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Unicamp tem três docentes entre os novos membros titulares da Academia Brasileira de Ciências

Mônica Cotta, Jacinta Enzweiler e Jorge Coli estão no grupo de recém-eleitos pela ABC; posse será em maio

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) elegeu 19 novos membros titulares e três docentes da Unicamp estão entre os escolhidos: na área de Ciências Físicas, a pró-reitora de Graduação e docente do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), Mônica Cotta; em Ciências da Terra, a eleita foi Jacinta Enzweiler, do Instituto de Geociências (IG); e na área de Ciências Sociais, está Jorge Coli, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). Dez mulheres e nove homens integram a seleção de novos membros, que vão receber seus diplomas durante evento entre os dias 5 a 7 de maio do próximo ano no Rio de Janeiro.

A pró-reitora de Graduação da Unicamp ressaltou o reconhecimento da ABC. “É uma grande honra e uma grande alegria ser eleita pela Academia Brasileira de Ciências, acredito que o reconhecimento não foi somente por uma questão de currículo acadêmico, mas também pelas minhas contribuições em outras esferas, seja na sociedade científica ou na assessoria de agências, entre outros. Nunca abri mão de valores e princípios, como a igualdade de gênero, e trouxe esses princípios, que são valores da Unicamp, para dentro das esferas onde atuo. Acredito que esse reconhecimento representa uma espécie de convite para continuar atuando do mesmo jeito e espero continuar fazendo isso enquanto estiver ativa, levando meus princípios e valores para onde eu for”, afirmou Cotta.

Para a professora Jacinta Enzweiler, ser eleita membro titular “foi inesperado e motivo de grande alegria”. A docente do IG destaca que “a eleição representa dois tipos de reconhecimento: o da minha carreira de pesquisa construída com a inspiradora participação de alunos e de colegas, e à minha contínua dedicação às atividades de organização e gestão de laboratórios multiusuários, mesmo quando este termo ainda não era empregado e a sua função era pouco compreendida. Tive muito mais oportunidades do que as que pude abraçar e espero ainda contribuir um pouco. Sou grata ao IG e à Unicamp, em especial às pessoas dedicadas que contribuem para que momentos como esse ocorram.”

O professor Jorge Coli enfatizou o significado de ter sido eleito. “Sou um historiador da arte e da cultura e minha eleição para a Academia Brasileira de Ciências é uma grande honra. Muito mais do que isso, porém, ela representa um gesto significativo de abertura intelectual. A ABC, historicamente marcada pela predominância das ciências exatas e biológicas, reafirma com esta escolha a necessidade de integrar de maneira efetiva as Humanidades no debate científico brasileiro. Essa integração não é ornamental: ela amplia o entendimento sobre os modos como a sociedade produz conhecimento, interpreta sua trajetória e constrói relações com a cultura e com a imagem”, comentou.

Para Coli, dentro desse quadro, a presença da História da Arte ganha especial relevo. “No Brasil, a disciplina ainda luta por reconhecimento institucional pleno, por estrutura universitária sólida e por políticas culturais contínuas. A eleição de um historiador da arte indica que a ABC reconhece a legitimidade científica desse campo, não como apêndice das demais áreas, mas como disciplina que produz pesquisa rigorosa, comparativa, teoricamente estruturada, e capaz de dialogar com questões complexas da vida intelectual contemporânea. Ao ampliar sua representatividade, a ABC reafirma que o conhecimento não se divide em castas. A presença da História da Arte na Academia reforça essa compreensão e abre perspectivas para uma interlocução mais forte entre saberes científicos e humanísticos no país”, completou Coli.

Foco na pesquisa
Fundada em 1916 por professores da Escola Politécnica, no Rio de Janeiro, a então Sociedade Brasileira de Sciencias — hoje Academia Brasileira de Ciências — consolidou-se como uma instituição independente dedicada ao avanço da pesquisa. Ao longo das décadas, ampliou suas áreas de atuação, passando de três seções iniciais para dez especialidades. Também reformulou suas categorias de membros, criando modalidades como titulares, estrangeiros, colaboradores e, mais tarde, afiliados.

Ao longo do século 20, publicou periódicos relevantes (incluindo um artigo de Albert Einstein), superou décadas sem sede própria e teve papel decisivo na criação de órgãos como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), entre outros. Reconhecida oficialmente a partir de 1967, a ABC atua hoje na formulação de políticas públicas e ampliou sua abrangência ao inserir temas como educação e meio ambiente.

Os novos membros titulares

Ciências Matemáticas

• Jorge Vitório Bacellar dos Santos Pereira

Ciências Físicas

• Antonio Ferreira da Silva

• Ildeu de Castro Moreira

• Mônica Alonso Cotta

Ciências Químicas

• Ana Maria da Costa Ferreira

• Hermi Felinto de Brito

Ciências da Terra

• Antônio Carlos Pedrosa Soares

• Jacinta Enzweiler

Ciências Biológicas

• Leticia Veras Costa Lotufo

• Marilene Henning Vainstein

Ciências Biomédicas

• Ana Paula Sales Moura Fernandes

• Russolina Benedeta Zingali

Ciências da Saúde

• Lydia Masako Ferreira

Ciências Agrárias

• Paulo César de Faccio Carvalho

• Raul Narciso Carvalho Guedes

Ciências da Engenharia

• Altigran Soares da Silva

• Marley Maria Bernardes Rebuzzi Vellasco

Ciências Sociais

• Jorge Sidney Coli Junior

• Josefa Salete Barbosa Cavalcanti

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