Inscrições do Prêmio Asimov-Brasil são prorrogadas

##O Prêmio Asimov-Brasil, iniciativa do Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp, prorrogou o prazo para as inscrições de escolas e estudantes secundaristas interessados em participar após as mudanças de calendário decorrentes da pandemia do coronavírus. A partir de agora, os colégios e professores podem se inscrever até 20 de agosto e os alunos, até 1º de setembro.

A premiação vai escolher anualmente escritores com obras de divulgação científica e cultural publicadas no Brasil e alunos de Ensino Médio que votam nos melhores livros e produzem resenhas sobre as obras. Até o momento, a iniciativa conta com dez escolas, entre públicas e particulares. Os estudantes deverão enviar suas resenhas entre os dias 15 e 30 de setembro e a cerimônia de premiação ocorrerá em 16 de dezembro.

Docentes e coordenadores envolvidos com a premiação afirmam que os estudantes estão demonstrando bastante interesse em fazer parte do projeto, apesar de o início da quarentena ter atrapalhado o desenvolvimento das atividades.

Na Escola Estadual José Maria Matosinho, de Campinas, a professora de português e de arte Janaina Sabino montou um cronograma de leitura e de entrega das resenhas críticas e pretende instigar os estudantes com questões norteadoras. “Como estamos num momento de quarentena e o isolamento pode nos afetar sensivelmente, eu disse aos meus alunos que ler bons livros nos ajuda a manter a mente saudável. Logo, essas leituras farão parte das atividades de minha disciplina.”

O Prêmio Asimov-Brasil está possibilitando a convergência de disciplinas no estímulo à leitura crítica das obras de divulgação científica, como no caso do Colégio Cristão Jundiaí. De acordo com o professor de física Fernando Torres, os docentes de ciências têm a expectativa de que a premiação possa despertar o interesse por temas científicos, enquanto os professores de português pretendem aproveitar a oportunidade para trabalhar o exercício da redação e ensinar aos alunos o formato de texto da resenha.

“É uma forma de tentar consolidar a ciência em tempos tão sombrios que estamos vivendo. Logo, posso falar que minha ideia é que os alunos se envolvam o máximo que puderem para poderem construir um lado de pensamento mais científico e crítico em nosso país. Mas também quero que eles se divirtam fazendo isso”, afirma Torres.

Acostumados a participar de olimpíadas acadêmicas e concursos de redação, os alunos do Colégio Objetivo, de Campinas, terão a chance de integrar uma dinâmica diferente de aprendizado proporcionada pelo Prêmio Asimov-Brasil, combinando a leitura e a interpretação de texto. “A princípio os alunos envolvidos estão bem satisfeitos com a participação por si só. Neste primeiro ano, convidei alunos que gostam e estão acostumados com as olimpíadas e concursos. O fato de estar associado à Unicamp acaba sendo um forte atrativo”, explica Juracyr Valente, coordenador pedagógico do Ensino Fundamental 2 e do Ensino Médio do Objetivo de Barão Geraldo.

  

Inspiração italiana

A proposta de estimular o interesse pela cultura científica em estudantes secundaristas nasceu na Itália, em 2016, pelo físico Francesco Vissani, e contou na sua quinta edição com 4.000 alunos de mais de uma centena de colégios italianos. Vissani foi o primeiro convidado do IdEA no Programa “Cesar Lattes” do Cientista Residente, em setembro de 2019, e ajudou a conceber a versão brasileira, integrando atualmente a Comissão Científica.

A primeira etapa prevê a inscrição das escolas interessadas em participar, sendo que podem se inscrever instituições públicas ou particulares de todo o Estado de São Paulo. Os professores, diretores ou coordenadores das escolas paulistas de ensino médio podem inscrever o colégio pelo site www.asimovbrasil.unicamp.br. Depois de cadastrada a escola, os alunos poderão participar da premiação.

Cinco livros finalistas foram escolhidos pela Comissão Científica para esta primeira edição: “O Andar do Bêbado: Como o acaso determina nossas vidas”, de Leonard Mlodinow (Editora Zahar); “As Cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo”, de Rachel Ignotofsky (Editora Blucher); “A Vantagem Humana: como nosso cérebro se tornou superpoderoso”, de Suzana Herculano-Houzel (Companhia das Letras); “Física em 12 lições fáceis e não tão fáceis”, de Richard P. Feynman (Editora Nova Fronteira); e “1499: o Brasil antes de Cabral”, de Reinaldo José Lopes (Editora HarperCollins).

Essa primeira edição brasileira está sendo organizada em parceria do IdEA com o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, o Colégio Técnico de Campinas (Cotuca) e o Colégio Técnico de Limeira (Cotil). O Cotil é a instituição responsável pela área de tecnologia da informação e comunicação do projeto, incluindo suporte e ferramentas de software, criação de website e sistemas de inscrições.

O prêmio homenageia o escritor Isaac Asimov (1920-1992), um dos mais prolíficos autores do século XX, que conquistou reconhecimento e sucesso no mercado editorial nos anos 1950 ao iniciar a publicação da série de ficção científica “Fundação”. Foi autor de cerca de 500 livros e de centenas de contos em gêneros diversos, como romances de ficção científica e de suspense, divulgação científica para jovens e para adultos, crítica literária e ensaios sobre religião e humor.

Saiba mais informações sobre o Prêmio Asimov-Brasil. 

Leia matéria sobre a iniciativa do Instituto de Estudos Avançados da Unicamp.

Imagem de capa

Cerimônia de entrega do Prêmio Asimov, na Itália, em 2019
Cerimônia de entrega do Prêmio Asimov, na Itália, em 2019