Professor da FEC é ‘fellow’ da Fundação Eisenhower

Luiz Carlos Marcos Vieira Junior é o segundo professor da Unicamp selecionado como fellow da Fundação Eisenhower pelo programa para a América Latina e o Caribe – o primeiro foi o reitor Marcelo Knobel,  fellow da mesma instituição (2007) e também da John Simon Guggenheim Memorial Foundation (2009) e da Fundação Lemann (2015).  Vieira Jr., docente da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), foi contemplado com uma bolsa da Eisenhower Fellowships, juntamente com mais 22 pesquisadores, ao submeter o projeto de criação na Unicamp de um centro para análise de risco de desastres ambientais naturais e induzidos. Ele embarca nesta semana para permanência de dois meses nos Estados Unidos, onde cumpre uma agenda com perto de 80 visitas a potenciais parceiros de trabalho. 

“A Fundação Eisenhower foi criada em 1953, tem uma grande rede de contatos e financiou muita gente que acabou se destacando no cenário global. É por se tratar de uma instituição tão forte que conseguimos acesso a muitos lugares, inclusive considerados de alta segurança ou que estrangeiros não costumam visitar. A ideia é justamente conhecer como os outros lideram suas pesquisas e trazer sua experiência para o centro que pretendo criar”, explica Luiz Vieira. “Esse centro terá três pilares: a pesquisa de análise de risco de desastres naturais (terremotos, tufões, tempestades tropicais) e também induzidos, como de Brumadinho e os incêndios na Amazônia; um segundo pilar das políticas públicas; e o terceiro da educação, junto a categorias profissionais, cidadãos comuns e principalmente escolas.”

Vieira Jr., docente da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC)
Vieira Jr., docente da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC)

Com formação em engenheira civil pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestrado pela USP de São Carlos e doutorado pela Johns Hopkins University (EUA), Luiz Vieira Junior foi professor por dois anos na University of New Haven (EUA) até passar no concurso da Unicamp que satisfez sua vontade de voltar ao Brasil, em 2013. Na FEC, o pesquisador coordena as pesquisas em engenharia de risco do LabMeC (Laboratório de Mecânica Computacional), que deve ser homologado em breve com o nome de RELab  (Risk Engineering Laboratory). “São cerca de vinte alunos e o centro terá fluxo similar, sendo obrigatoriamente multidisciplinar, com pessoas da geografia, assistência e políticas públicas. Em termos tecnológicos, já fazemos parcerias com o Instituto de Física e o Instituto de Computação. A vantagem na Unicamp é que podemos iniciar relações de trabalho tomando um suco na cantina.”

Sobre as pesquisas desenvolvidas no laboratório, Vieira mostra mapas do globo com incidências de terremotos, tufões, secas (sem considerar as mudanças climáticas), bem como de projeções de custos dos acidentes para a sociedade. “Apenas em 2018, foram 54 desastres naturais nas Américas, 48 na Europa, 46 na África, 141 na Ásia e 15 na Oceania, totalizando 315 ocorrências. Mas, observando a média nos últimos dez anos, que é de 358 acidentes, podemos dizer que em termos de análise de risco 2018 foi um ano bom; surpreende o número de mortes, cuja média é de 67 mil pessoas por ano, quando no ano passado tivemos muito menos, em torno de 11 mil.”

Uma das pesquisas, por exemplo, traz novas informações sobre a possibilidade de terremotos induzidos no país devido a exploração de gás natural, que o atual governo pretende incentivar, visto que o Brasil possui a 10ª reserva no mundo, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo). “Na região de Manaus não há registro de grandes abalos sísmicos, mas o território possui falhas neotectônicas onde, na tentativa de exploração de gás, é possível a indução de terremotos. Uma das técnicas de exploração consiste em injetar água nas reservas encontradas no subsolo para que o gás emerja, quando então é capturado; ocorre que esta água fica contaminada e a alternativa é reinjetá-la no subsolo, bem abaixo do lençol freático. As análises mostram que existindo uma falha neotectônica, um volume de água de 100 mil metros cúbicos (que não é alto) pode levar a perdas financeiras consideráveis, dado o dano estrutural e não estrutural de edificações. Na análise de risco, sugerimos, por exemplo, propostas quanto à localização do ponto de injeção e o volume de água injetada para que a operação seja mais segura.”

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Professor da FEC é ‘fellow’ da Fundação Eisenhower
Professor da FEC é ‘fellow’ da Fundação Eisenhower