Lançado em 2020, o Fundo Patrimonial Lumina da Unicamp apresentou seus novos embaixadores em cerimônia realizada na noite desta quarta-feira (9) no Centro do Professor Visitante (CPV), no campus de Campinas. O grupo formado por empresários e professores terá como missão divulgar a Universidade e o trabalho realizado até aqui com os recursos arrecadados pelo fundo, criado pelo então reitor Marcelo Knobel.
O Lumina permite que alunos, ex-alunos, empresas, instituições públicas e a sociedade em geral apoiem a Universidade na formação de talentos, no desenvolvimento de pesquisas de qualidade e na realização de atividades de assistência e extensão. As doações são destinadas a financiar projetos nas áreas de pesquisa, ensino, extensão e inovação.



O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, lembrou ter dirigido a Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp) – órgão que hoje gerencia o fundo – entre 2010 e 2014, agradecendo aos novos embaixadores. “Muito obrigado por vocês representarem a Unicamp nos espaços que estiverem, em qualquer momento, em qualquer parte do mundo”, disse Montagner.
O diretor executivo da Funcamp, Orival Andries Jr, lembrou que o fundo patrimonial é uma ferramenta eficaz para reunir pessoas que possam colaborar para o desenvolvimento da universidade. “Sabemos que a universidade tem recursos limitados. E essa parceria com empresas privadas pode trazer bons frutos. Não apenas em relação a finanças, mas também pode abrir um processo de desenvolvimento de pesquisa, de ensino”, disse ele.
O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, lembra que o conceito do fundo patrimonial ainda não está disseminado pelas universidades brasileiras, mas aposta no modelo. “Trata-se de um mecanismo eficiente para que a Universidade possa vislumbrar outras formas de financiamento, que podem impulsionar uma série de atividades”, disse Coelho.

Professor titular do Instituto de Física da Unicamp (IFGW), reitor da Unicamp no período de 2017 a 2021 e criador do Lumina, Marcelo Knobel disse, num depoimento em vídeo, que “a ideia principal do fundo é diversificar as possibilidades de filantropia; de conseguir um apoio da comunidade, dos ex-alunos, da comunidade de Campinas e do Brasil e do mundo, que tenham a possibilidade de apoiar a Unicamp a longo prazo”.
Diretor Sênior de Relações Governamentais para a América Latina da empresa norte-americana Qualcomm, o membro do Conselho Gestor do Lumina Maximiliano Martinhão disse que grandes transformações não acontecem de forma isolada. “Elas nascem da capacidade de aproximar pessoas, instituições e ideias que compartilham uma mesma visão de futuro”, afirmou. “E é justamente por isso que acreditamos na importância das parcerias estratégicas. Contribuir para o Lumina significa investir nesse potencial inicial transformador”, acrescentou.
A Qualcomm é dirigida pelo brasileiro Cristiano Amon, que foi estudante da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp. Ele doou recursos para o oferecimento de bolsas de estudos a meninas estudantes da área de Exatas.

Um dos embaixadores, o presidente da holding Companhia DPaschoal de Participações, Luiz Norberto Pascoal, alerta que muitas empresas estão enfrentando um momento difícil, mas avalia que contribuições e parcerias são construídas a partir de uma ideia. Para ele, é muito importante a Universidade fazer o movimento de aproximação com as empresas. “Mas essa aproximação tem de vir acompanhada de uma ideia”, alertou.
Referência
O Lumina tem como referências outras iniciativas bem-sucedidas no mundo, como os fundos de Harvard, Princeton, Cambridge, Oxford e Stanford. Os chamados endowments (fundos patrimoniais) são considerados uma estrutura de sustentabilidade financeira de longo prazo, pois asseguram a perenidade no financiamento dos projetos que motivaram as doações, como os desenvolvidos pelas Universidades.
O caso mais famoso é o endowment da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Criado em 1974, conta com um patrimônio de US$ 39,2 bilhões. Cerca de 35% dos recursos das Universidades norte-americanas, por exemplo, são provenientes dos fundos patrimoniais criados a partir de doações.
Confira a lista de embaixadores
Marcelo Souza e Castro, professor associado da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp
Renato da Rocha Lopes, professor associado da Faculdade de Engenharia Elétrica e da Computação (FEEC) da Unicamp
Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp
Itala Maria Loffredo D’Ottaviano, professora sênior do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp
Eduardo José Ferreira Coelho, engenheiro civil e ex-reitor da PUC-Campinas
Luiz Norberto Pascoal, empresário
Talita Azevedo, mestranda em Política Científica e Tecnológica na Unicamp e executiva da Adobe para América Latina
Anderson de Rezende Rocha, professor do Instituto de Computação (IC) da Unicamp
Otávio Rizzi Coelho, professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp
Álvaro Penteado Crósta, professor emérito da Unicamp
Foto de capa:
