Galáxia em crescimento

 

Gigante em formação
A 10 bilhões de anos-luz de nós, a galáxia gigante Teia de Aranha cresce acumulando gás do espaço ao redor, e não devorando suas irmãs menores, aponta artigo publicado na revista Science. Essa constatação contradiz alguns pressupostos a respeito da formação de galáxias gigantescas em meio a aglomerados como o que Teia de Aranha habita.

A Teia de Aranha reside no núcleo de um protoaglomerado, um conjunto de galáxias ainda em formação, nos primórdios do Universo. Até algum tempo atrás, cientistas especulavam que as supergaláxias no centro dos aglomerados teriam crescido assimilando galáxias menores ao redor, mas simulações recentes de computador passaram a indicar que elas poderiam nascer da condensação direta de grandes massas de gás frio presentes no espaço.

As observações descritas na Science, feitas por instrumentos baseados na Austrália e nos Estados Unidos, confirmaram essa predição. “Nossos resultados dão apoio à ideia de que galáxias gigantes em aglomerados formam-se de regiões extensas de gás reciclado”, originário de gerações ainda mais antigas de estrelas, escrevem os autores, de instituições australianas e europeias.

Mais tornados nos Estados Unidos
A frequência com que ocorrem “surtos” de tornados nos Estados Unidos – sequências de pelo menos seis tempestades – aumentou nos últimos 50 anos, aponta artigo publicado na revista Science. No mesmo período, a intensidade das tormentas também cresceu. Os autores determinaram que, em intervalos de cinco anos entre 1965 e 2015, o número estimado de tornados nos surtos mais extremos dobrou, passando de 40 a quase 80.

A intensificação, no entanto, não corresponde exatamente aos fatores vinculados à mudança climática antrópica, apontam os pesquisadores, de instituições dos Estados Unidos e da Arábia Saudita. “Ambientes meteorológicos extremos associados a tempestades severas mostram tendências ascendentes consistentes, mas as tendências não se assemelham às esperadas atualmente pelo aquecimento global”, escrevem.

Consertando óvulos
Artigo publicado na revista Nature descreve os resultados, em três famílias, de uma técnica de substituição do DNA de óvulos humanos criada para evitar doenças causadas por problemas nas mitocôndrias. A mitocôndria é uma estrutura do interior da célula que, assim como o núcleo, contém DNA. Ao contrário do DNA nuclear, que combina material de ambos os genitores, o DNA mitocondrial (mtDNA) é herdado apenas da mãe. Mutações do mtDNA podem causar problemas graves de saúde.

O procedimento descrito na Nature substitui o DNA do núcleo de um óvulo – com mitocôndrias saudáveis – pelo DNA nuclear extraído do óvulo de uma mulher portadora de mitocôndrias doentes. De acordo com os autores, de instituições dos Estados Unidos e Coreia do Sul, os embriões resultantes continham mais de 99% de mtDNA saudável, embora algumas das células-tronco derivadas tenham mostrado sinais de reversão para o mtDNA doente original.

Gelo deprime Plutão
Análises de dados sobre a Planície Sputnik – a massa de gelo que preenche parte do “coração” branco fotografado na superfície de Plutão pela sonda New Horizons – continuam a dar frutos. Na edição mais recente da Nature, pesquisadores americanos sugerem que a depressão em que o gelo da planície está depositado não é uma cratera aberta por impacto, mas um rebaixamento do solo causado pela massa congelada. “O peso da Planície Sputnik faz com que a crosta subjacente se rebaixe, criando sua própria bacia”, diz o artigo, que também analisa as interações gravitacionais entre Plutão e sua maior lua, Caronte.

A planície, argumentam os autores, “permanece travada no lugar por causa da protuberância permanente de maré geada por Caronte. Qualquer movimento da região para fora dos 30º de latitude é contrabalanceado pela recondensação preferencial de gelo perto da extremidade mais fria da calota. Portanto, nosso modelo sugere que a Planície Sputnik se formou pouco depois de Caronte e se manteve estável (...) durante a história do Sistema Solar”.

Artigos publicados em edições anteriores da Nature apontavam que a planície teria se formado ano norte de sua posição atual, e que Plutão teria “rolado” até que a massa de gelo se alinhasse ao eixo que liga o planeta-anão a sua maior lua.

Degelo no Ártico
O volume de gelo sobre o Oceano Ártico fechou o mês de novembro deste ano num dos níveis mais baixos da história, empatando com os recordes negativos de 2011 e 2012, apontam dados do satélite CryoSat, da Agência Espacial Europeia (ESA). De acordo com nota divulgada pela ESA, o cúmulo de gelo na região, no início deste inverno setentrional, está 10% abaixo do normal. O satélite carrega um altímetro de radar que mede a elevação e o desnível do gelo.

No final no verão do hemisfério Norte, em setembro, o CryoSat havia detectado um aumento na espessura média do gelo ártico, na comparação com anos recentes. Agora em novembro, no entanto, o ganho diário ficou abaixo do esperado. Na média, a espessura registrada neste ano supera a de 2011, mas há substancialmente menos gelo nas zonas mais meridionais, como a Sibéria Oriental.

Evolução extrema
Em diversas espécies animais, de besouros a pavões, os machos desenvolvem características chamativas – como chifres enormes ou caudas longas e coloridas – que representam uma desvantagem objetiva para o indivíduo, já que consomem recursos do organismo para se manter e, em alguns casos, atrapalham os movimentos e chamam atenção de predadores. Charles Darwin atribuía a evolução dessas características a um processo de seleção sexual, em que o “preço” do ornamento era “pago” com o interesse das fêmeas e o aumento das chances de reprodução. Essa explicação deixava em aberto o porquê de as fêmeas preferirem machos assim “defeituosos”.

Mais tarde, já na década de 70 do século 20, o biólogo Amotz Zahavi propôs o chamado “princípio do handicap”, ou “da desvantagem”, segundo o qual os ornamentos custosos seriam uma forma de o macho sinalizar sua superioridade individual para as fêmeas: o defeito vistoso anuncia a presença de qualidades excepcionais, capazes de superar os problemas que o enfeite traz. Em artigo publicado recentemente no periódico Proccedings of the Royal Society B, um grupo de matemáticos americanos apresenta um modelo matemático, baseado na hipótese de Zahavi, que prevê que espécies que usam a ornamentação dessa forma devem evoluir em dois subgrupos distintos – um com ornamentos extravagantes e outro, extremamente discreto. Não haveria espaço para formas intermediárias.

A natureza, apontam os autores, confirma essa previsão. “Incorporamos as pressuposições do princípio da desvantagem num modelo matemático e demonstramos que são suficientes para explicar a até agora intrigante observação da distribuição bimodal de tamanho dos ornamentos em diversas espécies”, escrevem.

Ecstasy terapêutico 
em teste

A Administração de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês), órgão do governo americano que regula o mercado de produtos alimentícios e medicamentos, autorizou o início da fase 3 de um experimento destinado a avaliar o uso da droga MDMA, o ecstasy, no tratamento do transtorno do estresse pós-traumático. Se bem-sucedido, o teste poderá levar a droga ilegal a se converter numa alternativa terapêutica. Os testes de fase 3 avaliam a eficácia em grupos relativamente grandes de voluntários humanos, com observação de efeitos colaterais e comparação com outras opções de tratamento.

Em declaração ao jornal The New York Times, um especialista no transtorno, o psiquiatra Charles R. Marmar, declarou-se “esperançoso, com cautela”. Ele lembrou que o ecstasy se presta facilmente a abusos. “O uso prolongado pode trazer danos graves ao cérebro”, disse.

A fase 3 será financiada pela Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos, uma ONG que promove o uso medicinal de drogas como maconha, LSD e o próprio MDMA, e que já vinha pagando pelos estudos em fase 2, realizados em grupos menores e que avaliaram a eficácia e a segurança da droga.  Na nova fase serão incluídos pelo menos 230 pacientes.

O preço da insônia
A falta de sono custa ao Japão quase 3% de seu PIB anual, e mais de 2% do PIB aos Estados Unidos, aponta relatório sobre os impactos econômicos do sono inadequado ou insuficiente publicado pela Corporação RAND. Uma população que dorme mal é ruim para a economia não só por conta dos impactos na saúde, mas também pelo absenteísmo – a ausência do trabalhador no expediente – e pelo presenteísmo, definido como a situação me que o trabalhador comparece ao local de trabalho, mas não consegue desempenhar bem suas funções.

O relatório estimou o custo do sono ruim em cinco países ricos – EUA, Canadá, Japão,  Reino Unido e Alemanha – e determinou que a economia da Alemanha é a que sofre menos com o problema. O trabalho afirma, ainda, que pequenos avanços em qualidade do sono podem ter grandes impactos, com o ganho de uma hora de sono acrescentando bilhões de dólares ao PIB dos países. O relatório pode ser lido em http://www.rand.org/pubs/research_reports/RR1791.html .