Pioneira nas pesquisas na educação física adaptada e aquelas relacionadas ao esporte paralímpico no Brasil, a Unicamp inaugurou uma nova fase na relação com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Na tarde desta terça-feira (15), o reitor Paulo Cesar Montagner recebeu representantes do CPB para o início de conversações que poderão, segundo ele, resultar em uma série de parcerias, em especial na área da inovação. O secretário-geral do CPB, Mizael, Conrado disse no encontro ver “muitas possibilidades de colaborações” e afirmou que o comitê conta com a participação da Universidade em alguns dos projetos estratégicos da entidade – da iniciação ao esporte de alto rendimento.
Conrado disse que o Comitê está interessado no desenvolvimento de novas tecnologias e no aprimoramento de equipamentos esportivos, de forma a torná-los mais baratos e acessíveis. O dirigente mencionou como exemplo a bola usada no futebol de 5 (deficientes visuais), que dispõe de um guizo e, por isso, tem preço relativamente elevado. “Imagine se houvesse um dispositivo que pudesse ser colocado na bola comum e permitisse que ela fosse usada tanto por atletas cegos quanto por pessoas que tenham visão”, ponderou.

“Há muitos casos de atletas que não conseguem evoluir nas provas de corrida por não terem guias [corredores sem deficiência visual que acompanham os paratletas]. Poderíamos pensar num robô-guia, por exemplo”, acrescentou.
A estratégia do CPB não passa, exclusivamente, pela introdução de novos equipamentos. “Se conseguirmos melhorar e baratear os existentes já seria muito bom”, disse o gerente de Desenvolvimento Esportivo do Comitê, João Casteleti. Segundo ele, é possível adaptar – ou criar – ferramentas que possam tornar os equipamentos mais acessíveis e, com isso, aumentar o número de pessoas com deficiência no país que possam praticar esporte.
Mizael Conrado disse que os projetos estratégicos do CPB foram definidos com base em seis pilares, entre os quais o desenvolvimento de um hub de inovação, para o qual a Universidade poderia contribuir. “A parceria entre Unicamp e CPB sempre existiu. A Universidade sempre contribuiu com o esporte paralímpico, e agora eu vejo uma oportunidade cristalina de a gente desenvolver uma grande parceria e fazer inovação”, afirmou. “A ideia é fazer uma parceria levando em conta a vocação das duas organizações e o desenvolvimento de soluções para o esporte em todas as suas dimensões.”
Também participaram do encontro o presidente do CPB, José Antônio Freire, o vice-presidente Yohansson Nascimento, o diretor técnico de Esportes de Alto Rendimento, Jonas Freire e a coordenadora da Academia Paralímpica Brasileira, Rosane Barros.

Pela Unicamp, participaram o diretor da Faculdade de Educação Física (FEF), João Borin, a diretora da FCA (Faculdade de Ciências Aplicadas), Milena Serafim, os professores Edison Duarte, Odilon Roble, Gabriella Andreta Figueiredo, Leandro Mazzei e Gonçalo Pereira, além do diretor da Agência de Inovação Inova Unicamp, Renato Lopes.
Ranking
Na última edição dos Jogos Paralímpicos de Verão, realizada em Paris, em 2024, o Brasil fez a melhor campanha de sua história e terminou em quinto lugar no quadro geral de medalhas. O plano, segundo os dirigentes, é consolidar o país como uma potência no esporte.
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