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Fapesp faz balanço e projeta futuro para pesquisas climáticas

Evento realizado na Unicamp trouxe um alerta feito pelo coordenador do Programa Mudanças Climáticas da Fundação, Luyiz Aragão

O planeta está muito próximo do ponto de transição – momento em que o sistema climático da Terra ultrapassa um limite crítico de aquecimento e sofre uma mudança irreversível – e isso precisa ser levado em conta pelos governantes no momento de tomar decisões.

Pessoa sentada em cadeira de couro preto em ambiente de conferência, vestindo blazer azul-marinho sobre camisa azul com crachá de identificação, posicionada diante de microfone com indicador luminoso vermelho, com painel de madeira clara ao fundo e cadeira vazia visível à direita.
O coordenador do Programa Mudanças Climáticas da Fapesp, Luiz Aragão: país deve focar na prevenção

O alerta foi feito nesta quarta-feira (23), na Unicamp, pelo coordenador do Programa Mudanças Climáticas da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Luiz Aragão, durante workshop em que a Fundação faz um balanço do programa e avalia tendências de futuro das pesquisas climáticas.

“Não há mais espaços para que a tomada de decisão seja realizada sem considerar os aspectos climáticos”, disse ele durante o evento no auditório do Instituto de Geociências (IG), que termina nesta quinta-feira (24).

“A mudança climática deve ser levada em conta na hora de estabelecer estratégias de prevenção, preparação, adaptação e mitigação dos efeitos extremos do clima, já que, até agora, a resposta tem sido apenas em relação aos danos causados, e não à prevenção”, reclamou. Para ele, é urgente que o país deixe de atuar apenas na resposta aos desastres e passe a focar na prevenção. Essa mudança, afirma, reduz prejuízos econômicos e garante a justiça climática, uma vez que as populações mais vulneráveis – como pequenos agricultores e habitantes de moradias inadequadas – são as que mais sofrem com os impactos extremos.

Para Aragão, a mudança climática já é realidade. “As evidências estão aí. E nem precisamos mais de modelos para demonstrar que a mudança já ocorre e afeta diversos setores econômicos do país”, afirmou. “Nos últimos meses, a temperatura dos oceanos e as temperaturas terrestres têm batido recordes – cerca de 0,7 ºC acima da média histórica. As tendências das temperaturas atuais devem ultrapassar 1,5 ºC – isso quer dizer que a gente está muito perto do ponto de transição”, afirma.

Pessoa sentada em cadeira preta estofada diante de uma mesa, usando camisa cinza claro com botões, falando ao microfone posicionado à sua frente, com uma garrafa de água com tampa azul ao lado, em ambiente de escritório com parede bege ao fundo.
O diretor executivo de Sustentabilidade da Unicamp, Roberto Donato: ações de extensão e inovação

Aragão lembrou que a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês) estima uma chance de 90% de o El Niño de 2026 se tornar “muito forte” e 69% de ser o mais intenso já registrado desde 1950.

Enfrentamento à mudança climática

Responsável pela Diretoria Executiva de Sustentabilidade (DExS) da Unicamp, o professor Roberto Donato avalia que, historicamente, a Fapesp tem priorizado estudos em certas áreas cruciais, como energia, agricultura, ações de mitigação e desmatamento de florestas. Para ele, o foco atual da ciência é avançar para além da geração de dados, contribuindo diretamente para a implementação de políticas públicas de enfrentamento à mudança climática. O grande desafio, diz ele, é garantir que as universidades e centros de pesquisa participem ativamente do processo de tomada de decisões e da execução dessas políticas.

Donato afirmou que a Unicamp tem participado ativamente desse processo por meio de ações de extensão e inovação. O diretor lembra que a Universidade está desenvolvendo uma política científica e tecnológica voltada para a sustentabilidade, tendo como destaque o HIDS (Hub Internacional de Desenvolvimento Sustentável), “planejado para ser uma plataforma de produção de soluções de inovação científica, tecnológica e social para o enfrentamento da crise climática”.

Foto de capa:

Auditório com painel frontal de madeira clara onde estão sentadas três pessoas, com um grande painel azul e preto ao fundo exibindo o logotipo e texto "FAPESP MUDANÇAS CLIMÁTICAS", bandeiras à esquerda, aproximadamente vinte pessoas sentadas em cadeiras azuis escuras de frente para o painel, equipamento de filmagem com tripé visível à direita, e à esquerda uma placa informativa azul, com iluminação de teto e ar-condicionado acoplado à parede branca.
Workshop promovido pela Fapesp fez um balanço do programa e avalia tendências de futuro das pesquisas climáticas
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