Iniciado há aproximadamente seis anos, o programa de difusão da linguagem simples na Unicamp acaba de entrar em sua segunda fase com um balanço positivo, na avaliação do coordenador-técnico do programa, Thiago Pinheiro. Segundo Pinheiro, o programa está maduro e acumula hoje 22 projetos em desenvolvimento na Universidade. Destes, 19 estão sendo realizados nas unidades e três em parceria com participantes externos – a Universidade de São Paulo (USP), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região e a Prefeitura de Campinas. Pinheiro revelou ainda que há negociações em andamento para a formalização de acordos com o Tribunal de Contas da União, a Controladoria Geral da União e o Conselho Nacional de Justiça. O curso já capacitou 700 pessoas na Universidade.

O balanço foi feito na tarde desta quarta-feira (4) durante encontro na Escola de Educação Corporativa da Unicamp (Educorp), em que a coordenação técnica do programa reuniu multiplicadores em linguagem simples para avaliar avanços e discutir projetos em desenvolvimento.
Pinheiro disse que, na primeira fase, trabalhou-se a conceituação técnica. Agora, na segunda fase, serão apresentados os chamados “projetos transformadores”, que ganharam este nome porque, segundo ele, a linguagem simples tem sido trabalhada não apenas como uma técnica de comunicação, mas como “ferramenta de melhoria de processos”.
O coordenador-técnico destacou dois projetos. Um deles, da Diretoria Acadêmica (DAC), fez uma ampla revisão de todo tipo de comunicação enviada aos estudantes. “Todo esse material está sendo revisado. O objetivo é organizar e estruturar melhor os documentos, de forma a ampliar e melhorar o acesso aos serviços”, diz Pinheiro.
O outro projeto está em desenvolvimento na Diretoria Geral de Administração (DGA). “Estamos produzindo um guia e um curso para o processo de contratação de compras, que envolve documentos como o Termo de Referência ou Estudo Técnico Preliminar (ETP). Tudo isso transformado em linguagem simples”, conta.

Pinheiro garante que, mesmo com a transformação da linguagem, é possível garantir o rigor técnico exigido pela burocracia e pela legislação.
“A linguagem simples não concorre com a linguagem técnica. Qual é, talvez, o principal diferencial da técnica? Escreve-se pensando no público-alvo. Existe a linguagem para o público acadêmico, mas muitas vezes é preciso adaptá-la ao público que tem maior dificuldade”, pondera.
“Nos projetos realizados fora da Unicamp, como por exemplo o do TRT 15, não modificamos o teor do documento técnico, mas fazemos uma versão destinada à parte envolvida para que ela compreenda o que está acontecendo”, explica.
Cerimônia marcou inicio segunda fase
O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner – que esteve na cerimônia que marcou o início da segunda fase do programa – disse que a ideia do uso da linguagem simples vem ganhando corpo dentro e fora da Universidade. “A contribuição da Unicamp neste processo passa a ser muito importante. Além disso, tem um aspecto relevante de inclusão em todo esse processo”, lembra o reitor.
Para o coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho – que também esteve na cerimônia –, o programa não cria apenas uma mudança na forma como se produz a comunicação, mas provoca alterações de protocolo na Universidade. “A linguagem simples é de extrema importância, pois permite maior interação com a comunidade e, portanto, transforma-se num movimento de cidadania”, avalia.
O coordenador executivo da Educorp, Edison Lins, disse que o programa “ajuda a aproximar o cidadão de seus direitos”.
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