A Unicamp, por meio de sua Agência de Inovação Inova Unicamp, foi classificada pela segunda vez consecutiva em primeiro lugar na etapa regional (região Sudeste) e na modalidade “Patente Concedida ou Pedido de Patente” do Prêmio Fortec de Inovação, organizado pelo Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec). Em 2026, a premiação reconheceu o conjunto de patentes da nanoimunoterapia OncoTherad, tecnologia brasileira, com 100% de titularidade de uma universidade pública.
O OncoTherad é um tratamento para o sétimo tipo de câncer mais comumentre homens brasileiros, o câncer de bexiga, segundo classificação do Ministério da Saúde. A tecnologia foi desenvolvida no Instituto de Biologia (IB) da Universidade. A terapia é utilizada em pacientes que possuem a doença em estágio não músculo-invasivo e que não respondem à alternativa mais comum – que usa o Bacillus Calmette-Guérin, popularmente conhecido como BCG.
Na imunoterapia patenteada, uma nanoestrutura atua como um veículo capaz de transportar para dentro do organismo um composto que bloqueia a enzima responsável por dificultar o reconhecimento do tumor pelas defesas naturais do corpo. Ao mesmo tempo, a tecnologia exerce um papel duplo: desperta e estimula o sistema imunológico, ampliando sua capacidade de identificar e atacar as células doentes, o que fortalece a resposta do organismo no combate ao câncer.
A tecnologia reúne, hoje, um portfólio robusto de propriedade intelectual, com uma patente concedida no Brasil, quatro nos Estados Unidos e duas na Europa, além de ser marca registrada da Unicamp. A nanoimunoterapia é fruto de anos de pesquisa translacional liderada pelo professor Wagner José Fávaro, do IB, e pelo pesquisador do mesmo Instituto João Carlos Alonso. A etapa clínica do estudo tem a colaboração de hospitais, municípios e institutos parceiros, entre eles o Hospital Municipal de Paulínia, o Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí, as cidades de Pedreira e Leme, e o Instituto ISA.
O reconhecimento pela premiação também está relacionado à atuação da Inova Unicamp na gestão da propriedade intelectual. A Agência acompanhou o desenvolvimento da tecnologia desde a proteção dos resultados de pesquisa até a construção de instrumentos institucionais que sustentassem o acesso ao mercado. Um desses instrumentos foi a reestruturação de uma política que passou a permitir que docentes da Unicamp atuem como sócios não administradores de empresas spin-offs acadêmicas, para acelerar o nível de prontidão tecnológica (do inglês, TRL) de patentes como as de medicamentos, que possuem um longo desenvolvimento.
“A atuação da Inova Unicamp foi primordial em toda a trajetória do OncoTherad, da proteção das patentes no Brasil e no exterior até a construção de instrumentos institucionais, como a política de participação societária de docentes em spin-offs, fundamentais para transformar pesquisa translacional em tecnologia com impacto real na vida dos pacientes”, diz Iara Regina da Silva Ferreira, coordenadora de negócios e inovação na Inova Unicamp, área responsável pela proteção da propriedade intelectual e transferência de tecnologia na Unicamp.
A conquista no Prêmio Fortec Sudeste, segundo Ferreira, reflete o “amadurecimento do ciclo de inovação da Unicamp, que integra pesquisa científica de ponta, proteção estratégica da propriedade intelectual e instrumentos de fomento ao empreendedorismo por meios de empresas spin-offs”. O caso também evidencia o papel do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade, exercido pela Inova Unicamp, na transferência de tecnologias com alto potencial de impacto na sociedade até seu reconhecimento nacional e internacional e sua absorção pelo mercado.
Sobre a Inova Unicamp
A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Unicamp e atende a todos os campi. A Inova Unicamp nasceu em 2003, um ano antes de a Lei nº 10.973/2004 (Lei de Inovação) — posteriormente atualizada pelo Marco Legal (Lei nº 13.243/2016) — determinar a criação dos NITs (estruturas obrigatórias em Instituições Científicas e Tecnológicas-ICTs públicas brasileiras).
Matéria publicada originalmente no site da Inova Unicamp.
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