A Unicamp recebe a segunda reunião anual da Rede de Internacionalização Transformadora (RIT), do Centro Interuniversitario de Desenvolvimento (Cinda), aberta nesta quinta-feira (16). Em dois dias de encontro, representantes de 19 universidades latino-americanas debatem a construção de políticas de internacionalização articuladas ao ensino, à pesquisa e à extensão, com ênfase na cooperação regional e no fortalecimento das redes acadêmicas.
Na abertura do evento, o coordenador-geral da Universidade, Fernando Coelho, destacou o caráter estratégico da internacionalização, especialmente no contexto da integração, e defendeu a articulação entre universidades da região como uma resposta aos desafios da educação superior. “A cooperação entre instituições latino-americanas é fundamental para ampliar a produção de conhecimento com impacto social”, destacou.
A diretora do programa de Políticas Universitárias do Cinda, a chilena Alejandra Silva, ressaltou que a proposta da rede vai além dos modelos tradicionais de intercâmbio. “A ideia é internacionalizar transversalmente, integrando ensino, pesquisa, extensão e gestão”, explicou. Segundo ela, a proposta está baseada na colaboração efetiva entre as instituições participantes, fortalecendo ações conjuntas e o intercâmbio de experiências. O Cinda, criado há mais de cinco décadas, reúne atualmente cerca de 40 universidades.


O diretor-executivo de Relações Internacionais da Unicamp, Rafael Dias, destacou a evolução das políticas institucionais de internacionalização da Universidade ao longo das últimas décadas. Segundo ele, embora a vocação internacional da Unicamp esteja presente desde sua fundação, há 60 anos, o modelo de gestão dessas relações passou por importantes transformações, especialmente a partir da década de 2010, com a ampliação de programas de mobilidade e cooperação científica.
“A Universidade nasceu muito internacionalizada, porque o Brasil ainda não tinha densidade suficiente de pesquisadores em várias áreas. Muitos docentes vieram de outros países e ajudaram a construir essa identidade”, afirmou. Dias observou que, nos últimos anos, a Unicamp tem buscado avançar de uma lógica reativa, centrada em responder demandas externas, para uma atuação estratégica e propositiva, alinhada ao projeto institucional. “Estamos trabalhando para que a internacionalização seja estruturada como política institucional e como rede de colaboração.”

Atualmente, a Unicamp mantém cerca de 840 acordos ativos com instituições de 80 países. Segundo o diretor, 75% dessas parcerias concentram-se em 15 países, com forte presença histórica de universidades dos Estados Unidos, França e China, com 96, 70 e 64 convênios ativos, respectivamente. Da América Latina, a Colômbia lidera, com 44 convênios.
O encontro também abre espaço para o compartilhamento de experiências entre as instituições participantes. A professora Cristina Guerra Giráldez, diretora de Relações Internacionais da Universidad Peruana Cayetano Heredia, destacou o interesse em abrir possibilidades de parceria e cooperação com a Universidade, especialmente com a Faculdade de Enfermagem (Fenf). “A Unicamp é muito conhecida em áreas da saúde, e vemos oportunidades de colaboração na enfermagem e na saúde pública”, afirmou.
A reunião anual termina nesta sexta-feira (17) com uma visita ao campus de Barão Geraldo, o planejamento dos próximos trabalhos da RIT, a definição do calendário de reuniões de 2027 e a consolidação das conclusões e compromissos do evento em torno de estratégias institucionais para fortalecer a cooperação entre as universidades.
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