‘Café com conversa’ discute ‘fake news’

Luís Fernando M. Costa | Editora da Unicamp | Especial para o JU

A ciência é permeada por um falso conhecimento que imita seus métodos e sua linguagem. Com o intuito de compreender a relação entre fake news e divulgação científica, participaram da edição de novembro do Café com Conversa o secretário executivo de comunicação Peter Schulz e o reitor Marcelo Knobel, ambos físicos e docentes da Unicamp. A gravação do programa ocorreu na Casa do Professor Visitante (CPV-Unicamp), no dia 7.

Há várias formas de compreender a ciência, a religião e as artes, cada uma legítima em seu contexto. Contudo, há conhecimentos e ideias que, embora se apresentem como científicos, não possuem o rigor necessário para serem definidos como tal. Dentre eles, alguns são fenômenos culturais antigos que assumem um caráter de ciência para se adaptar à atualidade.

Peter Schulz falou sobre a permeabilidade das instituições científicas para as fake news. Segundo ele, uma forma de reconhecer um estudo como científico é a credibilidade das autoridades que o amparam, como universidades e revistas renomadas. No entanto, mesmo nesses espaços, é possível encontrar artigos que, se analisados profundamente, mostram-se inconsistentes e infundados.

Marcelo Knobel discorreu sobre diferentes formas de falsa ciência, semelhantes no uso que fazem de procedimentos não verificáveis e sem conexão com a realidade. Porém, nem sempre é fácil reconhecer as fake news. Segundo o reitor, nesse cenário, a responsabilidade da comunidade científica é a de apresentar argumentos respeitosos nas diversas mídias e nos diversos espaços de debate, promovendo o posicionamento crítico.

No que diz respeito à divulgação científica, Schulz criticou o fato de os avanços serem transmitidos como irrefutáveis e inalteráveis, uma vez que é próprio do conhecimento ser provisório e disposto à contestação. Já Knobel destacou a importância de aproximar o público da realidade das universidades e de seus pesquisadores. O trabalho realizado é árduo e lento, e não envolve grandiosas descobertas, como a mídia tende a fazer crer.

O debate teve como inspiração a coleção Meio de Cultura, publicada pela Editora da Unicamp, cujas obras tratam de divulgação científica. Composta por 15 volumes, ela é destinada ao público que se interessa por ciência e busca saber mais sobre temas relacionados a diferentes áreas.

O Café com Conversa é um espaço de debate que acontece mensalmente, tendo por base livros da Editora da Unicamp. A iniciativa é resultante da parceria entre a Editora, a Secretaria de Comunicação da Unicamp (SEC) e a Casa do Professor Visitante. O evento é aberto à comunidade.

Este foi o último Café com Conversa de 2018, que retorna em março de 2019 para debater novos temas.