A Faculdade de Tecnologia (FT) da Unicamp, localizada no campus de Limeira, realizou nesta semana a segunda edição do workshop “Tendências e Inovação em Pesquisa e Pós-Graduação” e a “Mostra de Extensão da FT”. Os eventos tiveram o objetivo de promover discussões sobre pesquisa, inovação, pós-graduação, produção científica e extensão universitária. Na quarta-feira (9), a mesa de abertura das atividades contou com a presença do reitor Paulo Cesar Montagner e das pró-reitoras de Pesquisa, Ana Maria Fratini Fileti, e de Pós-Graduação, Claudia Morelli. O diretor da FT, Leonardo Bravo Roger, e a coordenadora de Pós-Graduação, Rosa Cristina Cecche Lintz, também participaram. O segundo dia do evento, quinta-feira (10), foi dedicado à extensão, com uma programação voltada à apresentação de projetos desenvolvidos por docentes da FT
Para iniciar as atividades, o ex-reitor da Unicamp e atual diretor administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Antonio José de Almeida Meirelles, proferiu uma palestra aos presentes.
De acordo com Daniele Ribeiro, assistente técnica de pós-graduação da FT, o evento surgiu a partir da proposta de integrar as áreas de pós-graduação, pesquisa e extensão. A primeira edição ocorreu no ano passado e, diante da boa participação, a programação foi ampliada neste ano, com o tema “Pesquisas que transformam a sociedade”.


Em sua fala de abertura, o reitor destacou a trajetória da Universidade na criação de novas estruturas, reorganização de cursos e estímulo à inovação. Entre os marcos citados está a transformação de antigos cursos em Faculdades de Tecnologia (FTs), processo que foi considerado fundamental para a configuração atual da Universidade. Montagner também destacou o crescimento do quadro docente, com um número recorde de contratações, próximo de 2 mil novos professores.
Outro destaque foi a inovação. Segundo dados apresentados, as “empresas-filhas” da Unicamp somam cerca de 1.600 unidades, responsáveis por aproximadamente 52 mil empregos diretos e faturamento estimado em R$ 28 bilhões.
O reitor defendeu ainda a ampliação da cooperação entre a Universidade, empresas e sociedade e citou discussões para a criação de um distrito de inovação em Piracicaba. Ao concluir, reforçou a necessidade de a Unicamp articular conhecimento, inovação e desenvolvimento regional para responder às transformações e às novas demandas da sociedade.
Parcerias
A contribuição da Unicamp para a produção científica e o desenvolvimento tecnológico foi destacada pela pró-reitora Ana Frattini durante a abertura do workshop. Ela ressaltou a importância da pesquisa produzida na Universidade, que responde atualmente por 7% dos artigos científicos publicados por autores brasileiros, o que representa entre 6 mil e 7 mil trabalhos por ano. Ela também chamou a atenção para a importância da captação de recursos e das parcerias com empresas. “Em 2024, cerca de um terço dos recursos extraorçamentários destinados à pesquisa teve origem no setor privado”, apontou a pró-reitora.

A aproximação entre pesquisa e sociedade também foi lembrada por Frattini. “A Universidade, hoje, mantém cerca de 1.300 patentes ativas e quase 300 contratos de transferência de tecnologia, com 25 a 30 novos contratos firmados anualmente”, informou. Ela também destacou a importância de eventos como o workshop para aproximar a comunidade universitária da administração e discutir os rumos da instituição. “Estamos abertos a escutar vocês”, completou.
Integração
A necessidade de ampliar o impacto do ensino, pesquisa e extensão junto à sociedade foi o ponto mencionado pela pró-reitora de Pós-Graduação, Cláudia Morelli. Para ela, o workshop da FT se diferenciou justamente por reunir as três áreas-fim da Universidade em um mesmo espaço de reflexão e diálogo. “A proposta [do evento] está alinhada a uma diretriz que vem sendo trabalhada na pós-graduação da Unicamp: estimular pesquisas capazes de produzir impactos concretos na sociedade. A interdisciplinaridade característica das áreas tecnológicas contribui para essa aproximação e para a construção de soluções com impacto social”, mencionou ela.
Outro ponto abordado foi o papel da Universidade diante de um período de rápidas transformações, entre elas o avanço da inteligência artificial. Na avaliação da pró-reitora, a Unicamp não deve apenas acompanhar ou utilizar ferramentas desenvolvidas por outros setores, mas também participar ativamente de sua criação e propor novas soluções. Morelli lembrou que cerca de 90% das pesquisas realizadas na Universidade têm origem na pós-graduação e defendeu a criação de ambientes acadêmicos que estimulem a curiosidade e a busca por novas ferramentas e conhecimentos. “Não [devemos] só utilizar aquelas que estão por aí”, afirmou, ao defender que estudantes e pesquisadores também sejam incentivados a propor e desenvolver novas tecnologias.

90 segundos
Os trabalhos desenvolvidos pelos docentes da FT foram apresentados em pôsteres, permitindo a divulgação de iniciativas realizadas em diferentes áreas. Entre as atividades estava o concurso Minha Pesquisa em 90 Segundos, destinado aos estudantes de pós-graduação. Nesta edição, foram produzidos 45 vídeos, nos quais os pesquisadores apresentam seus trabalhos de forma breve e acessível. O concurso prevê premiação para os três primeiros colocados, escolhidos por uma comissão técnica, além de uma votação popular.
A pós-graduação em Tecnologia da FT, coordenada pela professora Rosa Cristina Cecche Lintz, tem três áreas de concentração: Ambiente, Materiais e Sistemas de Informação. Atualmente, o programa possui 204 estudantes ativos e já formou 425 mestres e 125 doutores. O corpo docente é composto por 52 professores permanentes e 17 colaboradores, com formações em diferentes áreas do conhecimento, entre elas engenharia, biologia, farmácia e química. “A diversidade na formação de docentes e estudantes é uma das características que fortalecem o caráter interdisciplinar da pós-graduação. A produção acadêmica busca, entre outros objetivos, contribuir para a melhoria da qualidade de vida, subsidiar políticas públicas e contribuir para a formulação de leis, além de dialogar com os princípios do desenvolvimento sustentável. Essa diversidade também se reflete na origem dos estudantes, que vêm de diferentes regiões do Brasil e de outros países. A pluralidade amplia todas as possibilidades”, afirmou Lintz.
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