Pesquisa mostra o impacto da Covid-19 no rastreamento dos cânceres de mama e de colo do útero

Artigo mostra como as medidas de enfrentamento da pandemia influenciam no rastreamento e no tratamento dessas doenças

É urgente o desenvolvimento de estratégias que diminuam os efeitos de longo prazo da Covid-19 nas taxas de mortalidade dos cânceres de mama e colo de útero. O alerta é de um estudo da Unicamp e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), publicado na última segunda-feira (13) no Journal JCO Global Oncology. Ele mostra como as medidas de enfrentamento da pandemia impactam no rastreamento e no tratamento dessas doenças, a partir de significativa redução na prestação de cuidados aos pacientes.

Acesse a íntegra do artigo aqui.

Intitulada Impact of COVID-19 in Cervical and Breast Cancer Screening and Systemic Treatment in São Paulo, Brazil: An Interrupted Time Series Analysis, a pesquisa analisou o número de exames de rastreio, mamografia e citologia cervical (Exame de Papanicolau), de procedimentos de tratamento de câncer de colo uterino inicial e de início de tratamentos quimioterápicos para câncer de mama e colo uterino no Estado de São Paulo entre janeiro de 2017 e novembro de 2021. As plataformas utilizadas foram o DATASUS, o Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) e o Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde.

Paciente durante exame de mamografia no Hospital da Mulher-Caism (Foto: Néder Piagentini - Caism)
Paciente durante exame de mamografia no Hospital da Mulher-Caism (Foto: Néder Piagentini - Caism)

Além de estimar que mais de 1,8 milhões de exames e procedimentos de Papanicolau, mamografia e conização tenham sofrido atraso ou sido completamente perdidos, o estudo mostrou como a disfunção do sistema de saúde causada pelo SARS-CoV-2 prejudicou o tratamento sistêmico dos pacientes com câncer.

Segundo afirmam os pesquisadores responsáveis pelo estudo, Mateus Duarte (UFU), José Carvalheira e Juliana Argenton (Unicamp), o início da pandemia está diretamente correlacionado à diminuição aguda dos exames de rastreio (Papanicolau e mamografia) e procedimentos de conização. 

“Houve uma redução de 25% na taxa de início de tratamento sistêmico pós-operatório do câncer de mama em estágio inicial (I e II), além de um aumento na quantidade de pacientes que iniciaram quimioterapia já em caráter paliativo para o tratamento do câncer de colo do útero avançado. Estimamos um excesso de 156 casos de câncer de colo uterino em São Paulo já em estágio avançado, quando a chance de cura é drasticamente reduzida”.

Embora os exames de Papanicolau e mamografia tenham retornado aos níveis anteriores às medidas de isolamento, o mesmo não se deu com as conizações. Dentre os fatores que explicam a lenta retomada dos índices anteriores à pandemia estão as dificuldades com sistemas de rastreamento e a interrupção de serviços de saúde considerados não essenciais.

“No Brasil, a busca pelos serviços de rastreamento acontece de forma espontânea, enquanto em países mais desenvolvidos existem sistemas de lembrete e rastreamento. Na Austrália e na Nova Zelândia foram feitos esforços simultâneos para controlar a Covid-19 e mitigar seus efeitos sobre o tratamento do câncer, o que resultou na rápida taxa de recuperação da triagem”, afirmam.

Matéria original publicada no site da Faculdade de Ciências Médicas (FCM).

 

Imagem de capa JU-online

Voluntário da Foça-Tarefa da Unicamp durante testagem na população: Urgência no desenvolvimento de estratégias que diminuam os efeitos de longo prazo da Covid-19 nas taxas de mortalidade dos cânceres de mama e colo de útero (Foto: Antonio Scarpinetti)