No universo micro, o vasto mundo

Exposição reúne fotos de plantas e insetos feitas por biólogo


Num universo minúsculo, uma história gigante. A foto é um mistério da exposição. O fotógrafo e biólogo Hélio Soares Júnior pergunta o que eu vejo na imagem. Vejo uma formiga tentando beber água e seu reflexo nítido na gota. Não. A história é outra: uma formiga tentava beber água, mas se acidentou e foi engolida pela gota de orvalho.  Ela aparece morta e nítida dentro da gota. Do lado de fora está outra formiga, que acabou tendo o mesmo destino.

Os acontecimentos na vida de insetos e plantas são retratados pela objetiva macro da câmera de Hélio. Em comemoração ao Dia do Biólogo, celebrado em 3 de setembro, ele expõe uma série de 19 macrofotografias sobre flores, fungos e insetos na Biblioteca do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp. A exposição segue até o dia 29. São imagens fiéis em tamanho ao que a câmera enxerga, por isso tão ampliadas aos olhos humanos.

Foto: Reprodução
A formiga engolida pela gota de orvalho: detalhes imperceptíveis

 “A gente pode definir a macrofotografia quando está enquadrado no visor da câmera aquilo que a imagem realmente representa, ou seja, quando a imagem reproduzida no sensor da câmera digital tem o mesmo tamanho do objeto real”. As ampliações mostram os detalhes imperceptíveis a olho nu como reflexos nas gotículas de orvalho. As imagens mostram o quanto a natureza é colorida – e diversificada.

As fotos precisam ser meticulosamente planejadas e uma boa imagem pode estar bem mais perto do que as pessoas imaginam. “Às vezes, as pessoas me perguntam se eu viajo muito para fazer as fotos, mas muitas foram produzidas em ambientes totalmente urbanos”. O que muda é o olhar.

As imagens da exposição foram feitas entre 2008 e 2016. Algumas fotos foram tiradas na Estação Ecológica de Itirapina, próximo à cidade de São Carlos, onde Hélio realiza sua pesquisa de campo para o mestrado.

Hélio também é aluno da pós-graduação em Biologia Animal no IB e estuda uma espécie de formiga, comum no Cerrado. Em sua pesquisa, para registrar, por exemplo, a imagem da formiga se alimentando de cupins, ele recorre à macrofotografia. “Enaltece bastante o trabalho”.

A imagem de duas moscas, com todos os detalhes, prende o olhar. Segundo o fotógrafo e biólogo é um dos insetos mais difíceis de fotografar, muito arisco e rápido. Por isso planejar a foto é tão importante. Não raro, Hélio fica horas parado, esperando o momento certo.

Foi assim quando colocou a câmera no chão para registrar a passagem de uma formiga perto de um tipo de fungo que, no olhar macro, lembra chamas que saem do chão. Também foi assim quando Hélio registrou várias formigas bebendo água de modo que é possível enxergar quando a “barriga” está cheia. “Isso é chamado de estômago social. As formigas reservam a água no estômago para distribuir no formigueiro”, explica.

Foto: Scarpa
O fotógrafo e biólogo Hélio Soares Júnior: “A gente pode definir a macrofotografia quando está enquadrado no visor da câmera aquilo que a imagem realmente representa”

“Marias fedidas” jovens repousam numa flor de gérbera e outras formigas passeiam sobre montanhas amarelas que são, na verdade, os chamados “soros”, as partes reprodutivas das samambaias ou aqueles pontinhos amarelos que ficam na parte de trás das folhas. “São duas formigas irmãs, uma soldada e uma operária que estavam buscando alimento”.

Hélio conta que as macrofografias ensinam como a natureza é extremamente complexa e bela. “Muita gente subestima esses animais pelo fato de serem pouco estudados e, quando a gente começa a compreender o universo deles, é maravilhoso. Minha ideia é a de que, se você respeita um bicho desses, você vai ter respeito também por todos os demais”.


Saiba mais

Outros trabalhos do fotógrafo podem ser vistos no site: http://www.heliosoaresjunior.com/

Foto: Reprodução
Nas fotos de Hélio Soares Júnior, cores e diversidade