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"Jamais imaginei que minha mãe usaria a rede"
da Redação
O professor Leonard Kleinrock,
65, que supervisionou a primeira
ligação da Arpanet, pretende continuar presente nas próximas ondas da grande rede.
No Departamento de Computação da Universidade da Califórnia
em Los Angeles, onde atua desde
1963, está agora investindo na
pesquisa sobre o que chama de
computação nômade -o uso de
computadores em qualquer lugar, a qualquer tempo.
Nesta entrevista, feita via e-mail, Kleinrock fala sobre a Internet de hoje e a do futuro.
(RL)
Folha - O sr. imaginava que a
rede chegaria ao que é hoje?
Leonard Kleinrock - Na verdade, antecipei boa parte do que se
seguiria. A prova é um texto divulgado em 3 de julho de 1969 em
que sou citado como basicamente
tendo dito que, assim que essa rede estivesse funcionando, seria
possível usar computadores de
casa ou dos escritórios com tanta
facilidade quanto a que tínhamos
para usar eletricidade ou telefones. Conectividade -basicamente plugando um fio em um buraco
na parede.
Portanto, previ a ubiqüidade, a
acessibilidade e a facilidade de
uso. Mas jamais imaginei que minha mãe estaria usando a Internet
aos 92 anos.
Folha - O que o senhor pensa
sobre a Internet de hoje?
Kleinrock - Fico especialmente
satisfeito por a Internet ter atingido toda a sociedade, no mundo
inteiro, sendo capaz de prestar excelentes serviços. Foi preciso que
o mundo comercial promovesse e
fomentasse a penetração da Internet para um número muito maior
de usuários do que os da comunidade de pesquisa.
Folha - Em que a Internet precisa evoluir de agora em diante?
Kleinrock -É difícil predizer,
mas estou certo de que duas áreas
emergirão. A primeira será o amplo da computação nômade; a segunda, o surgimento de espaços
inteligentes onde nos moveremos
do submundo sombrio do ciberespaço para o mundo físico dos
espaços inteligentes, no qual teremos acesso à tecnologia e a serviços da Internet em toda parte,
sempre e de forma invisível.
Folha - O que o sr. acha de novas redes, como a Internet 2 e o
projeto Oxygen (do MIT)?
Kleinrock - Ambos são bons
exemplos daquilo a que me refiro
como as três fases do desenvolvimento das redes. A primeira é a
de redes de pesquisa embriônicas
onde novas tecnologias são inventadas (como o projeto Oxygen), a segunda é a de redes-protótipo, nas quais o trabalho embriônico é colocado em operação
em ambiente controlado (como a
Internet 2) e a terceira fase é a de
redes de produção, como a Internet de hoje. A fase 1 alimenta a fase 2, que alimenta a fase 3 com um
fluxo contínuo de tecnologia.
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