"Ciência em série" apresenta pesquisas do Laboratório de Genômica e Bioenergia

Foi lançada no último dia 3, a série de vídeos curtos “Ciência em Série”, que traz jovens cientistas do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) da Unicamp falando de suas pesquisas de forma simples e fácil. Os vídeos podem ser conferidos na plataforma Youtube e fazem parte da iniciativa de divulgação científica Planteia, coordenada pela pesquisadora Camila Cunha no âmbito do Programa Mídia Ciência da Fapesp e com apoio do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), do Grupo de Gestão em Tecnologias Educacionais (GGTE) e do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) do Instituto de Biologia, todos da Unicamp. No total são 14 vídeos, sendo um vídeo de introdução ilustrado pelo artista Vicente Magalhães, 11 vídeos curtos e dois vídeos bônus, com duração média de um minuto.

Inspirada num desafio do Instituto Serrapilheira feito aos pesquisadores contemplados em seu primeiro edital em 2018, Camila Cunha achou que estimular alunos de iniciação científica e pós-graduação a falar sobre suas pesquisas em vídeos curtos seria um exercício interessante. “Como cientistas esquecemos que fazer ciência é comunicar, primeiro para os pares e depois para a sociedade. Muitos cientistas subestimam a importância de aprender técnicas de produção audiovisual. Precisamos lembrar que estamos na Era Digital e as grandes transformações passam invariavelmente pelos meios de comunicação”, comenta. Para ela, a criação multimídia é parte fundamental do letramento digital e depende do desenvolvimento de várias habilidade que passam por acessar, entender, avaliar criticamente e criar conteúdo em diferentes formatos e contextos.

O YouTube concentra grande parte de divulgadores de ciência com conteúdo de qualidade atestado pelo selo Science Vlogs Brasil. Em 2019, estimativas indicam que a plataforma é capaz de atingir mais pessoas entre 18 e 49 anos do que emissoras de televisão consolidadas, conta com mais de dois bilhões de usuários e é responsável pela exibição de pelo menos cinco bilhões de vídeos diariamente, o que torna o veículo ideal de disseminação dos vídeos de ciência (YouTube press, 2019).

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Sobre a experiência

O programa de bolsas Mídia Ciência da Fapesp, que financia a produção de conteúdo de divulgação científica, ainda é desconhecido por muitos pesquisadores. “A bolsa é uma oportunidade para juntar cientistas e jornalistas e fomentar a criação de conteúdo audiovisual”, comenta Camila.

No processo de produção dos vídeos, primeiro foi pedido aos cientistas para escrever um texto curto que pudesse ser lido em até um minuto sobre sua pesquisa. O uso de jargões foi evitado sempre que possível e analogias foram incentivadas para explicar conceitos abstratos.

“Sempre gostei muito de divulgação científica e escrevo textos para o blog Terabytes of Life, parte da rede de Blogs de Ciência da Unicamp. Então, a escrita não foi problemática para mim, já transformar a escrita em vídeo sim! Acho que o maior desafio foi gravar o vídeo em estúdio com tantos aparatos e conseguir falar no tempo certo e parecer natural”, comenta Sheila Nagamatsu participante do projeto, hoje pós-doutoranda na Universidade de Yale nos EUA. “Adorei ter participado, foi muito divertido”, finaliza.

“Meu primeiro ímpeto a esse tipo de convite é recusar pela timidez. O processo de preparação para o vídeo foi muito mais técnico do que eu imaginava. Os maiores desafios foram resumir a minha pesquisa em apenas um minuto, decorar o texto e depois recitá-lo com naturalidade de quem está conversando com alguém, quando na verdade estamos olhando para uma câmera”, relata Fellipe Mello, hoje pós-doutorando no Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE), e finaliza “Achei que seria impossível, mas consegui!”.

Todos os pesquisadores participantes integram o LGE e para criar uma conexão entre os vídeos foi elaborado uma animação para introduzir o tema das pesquisas. O ilustrador Vicente Magalhães assinou os desenhos que compõe o vídeo. “Arte e ciência são fundamentais para a sociedade e em tempos onde o cerco ao pensamento crítico e à liberdade artística ganham força, sinto-me honrado e feliz em trabalhar com pessoas empolgadas e criativas para oferecer informações às pessoas que pouco ou nada têm de contato com a universidade”, comenta Vicente sobre a experiência.

Por que audiovisual?

Se engana quem acha que a produção audiovisual está longe da produção acadêmica. Hoje várias editoras de periódicos científicos renomados, como Elsevier, Cell Press e Wiley, já têm em suas bases jornais que exigem a submissão de um resumo em forma de vídeo. Outros como a Springer Nature classificam artigos por altimétrica, pontuação baseada na atenção on-line que um artigo recebe. Na cultura visual em que vivemos, vídeos sobre artigos aumentam as chances de serem baixados e até citados.

Camila Cunha realizou a especialização em Jornalismo Científica oferecida pelo Labjor na turma de 2017-2018, mas foi a participação no programa Mídia Ciência em 2019 onde ela pode experimentar a produção audiovisual. “Participar do programa Mídia Ciência foi um divisor de águas na minha formação e mudou a forma como eu vejo, penso e faço ciência”, finaliza Cunha.

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Assista a seguir o primeiro vídeo da série.