O reitor Paulo Cesar Montagner iniciou nesta terça-feira (7) articulações para a consolidação de uma parceria da Unicamp com a Universidade de Medicina Chinesa de Pequim (BUCM, na sigla em inglês), uma das instituições de maior prestígio mundial no ensino da medicina tradicional chinesa.
Segundo o vice-reitor da BUCM, Wang Ting, a universidade tem interesse em estabelecer colaborações com a Unicamp em áreas que vão de pesquisas conjuntas em fitoterápicos e o estudo de plantas até o fortalecimento do Instituto Confúcio que funciona na Unicamp desde 2015 e se dedica a ensinar o idioma mandarim, além de promover cooperações acadêmicas e culturais.
“A medicina tradicional chinesa é reconhecida no mundo todo, e essa aproximação pode ser muito importante para nós”, disse Montagner ao final da reunião. “Eles têm larga experiência, uma trajetória muito longa nesta área, e com certeza esse tipo de colaboração vai ser muito boa para a Unicamp”, acrescentou.

Wang disse que a BUCM quer estabelecer colaborações profundas e de duradouras. Demonstrou interesse especial pela pesquisa de plantas brasileiras, principalmente da região amazônica, e pelo desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos – que são medicamentos obtidos a partir de matérias-primas ativas vegetais. Ele acrescentou que professores chineses poderão vir à Unicamp para ministrar cursos.
O professor Gustavo Tenório Cunha, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, disse que a aproximação com a BUCM pode ser muito importante. Segundo ele, os especialistas brasileiros poderão aprender mais sobre a abordagem chinesa da BUCM para a análise das plantas brasileiras.
A assessora para assuntos internacionais da Diretoria Executiva de Relações Internacionais (Deri) da Unicamp, Heloisa Claro, conta que um convênio entre as duas universidades foi firmado em dezembro de 2025, e a visita marca o início de uma nova etapa nessa parceria.
“Estamos na fase de povoar esse acordo com cooperação e ações estratégicas”, disse ela. “Vamos começar a conversar sobre possíveis sinergias nas áreas de pesquisa e alinhar os planos futuros para ações de mobilidade – de docentes e estudantes. Ou seja, agora é hora de tornar esse convênio um instrumento funcional”, explica.

Claro lembra que o Sistema Único de Saúde (SUS) já adota a medicina chinesa – foco exclusivo da BUCM – como uma “prática integrativa complementar” no atendimento à população, ao lado de procedimentos como acupuntura, fitoterapia, homeopatia e reiki. “Nós temos aqui na Unicamp várias linhas de pesquisa que já trabalham com as práticas da medicina tradicional chinesa integradas ao SUS”, diz a professora. “E este será, com certeza, um campo muito produtivo de pesquisa para a gente avançar.”
O encontro também contou com a presença do chefe de gabinete da Reitoria, Osvaldir Taranto, e do técnico de cooperação internacional da Unicamp, Felipe Ribeiro Sampaio. A comitiva chinesa incluiu, além do vice-reitor Wang Ting, o vice-diretor do Departamento de Intercâmbio e Cooperação Internacional da BUCM, Wang Xueqian, o diretor da Escola de Matéria Médica Chinesa da universidade, Fu Qian, e o vice-diretor da Escola de Acupuntura-Moxabustão e Tuina da BCUM, Bai Peng (moxabustão é a terapia à base de aplicação de calor, e tuina é um tipo de massagem terapêutica).
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