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Ciência & Arte no Inverno aproxima estudantes da rede pública da vida universitária

Programa reúne 93 alunos de 32 escolas municipais de Campinas em uma semana de oficinas na Unicamp

Antes de entrar em um laboratório, observar uma célula ao microscópio ou descobrir como funciona uma impressora 3D, 93 estudantes do 8º e 9º anos do ensino fundamental de 32 escolas públicas municipais de Campinas deram o primeiro passo em uma experiência que pode mudar a forma como enxergam a universidade e inspirá-los a buscar um futuro no ensino superior. Participantes da 8ª edição do Ciência & Arte nas Férias de Inverno (Cafin), os alunos iniciaram nesta segunda-feira (13) uma semana de atividades pensadas para despertar novos interesses e aproximá-los da vida universitária.

Uma realização da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), em parceria com a Secretaria de Educação da Prefeitura de Campinas, o programa oferece aos participantes a oportunidade de conhecer diferentes áreas do conhecimento por meio de oficinas conduzidas por professores da Unicamp. Na abertura do evento, a pró-reitora de Pesquisa, Ana Frattini, destacou que o programa foi pensado para despertar a curiosidade dos estudantes e ampliar seus horizontes em um momento importante da vida escolar.

“O evento é uma oportunidade para que eles descubram o universo acadêmico, conheçam as pesquisas e as atividades artísticas desenvolvidas na Unicamp e possam identificar aquilo de que gostam. Queremos que olhem para o futuro e se sintam convidados a estudar aqui. Hoje, mais de 50% dos nossos estudantes vieram de escolas públicas, então, esse é um caminho possível para eles”, ressaltou.

Segundo Frattini, as oficinas são renovadas a cada edição para oferecer experiências variadas aos participantes. “O objetivo é que eles aproveitem essa experiência e levem para suas escolas um pouco do que viram e aprenderam.”

Responsável pela organização da participação de estudantes da rede municipal no programa, o professor Fernando Martins ressaltou que a semana representa também uma oportunidade de convivência e de descoberta. “É muito especial poder conhecer a universidade, as pessoas, almoçar no bandejão, visitar os laboratórios e conhecer pesquisas desenvolvidas aqui. Falo para eles que vivam intensamente essa experiência, que aproveitem para fazer perguntas, conversar com quem estuda e trabalha na Unicamp.”

Além das oficinas, o projeto conta com a atuação de estudantes da Unicamp como monitores. Quem acompanha os alunos de perto também enxerga no evento uma oportunidade de transformação. Doutorando na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e monitor do programa pelo quarto ano consecutivo, o biólogo Lucas Buscaratti afirma que se sente motivado pelo contato entre a escola pública e a universidade. “Ver estudantes da escola pública dentro da universidade é muito importante para mim. Muitos deles nunca tiveram contato com esse ambiente, assim como eu também não tive. O brilho no olhar deles é o que me faz voltar todos os anos. É uma semana muito intensa, que deixa saudade. Mas fica a expectativa de que eles voltem no futuro como estudantes da Unicamp.”

Estudante do primeiro ano do curso de graduação em Fonoaudiologia, Isabelle Belarmino da Silva participa do projeto pela primeira vez como monitora. Ex-aluna do Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis), ela acredita que compartilhar sua trajetória pode ajudar os participantes a enxergar novas possibilidades. “Poder contar um pouco da minha história e mostrar como é a vida na universidade é muito especial. Espero que eles saiam daqui animados para continuar estudando e acreditando que esse caminho também pode ser deles.”

Entre os estudantes, a expectativa é aproveitar a semana ao máximo. Michelle Mateus Ferreira, da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Professora Maria de Fátima Faria Área, visita a Unicamp pela primeira vez e espera conhecer melhor a universidade ao longo da semana. “Estou muito animada para participar das oficinas”, contou.

Já Maria Luiza Amarante Pedro, da Emef Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, que já visitou a Unicamp com o projeto musical Primeira Nota, deseja conhecer melhor a universidade. “Quero aproveitar essa nova oportunidade para explorar mais o campus.”

A programação do Ciência & Arte no Inverno começou com uma oficina de exploração do microscópio, com o professor Danilo Ciccone Miguel, do Instituto de Biologia (IB). Nesta terça-feira, de manhã, entram em cena a ciência e a arte com impressão 3D, oficina coordenada pelo professor José Luiz Dávila Sánchez, da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM); no período da tarde, o tema é a atração dos ímãs, com a professora Fanny Béron, do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW).

Na quarta-feira de manhã, a professora Juliana Fracarolli, da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), ministra uma oficina sobre análise e processamento de morangos e, à tarde, o tema será a anatomia do corpo humano quando se pratica corrida, com o professor Paulo Henrique Caria, do IB.

Na quinta-feira, a oficina da manhã aborda resistência, antirracismo e desigualdade, com o professor Guilherme Jotto Kawachi, do Centro de Ensino de Línguas (CEL). No período da tarde, o professor Gildo Girotto Júnior, do Instituto de Química (IQ), ministra uma oficina sobre cores da natureza, tratando de pigmentos naturais e corantes. A programação termina na sexta-feira com uma oficina sobre arquitetura da natureza e o conceito das “cidades-esponja”, com a professora Michela Borges, do IB, antes da solenidade de encerramento e entrega de certificados.

Foto de capa:

Pessoa em pé à esquerda segurando microfone diante de plateia sentada em auditório com paredes de tijolos à vista, apresentando em tela de projeção imagem com guarda-chuva rosa, nuvens brancas e texto "ciência&arte inverno 2026", enquanto público diverso observa a apresentação.
Participantes da 8ª edição do Ciência & Arte nas Férias de Inverno iniciaram nesta segunda-feira (13) uma semana de atividades na Universidade; no destaque a pró-reitora de Pesquisa, Ana Frattini

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