Uso de máscaras

Uso de máscaras no contexto da pandemia de Covid-19 

 

1. Introdução

  • O novo coronavírus é transmitido de uma pessoa para outra da seguinte forma: A pessoa doente expira, tosse, espirra, fala ou canta, e lança no ar gotículas respiratórias contendo o vírus; e a pessoa saudável se infecta ao entrar em contato com estas gotículas pela sua inspiração (nariz e boca), ou quando toca superfícies onde as gotículas se depositaram e passam a mão nos olhos, nariz e boca.
  • Em Unidades de Saúde, a transmissão também pode ocorrer através da inalação de aerossóis gerados durante a realização de certos tipos de procedimento nos pacientes, como inalação, intubação orotraqueal e reanimação cardiopulmonar.
  • Evidências científicas recentes indicam fortemente a presença de outra forma de transmissão, a “transmissão aérea”, quando gotículas respiratórias muito pequenas liberadas pela pessoa infectada permanecem no ar, representando um risco de exposição a distâncias maiores que 1 ou 2 metros - fala-se até de dezenas de metros, podendo passar de uma sala para outra.  
  • Lugares fechados, com pouca ventilação e pouca iluminação, e por onde circulam muitas pessoas, são propícios para a transmissão do vírus.

 

2. Justificativa - para que usar máscaras?

  • Para reduzir a propagação da Covid-19.
  • Pessoas saudáveis usam máscaras para se proteger do vírus, e pessoas doentes usam com o objetivo de evitar a transmissão para outras pessoas.
  • Pessoas sem sintomas também podem transmitir o vírus, embora menos que as que se sentem doentes. Quem vê cara, não vê Covid-19!

 

3. Que tipos de  máscara existem?

Atualmente existem 3 tipos principais de máscaras, com nível de proteção crescente de acordo com a sua capacidade de filtrar gotículas menores: as de tecido; as médicas ou cirúrgicas; e as máscaras chamadas de respiradores, do tipo N95, FFP2, FFP3 ou equivalentes. 

 

4. Máscara de tecido

Também chamada de "máscara de proteção respiratória para uso não profissional", é um dispositivo facial que cobre nariz, boca e queixo, equipado com um conjunto de alças, e que serve principalmente para evitar a transmissão do vírus por pessoas que não apresentam sintomas.

 

4.1 QUEM DEVE USAR?

  • Dentro da Universidade: será exigido o uso de máscaras de tecido por todos os alunos e trabalhadores em locais onde não se aplique a utilização de máscara cirúrgica ou máscaras do tipo respiradores (N95, FFP2, FFP3). Esta exigência se estende ao uso de transporte fretado e ônibus circulares.
  • Fora da Universidade: recomenda-se o uso para qualquer pessoa com mais de 2 anos de idade sem sintomas de Covid-19, ao sair de casa, especialmente na visita a espaços fechados e movimentados, como supermercados, shopping centers, ou em transportes públicos; e para profissões que envolvem proximidade física com muitas outras pessoas (por ex. vigilantes, recepcionistas, caixas).
  • Não devem usar máscaras de tecido: crianças menores de 2 anos; pessoas com dificuldade para respirar; e pessoas inconscientes, incapacitadas ou incapazes de remover a máscara sem assistência.

 

4.2 REQUISITOS IDEAIS DA MÁSCARA DE TECIDO

  • Para fins de ampliar o acesso é importante que a máscara tenha baixo custo
  • Dimensões ideais: Distância lateral 132,5 mm – 144,5 mm; Comprimento queixo-fronte 123 mm – 135 mm; Distância interpupilar 65 mm – 71 mm; e Arco-maxilo-auricular 295 mm – 315 mm.
  • Tipos de tecido: devem ser evitados aqueles que possam irritar a pele, como poliéster puro e outros sintéticos, sendo recomendados preferencialmente os tecidos que tenham algodão na sua composição. Composições possíveis de materiais:

 a. 100 % algodão - características finais quanto à gramatura: — 90 a 110 (por exemplo, usado comumente para a fabricação de lençóis de meia malha 100 % algodão); — 120 a 130 (por exemplo, usado comumente para a fabricação de forros para lingerie); e — 160 a 210 (por exemplo, usado para a fabricação de camisetas).  

b. Misturas – composição: — 90 % algodão com 10 % elastano; — 92 % algodão com 8 % elastano; — 96% algodão com 4 % elastano. 

  • Para a produção de máscaras faciais não profissionais pode ser utilizado Tecido NãoTecido (TNT) sintético, desde que o fabricante garanta que o tecido não causa alergia, e seja adequado para uso humano. Quanto à gramatura de tal tecido, recomenda-se gramatura de 20 - 40 g/m².
  • É recomendável que o produto manufaturado tenha duas ou três camadas, do mesmo tecido ou de tecidos diferentes. 

 

4.3  CUIDADOS ANTES, DURANTE E APÓS O USO

  • É de uso individual e não deve ser compartilhada.
  • Coloque corretamente: Inicialmente higienize suas mãos; coloque a máscara tentando cobrir totalmente a boca e nariz, sem deixar espaços nas laterais, e certifique-se de respirar facilmente;
  • Evite tocar a máscara durante seu uso; 
  • Troque sempre que estiverem molhadas ou visivelmente sujas
  • Retire adequadamente: Inicialmente higienize suas mãos; toque apenas nos laços ou elásticos atrás das orelhas;dobre os cantos externos; deposite em um saco plástico até que possa ser lavada; higienize novamente as mãos após a retirada;
  • Lave as máscaras com frequência; e
  • Descarte as máscaras rasgadas ou que pareçam gastas.     

 

4.4 COMO LAVAR AS MÁSCARAS DE TECIDO

  • Na máquina de lavar: podem ser colocadas junto com as roupas, utilizando-se sabão comum.
  • À mão: prepare uma solução alvejante (4 colheres de chá de água sanitária por litro de água), mergulhe a máscara nesta solução por 5 minutos e enxágue.
  • Deixe secar completamente a máscara, se possível sob a luz direta do sol, antes de utilizá-la.

5. Máscaras cirúrgicas

Este tipo de máscara pode proteger as pessoas saudáveis de serem infectadas (prevenção), bem como impedir aqueles que apresentam sintomas de infectar outras pessoas (controle de origem). 

As máscaras cirúrgicas são dispositivos regulamentados e classificados como EPIs.

 

5.1 QUEM DEVE USAR?

  • Dentro da Universidade: será exigido o uso de máscaras cirúrgicas por:

- Trabalhadores da área da Saúde (incluindo aqueles de empresas terceirizadas), durante todo seu turno, independentemente de estar sendo prestado atendimento direto a pacientes com COVID-19; 

- Alunos, docentes ou funcionários em laboratórios cujas práticas exijam seu uso; e

- Pessoas com sintomas sugestivos de COVID-19 durante o seu atendimento no CECOM.

  • Fora da Universidade: recomenda-se o uso por profissionais de saúde, pessoas com sintomas sugestivos de COVID-19 e por aquelas que cuidam de casos suspeitos ou confirmados de COVID-19. Quando não se pode garantir uma distância de pelo menos 1 metro de outras pessoas, e se os suprimentos forem adequados, também recomenda-se o uso de máscaras cirúrgicas por pessoas com 60 anos ou mais e pessoas de qualquer idade com problemas de saúde como doença respiratória crônica, doença cardiovascular, câncer, pacientes imunocomprometidos ou diabetes mellitus.

 

5.2 CUIDADOS ANTES, DURANTE E APÓS O USO

  • As mãos devem ser limpas com álcool a 70% ou água e sabão antes de colocar uma máscara limpa e depois de removê-la;
  • Coloque corretamente: Fixe as tiras ou o elástico no meio da cabeça e no pescoço; ajuste a tira flexível para a ponte do nariz, e ajuste de forma confortável para o rosto e abaixo do queixo, tentando minimizar os espaços entre o rosto e a máscara;
  • Evite tocar a máscara durante seu uso; se isto ocorrer, higienize suas mãos.
  • Troque sempre que estiver suja ou úmida; se remover a máscara para comer ou beber; ou ao cuidar de um paciente que necessite de precauções contra gotículas/contato por outros motivos (por ex., influenza), para evitar qualquer possibilidade de transmissão cruzada. 
  • Retire adequadamente: Remova as tiras ou elásticos sem tocar a parte frontal da máscara, pois está contaminada; incline o corpo para frente enquanto retira a máscara; descarte em uma lixeira, de preferência fechada; higiene suas mãos.
  • As máscaras cirúrgicas são descartáveis, não devendo ser reutilizadas.

 

6. Respiradores - máscaras n95, ffp2, ffp3

  • Estas máscaras são indicadas para o uso de profissionais de saúde em ambientes onde são realizados procedimentos geradores de aerossóis, como Unidades de Tratamento Intensivo e Semi-Intensivo. Considerar o uso também em ambientes onde possa haver grande circulação de pacientes com suspeita de Covid-19 ou doença confirmada, como as Unidades de Emergência.
  • São considerados pela OMS Procedimentos Geradores de Aerossóis: intubação traqueal, ventilação não invasiva, traqueostomia, ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação, broncoscopia, indução de escarro com solução salina hipertônica nebulizada, e procedimentos de autópsia. 

 

7. Sobre a transmissão aérea

  • Evidências científicas recentes sugerem que existe um potencial de propagação aérea da Covid-19. Isto significa que o vírus lançado no ar pelas pessoas infectadas pode conter micropartículas pequenas o suficiente para permanecerem no ar e viajar por dezenas de metros, representando um risco de exposição em distâncias superiores a 1 ou 2 metros entre as pessoas.
  • As medidas que devem ser tomadas para mitigar o risco de transmissão aérea incluem:
  • Fornecer ventilação suficiente e eficaz (abrir portas e janelas, realizar as atividades necessárias ao ar livre), particularmente em edifícios públicos, ambientes de trabalho, escolas, hospitais e lares de idosos;
  • Suplementar a ventilação geral com controles de infecção aérea, como exaustão local, filtragem de ar de alta eficiência e luzes ultravioletas germicidas; e
  • Evitar a superlotação, principalmente em transportes e edifícios públicos.

8. Considerações finais

  • Não relaxe pelo fato de estar usando máscara! 
  • O uso de máscaras deve ser considerado uma medida complementar, e não uma substituição ao cumprimento das demais medidas preventivas estabelecidas, a saber: distanciamento físico mínimo de 1 metro entre as pessoas; etiqueta respiratória; higiene meticulosa das mãos com água e sabão ou álcool a 70%; limpeza e desinfeção das superfícies frequentemente tocadas - mesas, maçanetas, interruptores de luz, bancadas, mesas, telefones, teclados, banheiros, torneiras, pias, etc. 
  • O uso de máscaras cirúrgicas pelos profissionais de saúde deve ter prioridade sobre o uso pela comunidade em geral.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1) WHO. Advice on the use of masks in the context of COVID-19. Interim guidance (5 June 2020). Disponível em:

https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/advice-for-public/when-and-how-to-use-masks. Acesso em 10 de julho de 2020.

2) WHO. Questions and Answers: Masks and Covid-19. https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/question-and-answers-hub/q-a-detail/q-a-on-covid-19-and-masks. Acesso em 10 de julho de 2020.

 

3)  Brasil. Ministério da Saúde. ANVISA. Orientações gerais – Máscaras faciais de uso não profissional. Disponível em:

http://portal.anvisa.gov.br/documents/219201/4340788/NT+M%C3%A1scaras.pdf/bf430184-8550-42cb-a975-1d5e1c5a10f7. Acesso em 11 de julho de 2020.

 

4) CDC. Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Considerations for Wearing Cloth Face Coverings. Disponível em:

https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/prevent-getting-sick/cloth-face-cover-guidance.html. Acesso em 11 de julho de 2020.

 

5) ECDC. Using Face Masks in the community - Reducing Covid-19 Transmission from potentially asymptomatic or pre-symptomatic people through the use of face masks. Disponível em:

https://www.ecdc.europa.eu/en/publications-data/using-face-masks-community-reducing-covid-19-transmission. Acesso em 10 de julho de 2020.

 

6) Morawska, L. & Milton, D. It is Time to Adress Airborne Transmission of COVID-19 Clin Infect Dis 2020 Jul 6; [Epub ahead of print]. Disponível em:

https://doi.org/10.1093/cid/ciaa939. Acesso em 11 de julho de 2020.

 

7) ABNT. Máscaras de proteção respiratória de uso não profissional Guia de requisitos básicos para métodos de ensaio, fabricação e uso. http://www.cvs.saude.sp.gov.br/up/Guia_0994632_ABNT_Pratica_Recomendada_para_Mascaras_de_Uso_Nao_Profissional_compressed%20(3).pdf