Implantando projetos e construindo o futuro – Escritórios da CGU em novos espaços

Esta semana inauguramos três espaços da Coordenadoria Geral da Universidade, cujo significado transcende a mais uma inauguração, mais uma plaquinha na parede e é sobre isto que discorro aqui. Três espaços vinculados ao mesmo Objetivo, Excelência na Gestão, e que constam explicitamente de um programa de gestão Universidade Pública: compromisso com a sociedade. Cada um destes espaços tem uma história, mas o que realmente importa é a conexão entre eles. A cerimônia foi virtual, como não poderia deixar de ser, fase complexa da vida, institucional e pessoal, imposta pela pandemia Convid-19 e, que, após nove meses, recrudesce novamente.

Inicio descrevendo cada um destes projetos, destaco a conexão conceitual entre eles e explicito a concepção que motivou a implementação. É, também, uma forma de prestar contas sobre as razões que levaram a administração a criar estes espaços públicos.

  1. Escritório de Projetos Especiais – Campus Sustentável

Logo que assumimos em 2017, o Prof. Luis Carlos P. Silva da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação, FEEC, procurou a CGU para apresentar os projetos e convênios de Pesquisa e Desenvolvimento, em andamento na universidade relacionados ao tema energia elétrica. Buscava naquele momento resolver algumas das dificuldades operacionais que a burocracia impõe, algumas vezes desnecessariamente. Fica aqui registrado um dos pontos de convergência das ações que justificaram a criação destes espaços: a burocracia desnecessária, mas não só.

Desta e de outras conversas, identificam-se oportunidades para que a universidade deixasse de ser mera compradora de energia com contratos impostos pelas agências, numa posição de passividade absoluta. A universidade precisa se tornar ativa, propositiva, internalizando os benefícios dos projetos de P&D que desenvolve em conjunto com as empresas. O desafio colocado é o de internalizar os benefícios gerados pelo trabalho qualificado dos nossos docentes, pesquisadores e alunos. Missão dada, missão cumprida.

Ao longo destes quase quatro anos, sob a articulação do Prof. Luis Carlos, a universidade pode implantar inúmeros projetos e convênios que, ao mesmo tempo que geravam conhecimentos e qualificavam pessoas, estão trazendo benefícios internos à instituição. As inciativas se avolumaram, os projetos estratégicos e as prioridades foram sendo discutidas com a administração, o número de convênios cresceu, os órgãos da administração foram aprendendo à tramitar mais agilmente os processos. Estes avanços permitiram que novos desafios precisassem ser superados: a profissionalização de um corpo técnico de apoio e a alteração completa da forma de apresentação, discussão, elaboração de contratos ao mesmo tempo em que se desenvolviam formas de acompanhamento e monitoramento do consumo de energia nos campi. Ficam aqui registrados demais pontos de convergência das ações que justificaram a criação destes novos espaços: a burocracia, já citada anteriormente, e, além dela, a geração de competências para todas as fases da gestão com indicadores de acompanhamento de consumo.

Destas necessidades, constatadas, demonstradas, nasce a ideia do Escritório de Projetos Especiais – Campus Sustentável. E aqui mais um ponto de convergência entre os projetos dos Escritórios: nascem da necessidade institucional, com finalidades específicas, mas com um contexto de diagnóstico preciso sobre como e o que deve ser feito. E antes da criação, a experimentação de soluções, mesmo que parciais, é outro ponto de convergência entre os projetos. A experimentação inicia-se em 2017, a criação institucionaliza-se no início de 2020.

Hoje o Escritório tem um quadro de profissionais qualificado, pequeno, provavelmente insuficiente, para elaborar, gerir e acompanhar a execução de projetos, e, tão importante quanto, articula a área de energia elétrica com as múltiplas estruturas administrativas e técnicas existentes na universidade, em particular a Câmara Técnica de Energia vinculada à Diretoria Executiva de Planejamento Integrado, DEPI, com as Prefeituras dos campi de Campinas e Limeira/Piracicaba, por meio da Diretoria de Sistemas responsável pela infraestrutura, e com a Diretoria Executiva de Administração por meio da Diretoria geral de Administração, responsável pelos contratos. E aqui mais um ponto de convergência entre os projetos: a qualificação de profissionais para coordenação/articulação/execução de projetos transversais entre diferentes domínios tecnocráticos e em uma estrutura hierárquica verticalizada e segmentada como é a da Unicamp.

Finalmente destaco o papel deste Escritório na análise dos nossos contratos de energia elétrica e no monitoramento do consumo da universidade. Nossos contratos com as concessionárias ainda não são claramente baseados em análises do consumo real da universidade. Com o Escritório estamos criando as condições objetivas para, não apenas monitorar o consumo (o que significa gerar dados), mas para analisar criticamente os dados dele resultante, criando as condições para elaborar melhores contratos. E aqui mais um ponto de convergência destes escritórios: criar as condições para a tomada de decisão baseada em dados e informações. 

O Escritório de Projetos Especiais – Campus Sustentável está implantado, com sua infraestrutura em operação, com uma parte do corpo técnico já contratada e constitui-se em um modelo que pode ser replicável em outras instituições do país. É, também, uma estação de monitoramento de energia em tempo real e que hoje é gerada pelas plantas fotovoltaicas instaladas. Em breve fará o monitoramento de todos os prédios do campus. Está qualificado para elaborar projetos e apresentá-los a ANEEL. Dialoga com todas as empresas do setor. Mas, para além das ações internas à universidade, atua na difusão do conhecimento sobre Sustentabilidade em escolas públicas e implanta geração de energias renováveis em comunidades indígenas no norte do país. Gera conhecimento e os transfere para a sociedade. E aqui vai o último ponto de convergência com as outras estruturas: cumprir a responsabilidade social que envolve a transferência de conhecimentos, tecnologias e formação de recursos humanos.

  1. Escritório de Dados Institucionais e de Apoio à tomada de Decisão - eDAT

Da mesma forma, o Escritório de Dados Institucionais e de Apoio à tomada de Decisão, e-DAT, tem suas atividades precípuas alinhadas à excelência na gestão. A gestão de dados institucionais é um tema de enorme relevância no mundo contemporâneo no qual a informação e a divulgação são as únicas armas que dispomos para nos contrapormos ao negacionismo e o obscurantismo. Desde o início desta gestão, pudemos constatar o quão frágil era a Unicamp na gestão baseada em informações e passamos a perseguir, tenazmente, a estruturação de um Escritório com esta finalidade. A administração de uma universidade complexa como a Unicamp requer, necessariamente, dados de qualidade, tempestivamente disponibilizados sempre que necessário, em formato adequado à necessidade do momento.

Criar uma estrutura organizacional qualificada para prover esta necessidade exigiu que vários desafios fossem vencidos: encontrar pessoas qualificadas e dispostas a estudar e a inovar; dispor de tecnologia adequada para as nossas necessidades e para isto foram feitas várias prospecções; criar a infraestrutura adequada; vencer a cultura institucional instalada; e dispor de lideranças na alta administração com senso de urgência. Experiências anteriores fracassaram porque o conjunto integral destes requisitos não estava disponível, sempre faltava algo.

A necessidade de dados e de informações era imperativa, particularmente, no início da gestão em 2017, pela urgência com que se necessitava equacionar as finanças dado o crescente déficit orçamentário, mas não apenas por isto. Era necessária análise de cenários num ambiente, que, na ocasião, considerávamos extremamente complexo: expansão de despesa com redução de receitas. Mal se sabia o que o futuro nos reservava e o quanto a pandemia está impondo  sacrifícios institucionais. Começamos a atuar na gestão de dados com escopos limitados, tivemos a humildade de estudar e aprender como as universidades renomadas atuavam, fomos consolidando uma equipe de profissionais qualificados e com prontidão para inovar, prospectamos e implantamos tecnologias e metodologias, sempre avaliando as necessidades da universidade, priorizamos temas e entregando, mês a mês, os resultados. Adotamos metodologias ágeis para viabilizar entregas, que os órgãos da administração resistem em adotar. Destaco aqui as convergências com o Escritório de Projetos Especiais: superar a burocracia, criar competência para a gestão, profissionalizar com qualificação e habilidades para experimentação.

O Escritório se estruturou para atender as imposições legais da Lei de Acesso à Informação (LAI), a Lei Geral de Dados Pessoais, LGPD, e dos órgãos de controle e estes são requisitos obrigatórios para todas a ações do e-DAT. Da mesma forma, passamos a integrar grupos de estudos e de discussão, como o Grupo Técnico do CRUESP sobre Indicadores Sociais das universidades paulistas e o Projeto Métricas – Fapesp, coordenado pelo Prof. Dr. Jacques Marcovich. Este compartilhamento de informações colocou a Unicamp, juntamente com as outras coirmãs, em uma posição de vanguarda em relação à divulgação dos dados institucionais, e podemos afirmar que o Portal Transparência Unicamp, de forma aberta, cumpre os requisitos da LAI, muito diferente do que ocorria no passado. E retornando aos pontos de convergência, estamos em cumprimento com a nossa responsabilidade social.

O Escritório atua em duas vertentes: uma é a disponibilização de dados, realizando análise utilizando Business Intelligence, BI. Outra é atuando em pesquisas de opinião em assuntos de interesse institucional, uma atividade inédita no âmbito da Unicamp. Neste sentido, um dos primeiros produtos da atuação foi a "Unicamp no contexto da pandemia Covid-19", que está se constituindo em um documento importante para aperfeiçoarmos as ações durante este longo período de afastamento social e atividades remotas da instituição. Mais um exemplo de atividades inovadoras implantadas na gestão. Aqui, novamente, reporto-me à coerência de propósitos: divulgar para a sociedade a produção da Unicamp ao mesmo tempo em que a própria universidade de beneficia dos avanços.

Por meio do Escritório, propusemos, desde o início da gestão, dezenas de projetos estratégicos no Planes 2016-2020 para virtualizar a Unicamp, gerando automaticamente dados para gestão e para divulgação. E no final de novembro de 2020 aprovamos no Planejamento Estratégico 2021-2025, pela primeira vez na história da universidade, indicadores vinculados aos Objetivos Estratégicos da Unicamp. O Escritório está mapeando e diagnosticando a situação atual de cada um dos indicadores propostos, automatizando a busca dos dados e, em breve, definiremos as métricas a serem perseguidas até 2025.

A inauguração do espaço completa o ciclo de institucionalização do Escritório e de suas atribuições, um local adequado para uma equipe qualificada avançar em seus propósitos. E aqui faço uma outra conexão com os outros escritórios, neste processo formamos recursos humanos para atuarem neste escritório, mudamos processos de trabalho e implantamos novas tecnologias analíticas. Estes profissionais atuam transversalmente entre e com integrantes de outros órgãos, superando as barreiras hierárquicas verticalizadas que compõem os órgãos da administração universitária.

  1. Laboratório de Inovação em Gestão Pública da Unicamp - LabGesta

E o que tem a ver com tudo isto o LabGesta? Como todos sabem, a Unicamp tem um curso de Graduação em Administração Pública e outros de Pós-graduação na mesma área, sediados na Faculdade de Ciências Aplicadas, em Limeira. Apesar disto, numa visão muito crítica, a própria Unicamp se aproveita muito pouco a existência destes cursos para internalizar a cultura e os conhecimentos em gestão pública que lá são gerados e praticados. Era necessário avançar e a forma de fazê-lo veio sendo empiricamente praticada, com todas as limitações que o empirismo, intrinsecamente, traz. Iniciativas para avançar e romper com as práticas puramente empíricas foram se delineando, e da mesma forma que os outros dois Escritórios em que a prática e a realidade os foi conformando, o LabGesta foi ganhando consistência, até sua oficialização em 2020. Para isto contamos com a colaboração de profissionais qualificados cedidos pelo governo estadual.

A Unicamp é uma universidade pública e desta forma é gerida. Ao ser pública e estadual, obedece a todos os preceitos legais, representado por um emaranhado de normas que são geradas sem, em muitos casos, a clareza sobre suas reais consequências. Muitas destas normas vigentes estão ultrapassadas no tempo e não sofreram alterações por décadas, apesar de toda a revolução tecnológica ocorrida nesse período. Algumas exigências legais poderiam, certamente, ser revogadas se incorporassem as tecnologias de informação. Esta seria certamente a grande reforma administrativa que os governantes deveriam fazer. Entretanto, como universidade pública, sujeita a todos os tipos de controles, quer sejam técnicos quer sejam políticos, nos submetemos a eles não é uma opção.

A Unicamp, como universidade, é autônoma, autonomia constitucionalmente estabelecida, acadêmica, de gestão e administrativa. Esta autonomia é muito pouco compreendida e aceita pelos governos, órgãos de controle e pelos membros do poder legislativo. Para completar este cenário, ao mesmo tempo em que parte da sociedade e de seus dirigentes parecem compreender o trabalho feito em uma universidade pública como a Unicamp, outra parte é negacionista e obscurantista e relegam a planos inferiores a produção do conhecimento. O surpreendente é que os ataques à autonomia são perpetrados por ambos os grupos de governantes, o que obriga às universidades públicas a estarem, sempre, na defensiva. Hoje uma das formas para minar os órgãos públicos é a propalada reforma administrativa, cuja finalidade é meramente financeira, um grande equívoco conceitual e institucional. A reforma administrativa tem que visar, não a redução de serviços públicos, mas a excelência. Enfrentar todos estes desafios requer narrativas e estratégias qualificadas, ações integradas, integradoras e inovadoras de gestão e, para isto, a Unicamp pode e deve assumir sua responsabilidade de ser geradora de conhecimento e de transferência de tecnologias sociais para outros órgãos públicos. Nesse sentido, e tendo a dimensão do nosso potencial para inovar, este Laboratório irá colaborar na coordenação e na proposição de projetos que qualifiquem a gestão, compartilhando soluções com outros órgãos públicos.

Compreendendo estes cenários, e como uma forma de atuar pró-ativamente e de sermos protagonistas em busca da excelência, implantamos um LabGesta, oficialmente pela GR 92/2020, como um locus de reflexão e de ações que contribuam para a gestão universitária, mas que também gerem conhecimentos que agreguem valor à gestão pública. O Laboratório já está funcionando e agora estará instalado mais adequadamente em um espaço qualificado e condizente com a importância e as necessidades que hoje temos. Novamente me reporto ao fato de que das nossas ações haverá benefícios internos à universidade e contribuiremos com o desenvolvimento de outros órgãos de governos.

E concluindo, inauguramos espaços para os três escritórios já operacionais, com propósitos específicos bem delineados, com projetos em execução, resultados alcançados, produtos entregues, convergentes em seus objetivos e integrando o esforço de qualificar a gestão pública, uma necessidade urgente e imperiosa.

A todos os que colaboram em viabilizar estes projetos e às equipes que estão conosco no dia-a-dia, nossos agradecimentos.

Coordenadores e coautores:

Escritório de Projetos Especiais: Prof. Dr. Luis Carlos Pereira da Silva

Escritório de Dados Institucionais e de Apoio à Tomada de Decisão: Sra. Silviane Duarte Rodrigues

LabGesta – Profa. Dra. Milena Pavan Serafim

 

Assista à cerimônia de inauguração: 

Imagem de capa

Universidade Estadual de Campinas | Foto: Antonio Scarpinetti | Edição: Paulo Cavalheri
Universidade Estadual de Campinas | Foto: Antonio Scarpinetti | Edição: Paulo Cavalheri