Evento realizado na última sexta-feira (10) em parceria entre Unicamp, PUC-Campinas, Poder Público e instituições ligadas à inovação, o “2º Seminário de Economia de Impacto da Região Metropolitana de Campinas (RMC)” – sediado na Casa do Professor Visitante, da Universidade – tratou do avanço científico e tecnológico como plataforma para o desenvolvimento econômico com impacto social positivo. Com o Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS) apresentado como exemplo de potencial em expansão, o encontro teve o objetivo de conectar governantes, empresas, academia e organizações do Terceiro Setor em torno de uma visão comum de futuro
A chamada economia de impacto é um modelo econômico que equilibra a busca pelo retorno financeiro com a intenção de gerar transformações na sociedade, seja no campo social (diminuição das desigualdades) ou no ambiental (combate e mitigação das mudanças climáticas).

Na abertura, o reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, ressaltou a importância da articulação entre universidades, setor produtivo e poder público para consolidar a RMC como referência nacional e internacional. “Precisamos reforçar, diariamente, a relevância do que construímos aqui, porque a competição entre polos de inovação é crescente”, afirmou ele.
Montagner também relembrou a transformação histórica do distrito de Barão Geraldo, que passou de área rural, marcada pela produção agrícola, a um dos principais centros de ciência e tecnologia do país. Para ele, esse processo evidencia o potencial de iniciativas colaborativas de longo prazo. Ao final, o reitor reforçou o compromisso da Universidade com iniciativas que ampliem sua influência na vida prática da população. “Queremos participar não apenas da formulação teórica, mas também de ações concretas que transformem a realidade do município”, concluiu.
Um dos destaques do evento, a apresentação do HIDS pelo diretor executivo de Sustentabilidade da Unicamp, Roberto Donato da Silva Júnior, mostrou que é possível integrar ciência, tecnologia e desenvolvimento urbano em um modelo orientado pela sustentabilidade. De acordo com o diretor, Campinas reúne condições únicas para liderar esse processo, com forte concentração de instituições de ensino, empresas inovadoras e infraestrutura de pesquisa.

Dados apresentados indicaram que a Universidade forma cerca de 5,5 mil profissionais todos os anos e mantém um ecossistema robusto de inovação, com mais de 1,7 mil empresas consideradas “filhas” da Unicamp por terem sido fundadas por ex-alunos. “Essas empresas geram dezenas de milhares de empregos e movimentam bilhões de reais anualmente, além de contribuir para a fixação de talentos na região”, apontou Donato.
Apesar do impacto econômico positivo, o diretor da Unicamp alertou para o desafio de alinhar desenvolvimento e sustentabilidade. “Temos um cenário forte de inovação, mas precisamos converter esse potencial em soluções efetivas para questões ambientais e climáticas”, acrescentou, durante sua palestra.
Decreto
Ainda durante o evento, a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas, Adriana Flosi, que representou o prefeito Dário Saadi, oficializou a criação de uma estratégia municipal voltada à economia de impacto, com o objetivo de consolidar o município como referência em inovação aliada ao desenvolvimento socioambiental. A iniciativa foi formalizada por meio de decreto já publicado no Diário Oficial. O documento também prevê a criação do Comitê Municipal de Economia de Impacto, que reunirá diferentes secretarias, instituições acadêmicas, setor empresarial e sociedade civil que terá 60 dias para elaborar um plano de ação com duração de dois anos.
Presenças
O encontro também contou com a participação do diretor do Instituto de Economia da Unicamp, Célio Hiratuka, e de representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Ministério da Fazenda, e Secretaria de Inovação do Estado de São Paulo.
Foto de capa:
