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Seminário na FCM debate desafios das migrações internacionais e indígenas para as políticas públicas

Objetivo é fortalecer o diálogo entre a Universidade e o poder público para qualificar ações voltadas às populações em situação de mobilidade

A Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp promove, nesta quarta e quinta-feira (dias 5 e 6), o seminário “Os processos de migração internacional e indígena no Brasil: desafios para as Políticas Públicas”. O evento é organizado pelo projeto de pesquisa Margens e Veredas, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade, em parceria com o Centro de Referência ao Imigrante, Refugiado e Apátrida (Scrira), da Prefeitura de Campinas, e com a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O encontro reúne pesquisadores, gestores públicos, organismos internacionais, profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social, além de representantes de comunidades migrantes e indígenas. O objetivo é fortalecer o diálogo entre a Universidade e o poder público para qualificar as políticas voltadas às populações em situação de mobilidade.

O diretor da FCM, Erich Vinicius de Paula, acredita que sediar iniciativas como essa reforça o compromisso da Universidade com um dos principais desafios contemporâneos. “Um encontro como esse pode gerar impactos concretos na construção de políticas e no fortalecimento das ações da Universidade voltadas à população migrante”, diz.

Do Departamento de Saúde Coletiva da FCM, o sociólogo Rafael Afonso da Silva destacou que o encontro representa um marco para Campinas ao criar um espaço de formação voltado aos profissionais que atuam diretamente com populações migrantes. Segundo ele, o município abriga comunidades expressivas de haitianos, venezuelanos e indígenas do povo Warao, também da Venezuela, o que exige políticas públicas mais sensíveis às especificidades culturais, sociais e linguísticas desses grupos.

“É preciso reconhecer essas presenças e adaptar as políticas públicas às necessidades específicas dessas comunidades. Muitas vezes, os modelos tradicionais de atendimento não conseguem contemplar essa diversidade”, afirma Silva. Ele ressalta ainda que, embora o seminário tenha como ponto de partida a realidade de Campinas, as discussões dialogam com um fenômeno global.

Auditório de evento com painelistas sentados no palco em frente a uma tela de projeção exibindo o texto "Os processos de migração internacional e indígena no Brasil: desafios para as políticas públicas — Auditório FCM UNICAMP | 05/08/2026", com uma pessoa na tribuna à direita e plateia parcialmente ocupada nas cadeiras numeradas.
Seminário acontece nesta quarta e quinta-feira, no auditório da FCM

Para o docente, a Universidade desempenha um papel estratégico ao aproximar a produção acadêmica das demandas da sociedade. “A Universidade precisa cumprir sua função extensionista, fortalecer sua articulação com as comunidades e contribuir para dar visibilidade aos desafios enfrentados pelas populações migrantes”, argumenta.

Construção

Integrante da comissão organizadora, a professora Daniele Sacardo explica que a principal proposta do seminário é fortalecer uma rede intersetorial para qualificar o atendimento às comunidades migrantes e indígenas, a princípio, de Campinas e região. “A participação das próprias comunidades é indispensável para a construção de políticas públicas mais efetivas. Não estamos falando apenas de números, mas de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, que enfrentam barreiras linguísticas, culturais e sociais. Precisamos aprender com essas comunidades para produzir políticas públicas mais humanizadas e respeitosas”, destaca ela, reforçando também o compromisso institucional da Unicamp com a temática, por meio do apoio a projetos de pesquisa e extensão dedicados às migrações e à promoção dos direitos humanos.

Representante do Centro de Referência ao Imigrante, Refugiado e Apátrida da Prefeitura de Campinas, o assistente social Flávio Rodrigo diz esperar que o encontro contribua para a criação de um programa permanente de capacitação dos trabalhadores que atuam no atendimento à população migrante. “Campinas se consolidou, nas últimas décadas, como um importante polo de acolhimento de migrantes nacionais e internacionais. Atualmente, estima-se que cerca de 10 mil imigrantes, refugiados e apátridas vivam no município, entre eles venezuelanos, haitianos, cubanos e colombianos”, informa Rodrigo.

O assistente social lembra ainda que o Centro de Referência completa dez anos de atuação em 2026, defendendo políticas públicas que priorizam a dignidade das pessoas antes de qualquer classificação migratória. “No campo dos direitos humanos, trabalhamos primeiro com pessoas. No caso dos povos indígenas, é necessário compreender que as fronteiras nacionais nem sempre correspondem às formas como esses povos entendem seus próprios territórios e suas relações sociais.”

Kaingang

Luiz Carlos Batarse é coordenador distrital de Saúde Indígena da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde e pertence ao povo Kaingang, que habita os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “Este evento amplia o debate sobre saúde indígena e outras questões que afetam essas populações, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. O papel da Unicamp ao dar visibilidade a temas que, muitas vezes, permanecem restritos aos territórios indígenas dá relevância a essas pautas e fortalece o diálogo entre a academia, o poder público e os povos indígenas”, afirmou.

Foto de capa:

Oito pessoas sentadas em cadeiras dispostas em linha em um palco de madeira, com um telão ao fundo exibindo o título "Os processos de migração internacional e indígena no Brasil: desafios para as políticas públicas" com data "AUDITÓRIO FCM UNICAMP | 05/08/2026" e ilustração de perfis coloridos, em um auditório com colunas arquitetônicas e iluminação clara.
O encontro reúne pesquisadores, gestores públicos, organismos internacionais, profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social, além de representantes de comunidades migrantes e indígenas
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