Textos reproduzidos da página
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Curioso de nascença, desde pequeno Monteiro Lobato procurava aprender o máximo sobre as coisas. Visíveis ou imaginárias. E não era só nos livros que buscava respostas. Gostava de saber como as pessoas pensavam. Observava a natureza e descobria seus mistérios. Com tanto conhecimento acumulado, é claro que ele adorava dar palpites sobre todos os assuntos. Tentava mudar o que achava errado, melhorar o que já estava bom. E criava frases. Frases que davam a medida exata do tamanho do seu pensar e que estimulavam o leitor a continuar sonhando. Como se pode ver por estas, aqui selecionadas.

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O certo em literatura é escrever com o mínimo de literatura. (...) a mim me salvaram as crianças. De tanto escrever para elas, simplifiquei-me
(Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 1/2/1943)


Meu plano agora é um só: dar ferro e petróleo ao Brasil
(Carta a Godofredo Rangel, Nova York, 17/8/1927)


Nada de imitar seja lá quem for. (...) Temos de ser nós
mesmos (...) Ser núcleo de cometa, não cauda. Puxar fila, não seguir
(Carta a Godofredo Rangel,
São Paulo, 15/11/1904)


A coisa que menos me mete medo é o futuro
(Carta a Godofredo Rangel,
Rio de Janeiro, 8/11/1925)


Assim como é de cedo que se torce o pepino, também é trabalhando a criança que se consegue boa safra
de adultos
(Carta a Vicente Guimarães,
Campos do Jordão, 12/1/1936)


A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente.
Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem
(Miscelânea, 1946)


A primeira vítima da televisão vai ser a velha e boa Saudade, que no fundo é filha da Lentidão e da Falta de Transportes. A saudade desaparecerá do mundo. Em breve futuro a palavra ‘longe’ se tornará arcaísmo
(Carta a Godofredo Rangel, Nova York, 17/8/1928)


Aqui jaz um homem que nunca leu a ‘Brasiliana’ nem
ouviu a Hora do Brasil’
(Ao Jornal de São Paulo, 1946)


O caboclo é o sombrio urupê de pau podre. (...) Só ele não fala, não canta, não ri, não ama. Só ele, no meio de tanta vida, não vive.” [sobre Jeca Tatu]
(Urupês, 1ª edição, 1918)


No fundo não sou literato, sou pintor. Nasci pintor,
mas como nunca peguei nos pincéis a sério, arranjei,
sem nenhuma premeditação, este derivativo de literatura,
e nada mais tenho feito senão pintar com palavras
(Carta a Godofredo Rangel, Areias, 6/7/1909)


Passei nesta prisão, General, dias inolvidáveis, dos quais me lembrarei com a maior saudade. Tive o ensejo de
observar que a maioria dos detentos é gente de alma
muito mais limpa e nobre do que muita gente de alto
bordo que anda à solta
(Carta a Horta Barbosa, presidente do Conselho
Nacional do Petróleo, abril de 1941)Ainda acabo fazendo livros onde
as nossas crianças possam morar
(Carta a Godofredo Rangel, Rio de Janeiro, 7/5/1926)


A história dos historiadores coroados pelas academias mostra-nos só a sala de visitas dos povos. (...) Mas as
memórias são a alcova, as chinelas, o pinico, o quarto
dos criados, a sala de jantar, a privada, o quintal
(...) da humanidade
(Carta a Godofredo Rangel, São Paulo, 9/5/1913)