O Comitê de Governança de Dados da Unicamp acaba de publicar uma deliberação determinando a inclusão de campos relacionados à identidade de gênero e ao pronome de tratamento nos sistemas institucionais que abrangem documentos, registros e ações da vida funcional e acadêmica da Universidade.
Segundo a coordenadora da Divisão de Dados e Informações da Coordenadoria Geral da Universidade (CGU), Silviane Duarte Rodrigues, a ideia é padronizar os procedimentos para identificação de gênero e pronome que já foram adotados pela Diretoria Acadêmica (DAC) e pela Escola de Extensão da Unicamp (Extecamp) e estão sendo implementados pela Diretoria Geral de Recursos Humanos (DGRH). Com isso, diz Rodrigues, a Universidade promove a integração segura e padronizada desses dados nos cadastros institucionais. “Vamos coletar esses dados e utilizá-los para composição de indicadores, subsídio de análises e formulação de políticas institucionais”, explica a coordenadora.

“Essa medida é importante sob duas perspectivas: técnica, ao promover a padronização e a consistência dos dados em todas as bases institucionais, e humana, ao contribuir para que todas as pessoas se sintam reconhecidas, respeitadas e acolhidas na Universidade”, complementa a assessora docente Priscila Rampazzo.
Em diplomas e históricos escolares, o nome civil já é mencionado. É colocado no verso e ao final do documento, como observação. No caso de teses e dissertações, as versões finais são publicadas apenas com o nome social.
Avanço civilizatório
O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, diz que a medida “é um avanço civilizatório”. Para ele, a medida transforma o campus em um ambiente mais acolhedor. “Isto, antes de tudo, é cidadania. Uma demonstração de respeito pelo próximo”, disse. “As pessoas não são iguais. Não se pode querer que todo mundo caiba dentro de uma mesma caixinha. Acho que temos que trabalhar com a ideia: se você quer ser tratado desse jeito, iremos tratá-lo desse jeito”, resume o coordenador-geral.

Nome social
A instituição do nome social em documentos oficiais foi definida na Unicamp em 2020 e assegura o direito de alunos, professores e funcionários travestis e transexuais de utilizarem seus nomes sociais em documentos da Universidade. Também foram beneficiados pela medida candidatos inscritos em concursos públicos e processos seletivos organizados pela Unicamp. No caso do vestibular, o nome social vem sendo permitido desde a edição de 2016.
Padronização
A deliberação do Comitê de Governança de Dados (CGD) estabelece a padronização dos campos a serem implementados nos sistemas institucionais para registro de dados relacionados à identidade de gênero e ao pronome de tratamento. São eles: mulher cisgênero, homem cisgênero, mulher trans, homem trans/transmasculino, travesti e pessoa não binária\agênero.
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Acesse a íntegra da Deliberação CGD01/2026: