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Diretoria de Relações Internacionais organiza palestras sobre história e cultura do Brasil para intercambistas

Proposta é apresentar o país a partir de diferentes áreas do conhecimento; projeto-piloto para curso em 2027

A Diretoria Executiva de Relações Internacionais (Deri) da Unicamp prepara uma série de cinco palestras voltadas aos 194 estudantes estrangeiros intercambistas que frequentam a Universidade. A proposta é apresentar o Brasil a partir de diferentes áreas e ampliar o conhecimento dos participantes sobre a história, cultura e a sociedade brasileiras. A iniciativa é um teste para a criação de uma disciplina nesses moldes, a ser ofertada no primeiro semestre de 2027 para os alunos estrangeiros. O primeiro encontro está marcado para o próximo dia 10 de agosto, a partir das 10h, no auditório da Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho (Bora).

Inicialmente estruturada em dois eixos – Histórico e Cultural – a iniciativa é pela servidora da Deri Jamilly Santos. Segundo ela, o projeto também deverá incorporar conteúdos relacionados à ciência e à tecnologia. A proposta busca oferecer aos estudantes uma visão mais ampla do país e contribuir para superar estereótipos que frequentemente acompanham a percepção de quem chega de fora. “É uma forma de acolhimento também. A expectativa é que, ao conhecer melhor o país em que estão estudando, os intercambistas possam aproveitar de maneira mais completa a experiência acadêmica e cultural”, explica a servidora que atua com mobilidade estudantil na Deri.

No eixo histórico, estão previstos conteúdos sobre colonização, ditadura militar e história contemporânea. Já o eixo cultural parte de questões mais amplas como: “O que é cultura?”, que aborda literatura, música e cinema brasileiros. O projeto ainda pretende apresentar aos estudantes a produção científica nacional e destacar a qualidade da pesquisa desenvolvida na Unicamp. “Para isso, os encontros deverão contar com pesquisadores de diferentes áreas, incluindo estudantes de doutorado e pós-doutorado, além de professores e outros pesquisadores da Universidade”, detalha Santos.

Infográfico com título em português "Atual lista de alunos intercambistas e seus países de origem" apresentando dois personagens ilustrados à esquerda (uma pessoa em camiseta vermelha com mochila e uma criança em camiseta verde segurando um livro) e um gráfico de barras horizontal à direita listando 25 países com suas respectivas bandeiras e quantidades de alunos, sendo Peru o país com maior representação (36 alunos), seguido por Colômbia (29), França (20), Rússia (16), Brasil (13), China (11), Japão (10), Argentina (9), Alemanha e Espanha (7 cada), Chile (6), Itália (4), Angola, Bolívia, Equador e Reino Unido (3 cada), Haiti, Paraguai e Uzbequistão (2 cada), e Costa Rica e Cuba (1 cada), com barras coloridas em amarelo, azul e tons de vermelho e verde correspondentes às cores das bandeiras de cada nação.

Projeto-piloto

Os encontros funcionarão como um projeto-piloto para identificar dificuldades e possibilidades antes da implantação de uma disciplina. A experiência das cinco palestras será utilizada para avaliar o formato e aperfeiçoar a proposta antes de sua possível transformação. O trabalho é coordenado pelos professores Rafael de Brito Dias, Heloísa Garcia Claro Fernandes e Luana Mattos de Oliveira Cruz. “Esse esforço se soma a outras iniciativas que a Deri tem desenvolvido, no sentido de oferecer um acolhimento ainda mais atento aos intercambistas que nos visitam, contribuindo para que tenham um melhor aproveitamento do período de intercâmbio e para que levem consigo boas lembranças de sua passagem pela Unicamp”, afirma Dias.

Os encontros serão realizados a cada três semanas, em horários variados. “A estratégia busca ampliar as possibilidades de participação dos estudantes, considerando que eles também estarão matriculados em outras disciplinas. O auditório reservado tem capacidade para 60 pessoas, e a expectativa inicial é reunir cerca de 30 participantes por encontro”, espera a organizadora.

As palestras estão sendo organizadas inicialmente em inglês, uma escolha relacionada às dificuldades linguísticas enfrentadas pelos estudantes internacionais ao chegar à Unicamp. Santos explica, contudo, que a maioria dos intercambistas é formada por estudantes hispanofalantes. A proposta, então, é que a futura disciplina possa combinar inglês e espanhol, ampliando o acesso ao conteúdo.

Garantia

A criação da futura disciplina também responde a uma questão prática enfrentada no processo de intercâmbio. Como a seleção dos estudantes ocorre antes da abertura do período regular de inscrição em disciplinas, muitas vezes eles precisam escolher atividades com base na oferta do ano anterior. “Isso pode gerar incompatibilidades e até dificultar a obtenção da carta de aceite necessária para o processo de intercâmbio”, explica Santos.

A nova disciplina pretende, assim, oferecer uma opção previamente garantida aos intercambistas, funcionando como uma espécie de porta de entrada acadêmica e cultural para quem chega à Unicamp. A expectativa é que os próprios estudantes se tornem multiplicadores dessa experiência ao retornarem a seus países de origem, levando uma visão mais diversa e aprofundada sobre o Brasil.

Três cenas justapostas: à esquerda, pessoa com camiseta branca em close-up; ao centro, pessoa de costas usando camiseta branca com brasão circular amarelo e azul, em pé em espaço interno com piso escuro e paredes de tijolos, cercada por outras pessoas sentadas; à direita, grupo de pessoas em pé ao redor de mesa coberta com toalha branca contendo diversos pratos com alimentos, com pessoa ao centro usando camisa azul listrada e pessoa à direita em camiseta azul royal.
A cada semestre a Universidade recebe os estudantes intercambistas com uma série de atividades; o primeiro encontro do projeto-piloto está marcado para o próximo dia 10 de agosto

Confira a programação:

1. Compreendendo o Brasil por meio de seu passado: raça e República no Brasil

10 de agosto, 10h-12h

Local: Auditório BORA

A palestra toma dois momentos fundamentais da história brasileira – a Abolição da Escravidão e a Proclamação da República – como ponto de partida para analisar os processos históricos que contribuíram para a consolidação das desigualdades raciais e para a permanência de estruturas de exclusão e violência no país. Matheus Gato é professor do IFCH da Unicamp.

2. Quantas línguas se falam no Brasil?

17 de setembro, 14h-16h

Local: Auditório BORA

A palestra propõe uma reflexão sobre a formação do português brasileiro a partir de sua relação com a diversidade linguística do país e com os processos históricos que moldaram seu desenvolvimento. Layne Gabriele da Silva é mestranda no IEL da Unicamp.

3. “Lá vem a história”: explorando uma literatura brasileira que sonha, escreve e resiste

6 de outubro, 14h-16h

Local: Auditório BORA

A história da literatura brasileira será apresentada por meio de obras clássicas e de produções contemporâneas que evidenciam a riqueza da ficção nacional, ao mesmo tempo em que refletem sobre cultura, memória e identidade. Gabriela da Costa Silva é doutoranda em Sociologia no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Unicamp.

4. Cinema brasileiro: uma introdução

4 de novembro, 13h-15h

Local: Auditório BORA

A aula apresenta uma introdução à história do cinema brasileiro por meio de uma cronologia comentada, destacando seus principais momentos de transformação e alguns dos filmes mais importantes produzidos no país. Alfredo Suppia é professor de Cinema e Audiovisual da Unicamp.

5. Os muitos sons do Brasil: uma introdução à música popular brasileira

17 de novembro, 13h-15h

Local: Auditório BORA

Esta palestra propõe uma reflexão crítica sobre essas representações, examinando como determinados gêneros musicais e símbolos culturais passaram a ocupar um lugar central na construção da identidade musical do país. Suzel Ana Reily é professora no Departamento de Música do Instituto de Artes da Unicamp.

Fonte: Deri

Foto de capa:

Múltiplos passaportes azul-marinho com logotipo "UNICAMP" e símbolo de flor branca posicionados sobre um padrão de bandeiras coloridas de diferentes países africanos, incluindo verde, amarelo, vermelho, azul e preto com símbolos variados como estrelas e crescentes.
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