Campinas, 26 de junho de 2026.
Carta Aberta à Comunidade Universitária
Sobre o processo de negociação com os servidores técnico-administrativos
A administração de uma universidade pública requer a conciliação permanente entre a valorização de seus servidores, a sustentabilidade financeira da instituição e a continuidade das atividades de ensino, pesquisa, extensão e assistência à sociedade. Esses compromissos orientaram o processo de negociação conduzido pela Reitoria com a representação dos servidores técnico-administrativos e fundamentam a decisão ora apresentada à comunidade universitária.
O processo de negociação desenvolvido nas últimas semanas resultou na revisão e no aperfeiçoamento da proposta inicialmente apresentada pela Reitoria. Ao longo das discussões, foram incorporados compromissos adicionais e construídos novos encaminhamentos, consolidando uma proposta substancialmente mais abrangente do que aquela que deu início às negociações. A íntegra desse documento acompanha esta carta para conhecimento da comunidade universitária.
A carta-proposta encaminhada pela Reitoria contempla, entre seus principais pontos, os seguintes encaminhamentos:
- Vale-alimentação: equiparação ao valor praticado pela Unesp, com elevação do benefício de R$ 1.950,00 para R$ 2.000,00, sem pagamento retroativo;
- Vale-refeição: reajuste imediato de R$ 43,00 para R$ 50,00 por dia, sem pagamento retroativo;
- Auxílio-saúde: ampliação do benefício para R$ 990,00 mensais (acréscimo de 10% sobre o valor atual), a partir de janeiro de 2027, condicionada ao desempenho da arrecadação do ICMS-QPE previsto na proposta, sem pagamento retroativo;
- Pauta específica da categoria: realização imediata da primeira reunião para discussão da pauta emergencial apresentada pelo STU e definição do cronograma de reuniões destinado ao tratamento da pauta específica de 2026.
Esses encaminhamentos sintetizam a proposta construída ao longo das negociações e expressam os compromissos institucionais assumidos pela Reitoria no âmbito desse processo.
A formulação dessa proposta ocorreu em um cenário de elevada restrição orçamentária. Para o exercício de 2026, a Universidade projeta déficit superior a R$570 milhões, que poderá alcançar aproximadamente R$656 milhões após a incorporação dos impactos decorrentes do reajuste salarial já concedido. A ampliação da proposta apresentada representa impacto financeiro adicional estimado em cerca de R$13 milhões anuais. Mesmo nesse contexto, a Reitoria deliberou pela apresentação de uma proposta ampliada, sensível às demandas e à necessidade de valorização dos servidores e servidoras.
Diante da decisão do STU pela manutenção da paralisação, em assembleia realizada no dia 25 de junho, a Reitoria concluiu que não estavam mais presentes as condições para a continuidade desse ciclo de negociação. Essa decisão decorre do entendimento de que o processo de negociação alcançou os limites institucionais decorrentes das responsabilidades financeiras, administrativas e acadêmicas que orientam a atuação da Universidade e que se refletem na proposta apresentada à categoria. Além disso, foi explicitado na carta-proposta que seus termos estavam condicionados ao encerramento da greve.
Em razão do exposto, e em conformidade com os termos da carta-proposta apresentada à categoria, a Reitoria comunica que:
- O processo de implementação do reajuste salarial de 3,92%, definido pelo Cruesp em negociação com o Fórum das Seis, será submetido à apreciação do Conselho Universitário, em reunião extraordinária a ser convocada para o dia 07 de julho;
- A proposta de reajuste dos auxílios (Alimentação, Refeição e Saúde) permanece nos termos da carta-proposta apresentada às categorias docente e servidor técnico-administrativo. Sua implementação está condicionada ao encerramento da greve;
- A realização da reunião destinada ao tratamento da pauta emergencial e o estabelecimento do cronograma de reuniões para discussão da pauta específica permanecerão suspensos enquanto perdurar a greve dos servidores técnico-administrativos;
A Reitoria reafirma seu compromisso permanente com o diálogo institucional e permanece aberta à construção de soluções sempre que estiverem presentes as condições para seu desenvolvimento. Espera, igualmente, que toda a comunidade universitária conheça a proposta apresentada, avalie o processo de negociação em sua integralidade e reconheça que a valorização dos servidores e a sustentabilidade institucional constituem compromissos igualmente permanentes da Universidade, mesmo em momentos de restrição orçamentária como o atual. Preservar esse equilíbrio é condição indispensável para que a Unicamp continue fortalecendo sua missão pública e prestando à sociedade serviços de excelência em ensino, pesquisa e extensão.
Reitoria da Unicamp
Segue a íntegra da carta-proposta enviada ao Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU):