São Paulo, Quarta-feira, 20 de Outubro de 1999


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"Jamais imaginei que minha mãe usaria a rede"

da Redação

O professor Leonard Kleinrock, 65, que supervisionou a primeira ligação da Arpanet, pretende continuar presente nas próximas ondas da grande rede.
No Departamento de Computação da Universidade da Califórnia em Los Angeles, onde atua desde 1963, está agora investindo na pesquisa sobre o que chama de computação nômade -o uso de computadores em qualquer lugar, a qualquer tempo.
Nesta entrevista, feita via e-mail, Kleinrock fala sobre a Internet de hoje e a do futuro. (RL)
 

Folha - O sr. imaginava que a rede chegaria ao que é hoje?
Leonard Kleinrock -
Na verdade, antecipei boa parte do que se seguiria. A prova é um texto divulgado em 3 de julho de 1969 em que sou citado como basicamente tendo dito que, assim que essa rede estivesse funcionando, seria possível usar computadores de casa ou dos escritórios com tanta facilidade quanto a que tínhamos para usar eletricidade ou telefones. Conectividade -basicamente plugando um fio em um buraco na parede.
Portanto, previ a ubiqüidade, a acessibilidade e a facilidade de uso. Mas jamais imaginei que minha mãe estaria usando a Internet aos 92 anos.

Folha - O que o senhor pensa sobre a Internet de hoje?
Kleinrock -
Fico especialmente satisfeito por a Internet ter atingido toda a sociedade, no mundo inteiro, sendo capaz de prestar excelentes serviços. Foi preciso que o mundo comercial promovesse e fomentasse a penetração da Internet para um número muito maior de usuários do que os da comunidade de pesquisa.

Folha - Em que a Internet precisa evoluir de agora em diante?
Kleinrock -
É difícil predizer, mas estou certo de que duas áreas emergirão. A primeira será o amplo da computação nômade; a segunda, o surgimento de espaços inteligentes onde nos moveremos do submundo sombrio do ciberespaço para o mundo físico dos espaços inteligentes, no qual teremos acesso à tecnologia e a serviços da Internet em toda parte, sempre e de forma invisível.

Folha - O que o sr. acha de novas redes, como a Internet 2 e o projeto Oxygen (do MIT)?
Kleinrock -
Ambos são bons exemplos daquilo a que me refiro como as três fases do desenvolvimento das redes. A primeira é a de redes de pesquisa embriônicas onde novas tecnologias são inventadas (como o projeto Oxygen), a segunda é a de redes-protótipo, nas quais o trabalho embriônico é colocado em operação em ambiente controlado (como a Internet 2) e a terceira fase é a de redes de produção, como a Internet de hoje. A fase 1 alimenta a fase 2, que alimenta a fase 3 com um fluxo contínuo de tecnologia.


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