O complexo de saúde da Unicamp recebe novos investimentos do governo federal para ampliar a capacidade de atendimento, modernizar sua infraestrutura e fortalecer a integração entre assistência, ensino, pesquisa e inovação. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (3) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante visita à Universidade.
Os recursos incluem a renovação tecnológica do Hospital de Clínicas (HC), a aquisição de equipamentos de alta complexidade para o HC, o Hospital da Mulher José Aristodemo Pinotti – Caism e o Hemocentro, além de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de novas tecnologias para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao receber o ministro, o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, afirmou que os investimentos reforçam uma das principais vocações da Universidade: integrar assistência, ensino, pesquisa e inovação em benefício da saúde pública. “A cada dia, a Unicamp se coloca mais alinhada às perspectivas de contribuição na área da saúde, não apenas para a região de Campinas, mas para toda a macrorregião e para o país”, afirmou.
Montagner destacou ainda que a visita do ministro representou uma oportunidade para apresentar as necessidades e os desafios enfrentados pela Universidade na manutenção e na expansão de sua estrutura assistencial.
Formado pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e com doutorado em Saúde Pública na Universidade, Padilha afirmou que retornar ao campus como ministro da Saúde tem um significado especial. “É muita emoção voltar à FCM na condição de ministro e, por meio das ações do governo federal, investir ainda mais em uma universidade que foi tão importante para mim e continua sendo fundamental para centenas de milhares de estudantes e para o país.”
Segundo Padilha, os investimentos representam um reconhecimento da contribuição da Universidade para o SUS. “Os recursos significam mais equipamentos e mais estrutura”, completou.

Ampliação do acesso
O principal anúncio para o HC foi a formalização de um convênio de R$10,2 milhões, divididos entre a renovação da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), no valor de R$5,8 milhões, e os equipamentos de tomografia (R$3 milhões) e mamografia (R$1,4 milhão).
A agenda também contemplou investimentos para o Hemocentro da Unicamp. O Ministério da Saúde anunciou a entrega de novos ultrafreezers destinados ao armazenamento de plasma e um convênio de R$238 mil para fortalecer a infraestrutura da unidade. Há ainda recursos para conjuntos completos aos centros cirúrgicos nas áreas de cirurgia geral e oftalmologia e um novo acelerador linear para o tratamento oncológico.
Padilha explicou que os equipamentos integram uma estratégia nacional para ampliar a capacidade dos hemocentros brasileiros e fortalecer a produção de hemoderivados. “Estamos entregando ultrafreezers para hemocentros de todo o país, ampliando significativamente a capacidade de armazenamento de plasma e fortalecendo a Hemobrás, para que o Brasil dependa cada vez menos de produtos importados.”
Para o superintendente do HC, Maurício Etchebehere, os investimentos chegam em um momento importante para um hospital que atende casos de alta complexidade de toda a macrorregião de Campinas. “Nosso hospital conta com mais de 80 leitos de UTI, e esses equipamentos precisam ser renovados periodicamente. A atualização tecnológica é essencial para mantermos a qualidade da assistência.”
Etchebehere ressaltou que o aporte federal também representa um ganho para a gestão da instituição. “Quando o Ministério da Saúde financia a renovação desses equipamentos, conseguimos preservar os recursos próprios do hospital para o custeio da assistência, a compra de medicamentos e outras necessidades do atendimento à população.”
Segundo o superintendente, além de beneficiar diretamente os pacientes, a modernização fortalece as atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas em um dos principais hospitais universitários do país.
As ações do Ministério da Saúde fizeram parte de uma agenda nacional de entregas do governo federal, integrando o programa Agora Tem Especialistas, voltado à ampliação do acesso da população à atenção especializada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia por videoconferência e destacou que a iniciativa busca reduzir o tempo de espera para consultas, exames e tratamentos de alta complexidade. “Hoje, detectar um câncer e começar o tratamento não demora mais que 60 dias. Ninguém é melhor do que ninguém; todos têm direito a um tratamento de qualidade neste país”, afirmou o presidente.


Fortalecimento da área
Além dos investimentos destinados diretamente ao complexo de saúde da Unicamp, a agenda em Campinas também marcou o anúncio de iniciativas voltadas ao fortalecimento da pesquisa científica e da inovação em saúde.
O Ministério da Saúde formalizou parceria com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que receberá R$60 milhões para implantar um Centro de Competência dedicado ao desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) a partir da biodiversidade brasileira. O projeto, realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), busca reduzir a dependência do país de insumos importados, atualmente responsáveis por cerca de 90% da demanda nacional.
“Uma das coisas que estamos fazendo aqui tem a ver com soberania. O Brasil precisa produzir seus próprios medicamentos, tecnologias e conhecimento para cuidar da saúde da população e reduzir a dependência de outros países”, afirmou Padilha.
O novo centro deverá reunir universidades, institutos de pesquisa, startups e empresas farmacêuticas em um ambiente de inovação voltado ao desenvolvimento de novos insumos farmacêuticos e medicamentos destinados a doenças prioritárias para o SUS.
O ministro também confirmou o repasse de recursos para a construção de uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na região do Campo Belo, com investimento de R$9,3 milhões e capacidade para beneficiar cerca de 300 mil pessoas.
Ainda durante a cerimônia, o ministro anunciou a primeira encomenda tecnológica do Ministério da Saúde destinada ao desenvolvimento de um equipamento portátil para diagnóstico molecular da tuberculose. A iniciativa faz parte do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, que pretende aproximar a produção científica das necessidades do SUS.
Durante a visita, o Ministério da Saúde também lançou o Sistema de Registro Profissional do Ministério da Saúde (SIRP-MS), plataforma digital que permitirá a solicitação e a gestão do registro profissional dos sanitaristas em todo o país. A ferramenta consolida a regulamentação da profissão e busca fortalecer a atuação desses profissionais na formulação e na gestão das políticas públicas de saúde.
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