Grupo da Biologia tem projeto aprovado pela Royal Society

Professor Marco Aurélio Ramirez Vinolo, do IB, contemplado com edital para jovens pesquisadores
Professor Marco Aurélio Ramirez Vinolo, do IB, contemplado com edital para jovens pesquisadores

O professor Marco Aurélio Ramirez Vinolo, do Instituto de Biologia (IB), acaba de ser contemplado pelo edital Newton Advanced Fellowship, voltado a jovens pesquisadores (com menos de 15 anos de pós-doutorado), para dar sequência à sua linha de pesquisa relacionando componentes da microbiota intestinal com doenças que atingem principalmente o cólon (parte central do intestino). O financiamento cobrirá viagens de pesquisadores que participam do projeto, acomodação, materiais de consumo e atividades de treinamento.

“Este projeto, aprovado pela Royal Society, é financiado pelo Newton Fund, fundo criado pelo governo do Reino Unido para estimular a colaboração entre grupos britânicos e de outros países, incluindo o Brasil e vários outros emergentes”, explica o docente da Unicamp, que viaja em junho para a Inglaterra. “Nosso colaborador britânico virá em agosto para a Unicamp, sendo que o intercâmbio vai envolver também os alunos: já temos uma pesquisadora lá e dois deles chegarão ainda esse ano.”

Segundo Marco Aurélio Vinolo, esta verba vem fortalecer um intercâmbio existente já há alguns anos com um grupo da University of Essex/Cambridge (Inglaterra), mantido graças ao suporte da agência de fomento inglesa BBSRC e da Fapesp. “Nosso grupo no IB já realizou vários trabalhos com modelos in vivo, enquanto o grupo inglês possui expertise na parte de bioinformática. A proposta é que os dois se complementem através de atividades incluindo treinamento em áreas como bioinformática e isolamento de células epiteliais progenitoras obtidas do intestino grosso e delgado”.

O professor do IB afirma que o foco das análises está na identificação de genes que são modificados pela microbiota em células tronco intestinais, e em entender como a interação entre essas células e as bactérias da microbiota intestinal influencia a resposta do organismo em condições de inflamação e infecção. “Pretendemos estender os estudos para outros modelos a fim de identificar melhor as proteínas-alvo e saber como podemos atuar nesse sistema para prevenção e mesmo para o futuro desenvolvimento de fármacos ou terapias voltadas especificamente para esses alvos moleculares.”

Fibras alimentares são metabolizadas pelas bactérias da microbiota intestinal. Durante esse processo, as bactérias produzem e liberam ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) no lúmen intestinal. Estes compostos são importante via de comunicação entre a microbiota e nossas células. O projeto visa identificar e caracterizar os alvos moleculares dessas moléculas em células epiteliais intestinais e do sistema imune presentes ao longo do trato intestinal.
Fibras alimentares são metabolizadas pelas bactérias da microbiota intestinal. Durante esse processo, as bactérias produzem e liberam ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) no lúmen intestinal. Estes compostos são importante via de comunicação entre a microbiota e nossas células. O projeto visa identificar e caracterizar os alvos moleculares dessas moléculas em células epiteliais intestinais e do sistema imune presentes ao longo do trato intestinal.

O cólon, acrescenta Vinolo, é uma parte do intestino grosso que mantém contato com imensa quantidade de bactérias, o que exige um sistema de defesa bastante ativo para impedir o desencadeamento de doenças. “Queremos entender como esses componentes benéficos microbianos regulam tanto as células que revestem o tecido (as células epiteliais intestinais) como as células de defesa que estão associadas a ele. Nesse contexto, já conhecemos pelo menos dois mecanismos novos envolvidos nessa comunicação.”

De acordo com o pesquisador, um mecanismo é a modificação de histonas – um conjunto de proteínas nas quais o DNA se enrola. “O que é gerado pela microbiota modifica enzimas que controlam a interação entre histonas e DNA e, desse modo, modificam o que as células produzem de proteína e suas respostas ao ambiente. Outro mecanismo se relaciona com o chamado fator induzível por hipóxia (HIF): em locais com baixa tensão de oxigênio, há a ativação desse fator, o que é importante particularmente no intestino. Temos observado que os produtos das bactérias da microbiota também atuam ativando esse fator, contribuindo assim para impedir que componentes bacterianos passem para a corrente sanguínea em condição de infecção intestinal.” 

Marco Aurélio Vinolo afirma que seu grupo vem realizando experimentos com o intuito de aprofundar as pesquisa. “Pretendemos agora analisar como o consumo de alimentos influencia esses processos, o que tem sido feito junto com as pesquisadoras Hosana Gomes Rodrigues, da FCA [Faculdade de Ciências Aplicadas], e Maria Teresa Pedrosa Silva, da FEA [Faculdade de Engenharia de Alimentos], dentre outros grupos.”

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Grupo do Instituto de Biologia dá sequência à cooperação com colegas da Universidade de Essex
Grupo do Instituto de Biologia dá sequência à cooperação com colegas da Universidade de Essex