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Atualidades Manchete

Crise climática e desigualdade pautam debate sobre sustentabilidade na Unicamp 

O evento, realizado no Instituto de Economia, contou com a presença da ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva

Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável, realizado na tarde de quinta-feira (28) no auditório do Instituto de Economia (IE) da Unicamp.
Evento “Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável”, realizado no auditório do Instituto de Economia (IE) da Unicamp

Mudanças climáticas, justiça social e o papel da ciência no enfrentamento dos desafios em escala global foram os principais temas do evento Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável, realizado na tarde de quinta-feira (28) no auditório do Instituto de Economia (IE) da Unicamp. Entre os participantes estavam a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva, a professora Thais Dibbern, docente de Administração Pública na Universidade e coordenadora do Laboratório de Estudos do Setor Público (Lesp), e o diretor do IE, Célio Hiratuka.

A ex-ministra iniciou sua participação afirmando que a sociedade vive uma “travessia” histórica diante de desafios como a crise climática, as pandemias e o esgotamento dos recursos naturais. Segundo ela, o atual modelo econômico, baseado no consumo ilimitado, tornou-se insustentável. Sobre a necessidade de posicionamento da sociedade, independentemente de sua vertente ideológica, ela criou um novo termo: “Hoje, todos precisamos ser sustentabilistas.”

Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável, realizado na tarde de quinta-feira (28) no auditório do Instituto de Economia (IE) da Unicamp.
A ex-ministra Marina Silva participou do encontro: “sustentabilistas

Marina Silva defendeu políticas públicas voltadas à transição ecológica e afirmou que a sociedade precisa substituir a lógica do “ter” pela valorização do “ser”. Ela também criticou o negacionismo climático e destacou o papel da ciência, dos povos indígenas e dos movimentos sociais na construção de alternativas sustentáveis.

Urgência

Já o diretor Célio Hiratuka apontou que todas as iniciativas que tratam de sustentabilidade são fundamentais diante da urgência climática global. O professor ressaltou as desigualdades entre países ricos e pobres – que, muitas vezes, são obrigados a enfrentar obstáculos para cuja existência não contribuíram.

Em relação ao enfrentamento dos impactos ambientais, Hiratuka destacou o protagonismo do Brasil nas discussões internacionais sobre sustentabilidade. Ele também enfatizou a importância da participação estudantil nesses espaços. “Os jovens serão responsáveis por levar adiante essa transformação”, comentou.

Indígenas

Ao lado de outros estudantes indígenas que acompanharam a discussão, João Baniwa destacou a importância da presença dos povos originários nos encontros sobre desenvolvimento sustentável. Integrante da etnia baniwa, do Alto Rio Negro, no Amazonas, ele cursa Economia desde 2019 e afirmou que pretende levar os conhecimentos adquiridos na Universidade para fortalecer projetos sustentáveis em sua comunidade de origem.

Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável, realizado na tarde de quinta-feira (28) no auditório do Instituto de Economia (IE) da Unicamp.
Estudantes indígenas: importância da representação em discussões sobre sustentabilidade

Baniwa fez questão de lembrar que práticas de manejo sustentável já fazem parte do modo de vida indígena, como o uso rotativo da terra para plantio e regeneração da floresta. O estudante também citou iniciativas econômicas desenvolvidas em sua região, como projetos ligados à pimenta e à cestaria baniwa.

“A ideia é levar esse conhecimento para trabalhar junto da comunidade e fortalecer alternativas econômicas dentro do território”, afirmou ele, ressaltando que o acesso de indígenas ao ensino superior fortalece tanto as suas comunidades em diferentes regiões do país quanto a sociedade em geral, pela sempre rica troca de experiências. 

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