Delia Amaya é contemplada com prêmio da União Internacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos

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A professora aposentada da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp Delia Rodriguez Amaya recebeu, nesta quarta-feira (2), um dos mais importantes prêmios da União Internacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos (IUFoST). Professora Emérita da Unicamp e Pesquisadora Emérita do CNPq, a filipina Delia Rodriguez Amaya receberá o prêmio pelo conjunto de sua obra dedicada à ciência.

Esta é a primeira vez que uma mulher recebe essa premiação, que ocorrerá durante o 21º Congresso Mundial de Ciência e Tecnologia de Alimentos, realizado entre 31 de outubro e 3 de novembro, em Cingapura. Até o momento, apenas cientistas do sexo masculino e dos chamados países desenvolvidos haviam recebido o reconhecimento, com a exceção de um cientista indiano. Além de Delia Amaya, a pesquisadora Ruth Oniang'o, do Quênia, também será premiada pela União Internacional.

O reitor da Unicamp, professor Antonio José de Almeida Meirelles, disse que o prêmio faz justiça à história da professora Delia. "É motivo de imenso orgulho para a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e para nossa Universidade a concessão desta honraria à professora. Trata-se de prêmio concedido pelo conjunto de suas realizações acadêmicas e de pesquisa em ciência de alimentos. Delia é, sem dúvida, uma das mais renomadas pesquisadoras do Brasil nesta área e goza de muito prestígio internacional", disse o reitor

A professora Delia Amaya durante discurso ao receber o título de professora emérita da Unicamp
A professora Delia Amaya durante discurso ao receber o título de professora emérita da Unicamp em 2017

Quebra de paradigmas

A professora emérita garante ter sido surpreendida pelo anúncio da premiação. “Sinceramente, não estava esperando”, disse ela. “Mas, claro, fico muito feliz, porque é um reconhecimento muito grande”, acrescentou. Para a cientista, a premiação quebra paradigmas. “Além de sermos – eu e Ruth – as primeiras mulheres a receberem o prêmio, também somos as primeiras cientistas provenientes de países do terceiro mundo, ou o que se chama hoje de 'países em desenvolvimento’. Isso é muito significativo”, lembrou.

Segundo a professora, esse prêmio também serve de estímulo a mulheres que sonham em ser cientistas. “Quando eu comecei, não acreditavam muito no meu currículo. Eu tinha passado pela Universidade da Califórnia, mas, mesmo assim, não acreditavam muito em mim”, relatou. “Perguntavam-me: se você estudou nos Estados Unidos, o que você está fazendo aqui (no Brasil)? Como vim do terceiro mundo, quero trabalhar para o povo do terceiro mundo, eu lhes respondia”, contou.

Apesar da descrença de seus pares, Delia Rodriguez Amaya se tornou uma cientista reconhecida no mundo. Entre 2012 e 2014, foi presidente da Academia Internacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos; está entre as 100 filipinas mais influentes do mundo e entre os 100 mil cientistas mais influentes do mundo; recebeu votos de congratulações do Conselho Universitário da Unicamp em quatro ocasiões; é autora de mais de 250 publicações científicas, na maioria internacionais, e várias de suas publicações ficaram nas listas dos dez artigos mais citados e mais lidos de periódicos internacionais.

Os seus quatro livros em circulação internacional são largamente citados em periódicos internacionais (citados 2.285, 1.136, 420 e 135 vezes). Recebeu vários prêmios, entre eles o 2010 East-West Center Distinguished Alumni Award e o prêmio de reconhecimento “Zeferino Vaz”. É assessora científica da International Foundation for Science, consultora da FAO-ONU, membro do corpo editorial dos periódicos Trends in Food Science and Technology, Plant Foods for Human Nutrition e Archivos Latinoamericanos de Nutrición. Ela já orientou 24 alunos de mestrado, 24 alunos de doutorado e 15 de iniciação científica, além de ter supervisionado cinco pesquisadores de pós-doutorado no Brasil, Argentina, África do Sul, Filipinas e Sri Lanka.

O Congresso Mundial – que ocorre em Cingapura – acontece este ano pela primeira vez desde 2019. Foi suspenso por conta da pandemia. “Eu pensei em ir para lá, mas fiquei com receio, ainda por causa da pandemia, mas também pela distância – entre 27h e 29 horas de viagem”, argumentou a professora.

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