mesmo porque outra solução convencional para o problema seria a incineração, que em sua opinião não consiste em uma opção economicamente viável, justamente, por conta da quantidade de água na composição.

O engenheiro químico conta que a remoção e disposição adequadas do lodo de lagoa sempre foram um desafio para os profissionais da área, uma vez que o descarte precisa ser criterioso e, ainda assim, pode causar grandes prejuízos ambientais. Na prática, as lagoas de estabilização operam por 10 ou 20 anos sem a necessidade de remoção do lodo. Isto significa que a operação é ocasional, não exigindo equipamentos fixos no local. Foi neste sentido que, a partir da sua experiência à frente da gerência da Divisão de Controle Sanitário da Sabesp, surgiu a proposta de testar outros destinos para o resíduo. No entanto, era necessário conseguir uma redução do desenvolvimento de ovos de helmintos, coliformes, salmonellas e teor de sólidos para análise do reaproveitamento.

Vista aérea da lagoa de estabilização localizada no município paulista de Coronel Macedo: alternativa para redução de custos (Foto: Divulgação)Num primeiro momento, foram realizados os testes de remoção do lodo, seguido do acondicionamento em bags por três meses. Nesta etapa, foi avaliado o tempo adequado para a redução da carga patogênica, procurando adequar o lodo aos padrões para uso no solo agrícola de maneira a promover a reciclagem dos nutrientes aos ciclos biogeoquímicos. O lodo acondicionado em bags atingiu os padrões para disposição no solo, quanto aos parâmetros analisados como metais pesados, compostos orgânicos e os patógenos (coliformes, salmonellas e ovos de helmintos). França ressaltou que, mesmo na impossibilidade da reutilização do resíduo na agricultura, conseguiu-se uma significativa redução na quantidade de água, o que viabiliza o seu transporte a longas distâncias por um baixo custo.

No caso da lagoa estudada, de dez viagens, houve uma redução para seis idas e vindas ao aterro com um custo aproximado de R$ 60 por tonelada. Ademais, o método não necessita de energia e não causa agressão ao meio ambiente, pois o lodo acondicionado não exala nenhum tipo de odor. O método deve ser estendido para as 53 lagoas dos 48 municípios que abrangem a Unidade Sabesp do Alto de Paranapanema.

 

Publicação:

Dissertação: “Remoção de lodo de lagoas: Avaliação da viabilidade de ovos de helmintos em função do tempo de acondicionamento em bags”

Autor: Josué Tadeu Leite França

Orientador: Ronaldo Stefanutti

Unidade: Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC)

 

 
Untitled Document
 
Untitled Document
Jornal da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas / ASCOM - Assessoria de Comunicação e Imprensa
e-mail: imprensa@unicamp.br - Cidade Universitária "Zeferino Vaz" Barão Geraldo - Campinas - SP