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Cerimônia lembra o centenário de nascimento do físico Sérgio Porto

Cientista é considerado um dos nomes mais importantes da física brasileira no século 20

O centenário de nascimento do físico Sérgio Pereira da Silva Porto foi celebrado de forma especial nesta sexta-feira (14), no Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp. Em uma cerimônia carregada de simbolismo, o evento reuniu alunos do 5º ano da Escola Estadual Físico Sérgio Pereira Porto, localizada no campus da universidade desde o início dos anos 1980,  ex-alunos e ex-orientandos do cientista, considerado um dos nomes mais importantes da física brasileira no século 20 e fundador do Departamento de Eletrônica Quântica do instituto.

Num jogral, as crianças relembraram a trajetória do físico, pioneiro no desenvolvimento da espectroscopia Raman com laser – técnica que utiliza a luz para identificar a composição molecular de materiais. Em seguida, os professores aposentados Marco Antônio Scarparo, José Carlos Valadão e Elza da Costa Cruz Vasconcelos resgataram histórias de sua convivência com Porto como professor, orientador e amigo.

Quatro pessoas estão sentadas atrás de uma mesa branca coberta com flores verdes e brancas, em frente a uma audiência parcialmente visível, com três bandeiras (branca, verde e amarela, e vermelha com branco) penduradas ao fundo, enquanto uma tela de projeção exibe uma imagem em preto e branco de duas pessoas em ambiente interno, e a pessoa segunda da esquerda segura um microfone próximo à boca.
A cerimônia em homenagem ao físico Sérgio Porto foi carregada de simbolismo

A homenagem contou ainda com o descerramento de duas placas: uma a ser instalada no Departamento de Eletrônica Quântica e outra que oficializa o físico como patrono da escola estadual, que também vai receber uma exposição dedicada à sua trajetória científica e acadêmica.

 “Foi um cientista essencial para a nossa universidade e um dos grandes do século 20”, disse o reitor da Unicamp, professor Paulo Cesar Montagner. “Era um homem muito à frente de seu tempo. Não queria saber apenas o que a ciência poderia explicar, mas queria saber, principalmente, o quanto a ciência poderia transformar”, acrescentou.

O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, lembrou que Porto esteve entre os fundadores da Unicamp. “Ele chegou e trouxe com ele um grupo de pessoas que transformou a Unicamp no que ela é hoje, uma universidade reconhecida no Brasil e no mundo”, disse.

O diretor do IFGW, Marcos César de Oliveira, argumentou que a memória de Porto deve ser preservada, pois trata-se de um cientista que ajudou a construir a história do Instituto de Física. “A biografia de Porto se confunde com a história da ciência na Unicamp”, disse. “Ele mostrou que seria possível fazer ciência internacional. Ajudou-nos a pensar grande quando havia muito pouco”, acrescentou.

O diretor-adjunto do IFGW, Lázaro Padilha, disse que o legado de Porto não se restringiu à Unicamp. Para ele, Sérgio Porto ajudou a consolidar a região de Campinas como polo tecnológico.

Um vídeo produzido pelo Instituto mostrou depoimentos de professores e estudantes, além de fotos da vida e da pesquisa de Sérgio Porto.

Trajetória

Sérgio Porto nasceu em 19 de janeiro de 1926, em Niterói (RJ). Filho de pescadores, formou-se em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1947.

Em seguida, passou pela Universidade Johns Hopkins (Baltimore, EUA), onde recebeu o título de doutor por seu trabalho sobre espectros de moléculas H2 e H2O.

Em 1954,  voltou ao Brasil como docente do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ali, auxiliou na construção de instrumentos de eletroscopia para estudos com radiação infravermelha, incluindo um instrumento com rede de alta resolução.

Grupo de pessoas sentadas de costas observando uma projeção em tela branca que exibe uma fotografia em preto e branco de uma pessoa de meia-idade inclinada sobre componentes mecânicos, em ambiente de sala de aula ou auditório com iluminação fluorescente e câmera de vídeo suspensa no teto.

Em 1960, retornou aos EUA para atuar como supervisor nos prestigiados laboratórios Bell, em Nova Jersey. A tecnologia laser acabara de nascer, e Porto pôde acompanhar os avanços mundiais na área.

Em 1967, aceitou o convite para ser professor de Física e Engenharia Elétrica na Universidade do Sul da Califórnia, prosseguindo com sua pesquisa e tornando-se uma das figuras mais renomadas nos campos de eletrônica quântica e espelhamento de luz. Contudo, mesmo fora do Brasil, jamais se esqueceu suas origens, auxiliando muitos estudantes talentosos da América Latina, principalmente do Brasil, o que levou os membros da Universidade do Sul da Califórnia a criarem uma bolsa em seu nome.

Em 1972, Porto aceita o convite do reitor Zeferino Vaz e se transfere para o IFGW para lecionar a disciplina Física do Estado Sólido. Em 1973, lidera um grupo de pesquisadores com visitas a firmar o estudo de lasers e suas aplicações como um vigoroso campo de pesquisa. No ano seguinte, funda o Departamento de Eletrônica Quântica do Instituto de Física da Unicamp.

Membro da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Americana de Física, entre outras honrarias, Porto morreu vítima de um infarto em 1979, em Novosibirsk (Rússia), aonde viajara para proferir uma palestra.

Foto de capa:

Quatro pessoas em trajes formais pretos e azuis manipulam um documento branco junto a cadeiras de madeira clara em um ambiente interior com parede branca e painel de vidro ao fundo.
A homenagem contou ainda com o descerramento de duas placas
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