São Paulo, Quarta-feira, 20 de Outubro de 1999


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Rede caiu no meio da comunicação entre máquinas

A 1ª mensagem

da Redação

A primeira mensagem enviada na ancestral da Internet não foi integralmente transmitida. O sistema caiu no meio. Soa familiar, não?
Era o dia 29 de outubro de 1969. O professor Leonard Kleinrock, inventor dos princípios básicos da comunicação por pacotes de dados, supervisionava a operação na Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) -onde, no dia 2 de setembro, havia sido ligado o primeiro nó da Arpanet, a rede patrocinada pelo governo americano, embrião da Internet de hoje.
O objetivo era mandar uma mensagem do computador da Ucla para o do Instituto de Pesquisa de Stanford (SRI), onde estava sendo ligado o segundo nó da rede.
"Vocês receberam o L?", perguntou por telefone um estudante da Ucla, depois de ter transmitido a letra pelo seu computador. "Sim", veio a resposta do SRI. "Receberam o O?" -a resposta foi novamente positiva. "Receberam o G?" Nada: a rede caíra.
O jeito foi desligar e ligar de novo. Na segunda tentativa, a palavra login (registro, conexão) foi transmitida.
"Estava entusiasmado, emocionado", diz Kleinrock, tido como o pai da Internet -um dos pais, na verdade- por ter inventado o princípio básico da comutação por pacotes de dados, uma das bases da Internet.
Exatamente por causa de sua descoberta, o laboratório que comandava foi escolhido para ser o primeiro nó da Arpanet.
Isso não significa, porém, que todos o reconheçam como o patriarca da rede. Aliás, o próprio fato que marcou o nascimento da Internet não é consenso entre os cientistas e estudiosos.
Em entrevista por e-mail, Robert Zakon, autor de uma das mais completas linhas de tempo sobre a Internet (www.isoc.org/zakon/Internet/History/HIT.html) aponta alguns marcos possíveis: o primeiro nó da Arpanet, a primeira comunicação na Arpanet, a ligação do primeiro nó, a primeira comunicação entre computadores, a invenção do TCP/IP (a língua falada pelos computadores para se reconhecerem na Internet), a primeira ligação entre redes TCP/IP.
Vinton Cerf, outro pai da Internet, inventor do TCP/IP em parceria com Robert Kahn, diz em entrevista por e-mail: "Um marco importante surgiu em 1º de janeiro de 1983, quando o sistema TCP/IP passou a ser de uso obrigatório em todas as redes patrocinadas pela Agência de Pesquisa de Projetos Avançados de Defesa (Darpa), dos Estados Unidos. Isso permitiu que a Darpa conectasse todas as suas redes em uma só rede unificada".
Seria então a Internet uma adolescente irrequieta, e não a balzaquiana sedutora?
Talvez o mais verdadeiro seja ver na Internet uma obra em movimento. Ela teve muitos pais, muitos momentos marcantes e sofreu imensas transformações ao longo de sua existência.
Um usuário iniciante provavelmente não a reconheceria há cinco anos, quando o texto era a tônica da rede -nada de musiquinhas nem animações.
Os frequentadores das salas de bate-papo poderiam não se animar tanto a buscar "alguém para tc" se tivessem de decorar os comandos e executar os programas da primeira geração dos chats.
Tenha 30 ou 16 anos, o fato é que só na segunda metade desta década a Internet saiu da redoma universitária para ganhar o interesse do grande público e dos empresários, que começavam a vislumbrar na rede um novo centro de negócios.
E foi quando seu crescimento explodiu: em 1995, havia no mundo 39,5 milhões de usuários da Internet. Em 1998, os internautas já eram 150,9 milhões. No ano que vem, serão 318,6 milhões -cerca de 5% da humanidade.
Tal como no mundo real, o mundo virtual é concentrador. Os países mais ricos têm mais acesso aos computadores, à informação, à telecomunicação. Usuários norte-americanos são mais de 55% da população on line; os da África e Oriente Médio, menos de 2%.
Concentradora ou não, a Internet é um sucesso avassalador. Provoca divórcios, arranja casamentos, divulga mentiras, democratiza informações. Abriga racistas, criminosos, mas também é palco para empreendedores que criam fortunas da noite para o dia. Que o digam Jeff Bezos, da Amazon.com, e Jerry Yang, do Yahoo!. Para não falar de Bill Gates. RODOLFO LUCENA


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