Mostra “Série dos Cachorros” inaugura Galeria do Centro Cultural e integra programação da Calourada 2020

Pintura sobre lona, desenho e gravura incluem a mostra “Série dos Cachorros”, de Fabio de Bittencourt
Pintura sobre lona, desenho e gravura incluem a mostra “Série dos Cachorros”, de Fabio de Bittencourt 

O CIS-Guanabara, em parceria com o Museu de Artes Visuais da Unicamp (MAV-Unicamp), abre no dia 12 de março, às 19 horas, a exposição “Série dos Cachorros”, com 18 trabalhos do pintor, desenhista e escultor Fábio de Bittencourt. Primeira exposição pós-morte do artista, a mostra integra a Calourada 2020 e pode ser vista até o dia três abril na Galeria de Artes do CIS-Guanabara. A entrada é franca.

A exposição marca a inauguração da nova Galeria de Arte do CIS-Guanabara. Resultante da parceria público-privado, o projeto de reforma da Galeria contou com investimentos na ordem de R$ 30 mil, contemplando a troca do piso, a adequação das paredes e nova pintura, instalação do grid luminotécnico e aquisição de novo conjunto de iluminação, fazendo da Galeria uma referência à altura da cidade. Segundo o sociólogo e diretor do CIS-Guanabara, Marcelo Rocco, o momento é de forte entusiasmo, uma vez que essa transformação só foi possível graças à política de pertencimento fomentada pela gestão.

Grosso modo, os investidores, produtores parceiros do CIS, destinaram parte do capital circulante em seus próprios eventos em forma de benfeitoria na infraestrutura do Centro Cultural, de maneira que essa prática fosse entendida como uma política de educação cidadã, estimulando assim a responsabilidade compartilhada no uso dos espaços públicos. “Se o espaço é público, en tão é nosso e, se é nosso, cabe a nós cuidá-lo. Todo cidadão tem o direito pela ocupação das áreas públicas da cidade, mas também é seu dever zelar por ele. Oferecer esse tipo de parceria é um gesto que visa a ampliação de consciências, na essência, um estímulo a educação cidadã”.

Rocco ressalta que “ao instituir essa política, você transforma uma mera ocupação espacial em legado de cidadania. Graças a esse processo, o CIS-Guanabara está em contínua transformação, assim, ampliamos o número de espaços para acolher os projetos, e as melhorias nestes espaços são notórias. O CIS-Guanabara é um centro cultural sediado num patrimônio histórico cultural da cidade, assim essa política é mais que necessária, ela é um recurso de preservação”. Nesse processo de reforma da Galeria, o CIS-Guanabara contou com a participação de vários parceiros que sediaram seus eventos no Centro Cultural.

Sobre o artista – Pintura sobre lona, desenho e gravura incluem a mostra “Série dos Cachorros” elaborada por Fabio de Bittencourt, falecido no ano passado, vítima de um ataque cardíaco. O artista, graduado pela Unicamp, deixou um legado importante para a produção artística brasileira. Performer, desenhista, professor, pintor, gravador e escultor, concluiu licenciatura e bacharelado em artes plásticas pela Unicamp em 1990. Fez curso de desenho, pintura e teatro, na Biblioteca Viriato Corrêa, de 1972 a 1975, estudou desenho e modelagem, no Museu Lasar Segall, de 1980 a 1982, e desenho com Cássio Michelany (1949) e Inácio Justo, em 1983 e 1984.

Para a diretora do MAV-Unicamp, Sylvia Furegatti, o fato do museu não possuir ainda sua própria sede faz com que suas atividades sejam bastante diversificadas, não somente por suas tipologias, mas também pelos espaços que as acolhem. “Essa exposição significa, portanto, mais um dos projetos extramuros do MAV, agora localizado no CIS-Guanabara, outro organismo cultural da PROEC. O contato direto com a cidade de Campinas é certamente, outro ganho desse movimento, contudo, não será algo desconhecido do público visitante de mostras artísticas, já que o artista Fabio de Bittencourt, quando em vida, expôs seu trabalho, de modo frequente e variado, na cidade e fora dela”. Sylvia destaca a importância da aproximação entre organismos da mesma pró-reitoria. “Essa mostra estabelece um tipo de ação combinada importante para fortalecer o aspecto cultural, para além do artístico, já compreendido e formalizado pela PROEC na atual gestão central da universidade”, afirma.

Sobre a obra de Fabio Bittencourt, Sylvia não poupa elogios: “um artista brilhante que foi muito premiado e bastante reconhecido por museus, galerias, colecionadores, críticos de arte. Sua obra perfila em vários acervos públicos e particulares. Seu trabalho tem um frescor e uma jovialidade muito potentes para as artes visuais e certamente sua ausência na cena artística local será muito sentida. A incorporação de novas peças suas ao acervo do MAV-Unicamp é bastante significativa para a atualização de nossa coleção e para que possamos garantir novas e futuras possibilidades de fruição e pesquisas sobre a produção de artistas baseados na Unicamp que tiveram boa performance no circuito nacional.”

Em 1986, após se mudar para Campinas, Fabio freqüentou o Ateliê de Gravura em Metal do Museu Lasar Segall orientado por Arnaldo Battaglini, seguindo seus estudos acadêmicos na Unicamp em paralelo. Em 1987 realiza a performance “Capacíclopes” contra a pintura retiniana. Nos anos 90 dedicou-se intensamente aos estudos de novos meios nas artes plásticas, participando de cursos de história da arte com Agnaldo Farias, Aracy Amaral e Tadeu Chiarelli. No mesmo período participou do curso Imagem Eletrônica - Tempo e Espaço em Vídeo, com Kiko Goifman, no MIS/Campinas, do curso sobre instalação com Mary Dritschel, na Unicamp e do projeto Oficinas Interativas com artistas e críticos de arte como Agnaldo Farias, Carlos Fajardo, Lole de Freitas, Nelson Leirner e Rodrigo Naves.

Ainda no anos 90, formou a dupla performática +0-0 com o artista Marco Serra, realizando a performance “Ação-Urso”, em 1991, e uma intervenção performática na exposição de Arte Erótica no MAC/ Campinas em 1993. Participou como performer no vídeo “A hidra de lerna - os doze trabalhos de Hércules”, em 1994. Naquele ano fez a cenografia para os vídeos “Clones, Bárbaros e Replicantes” e “Toshimi”, e produziu o vídeo “Ditados Populares”.

Em sua obra, Fabio tem lugar especial para temáticas que cercavam a vida cotidiana urbana, tanto quanto sua mitologia pós-moderna. A elaboração de imagens de cachorros permeia parte da produção do artista em pintura, desenho e gravura contemplando sua atenção especial para animais domésticos ou mesmo selvagens que vivem no espaço urbano das cidades atuais. Além dos cachorros, os morcegos e a própria personagem do Mickey Mouse habitavam constantemente seu imaginário criativo. Desenhista, Fabio também produzia compulsivamente diários e livros de anotações que apresentam a qualidade de seu traço vigoroso e atenção para detalhes de cenas do cotidiano das pessoas, dos bichos, reais ou imaginados por ele.

No CIS-Guanabara, a mostra, é coordenada pela agente cultural Maria Cristina Amoroso Lima Leite de Barros em parceria com Ana Paula Andrade e Flávia Carneiro Leão (MAV-Unicamp), responsáveis pela organização do acervo de Fabio de Bittencourt. A exposição tem o apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC), da Unicamp. O CIS fica à Rua Mário Siqueira, 829, Botafogo, Campinas (estacionamento gratuito no local). Os trabalhos podem ser vistos na Galeria, de segunda a sexta-feira, das 9 às 20 horas e aos sábados e domingos das 9h às 17 horas.

Imagem de capa

audescrição: pintura de um cachorro deitado
Pintura sobre lona, desenho e gravura incluem a mostra “Série dos Cachorros”, de Fabio de Bittencourt (Fotos: Gisele Bertinato)