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Rede caiu no meio da comunicação entre máquinas
A 1ª mensagem
da Redação
A primeira mensagem enviada
na ancestral da Internet não foi
integralmente transmitida. O sistema caiu no meio. Soa familiar,
não?
Era o dia 29 de outubro de 1969.
O professor Leonard Kleinrock,
inventor dos princípios básicos
da comunicação por pacotes de
dados, supervisionava a operação
na Universidade da Califórnia em
Los Angeles (Ucla) -onde, no
dia 2 de setembro, havia sido ligado o primeiro nó da Arpanet, a rede patrocinada pelo governo
americano, embrião da Internet
de hoje.
O objetivo era mandar uma
mensagem do computador da
Ucla para o do Instituto de Pesquisa de Stanford (SRI), onde estava sendo ligado o segundo nó
da rede.
"Vocês receberam o L?", perguntou por telefone um estudante
da Ucla, depois de ter transmitido
a letra pelo seu computador.
"Sim", veio a resposta do SRI.
"Receberam o O?" -a resposta
foi novamente positiva. "Receberam o G?" Nada: a rede caíra.
O jeito foi desligar e ligar de novo. Na segunda tentativa, a palavra login (registro, conexão) foi
transmitida.
"Estava entusiasmado, emocionado", diz Kleinrock, tido como o
pai da Internet -um dos pais, na
verdade- por ter inventado o
princípio básico da comutação
por pacotes de dados, uma das
bases da Internet.
Exatamente por causa de sua
descoberta, o laboratório que comandava foi escolhido para ser o
primeiro nó da Arpanet.
Isso não significa, porém, que
todos o reconheçam como o patriarca da rede. Aliás, o próprio fato que marcou o nascimento da
Internet não é consenso entre os
cientistas e estudiosos.
Em entrevista por e-mail, Robert Zakon, autor de uma das
mais completas linhas de tempo
sobre a Internet (www.isoc.org/zakon/Internet/History/HIT.html) aponta alguns marcos
possíveis: o primeiro nó da Arpanet, a primeira comunicação na
Arpanet, a ligação do primeiro
nó, a primeira comunicação entre
computadores, a invenção do
TCP/IP (a língua falada pelos
computadores para se reconhecerem na Internet), a primeira ligação entre redes TCP/IP.
Vinton Cerf, outro pai da Internet, inventor do TCP/IP em parceria com Robert Kahn, diz em
entrevista por e-mail: "Um marco
importante surgiu em 1º de janeiro de 1983, quando o sistema
TCP/IP passou a ser de uso obrigatório em todas as redes patrocinadas pela Agência de Pesquisa
de Projetos Avançados de Defesa
(Darpa), dos Estados Unidos. Isso
permitiu que a Darpa conectasse
todas as suas redes em uma só rede unificada".
Seria então a Internet uma adolescente irrequieta, e não a balzaquiana sedutora?
Talvez o mais verdadeiro seja
ver na Internet uma obra em movimento. Ela teve muitos pais,
muitos momentos marcantes e
sofreu imensas transformações
ao longo de sua existência.
Um usuário iniciante provavelmente não a reconheceria há cinco anos, quando o texto era a tônica da rede -nada de musiquinhas nem animações.
Os frequentadores das salas de
bate-papo poderiam não se animar tanto a buscar "alguém para
tc" se tivessem de decorar os comandos e executar os programas
da primeira geração dos chats.
Tenha 30 ou 16 anos, o fato é
que só na segunda metade desta
década a Internet saiu da redoma
universitária para ganhar o interesse do grande público e dos empresários, que começavam a vislumbrar na rede um novo centro
de negócios.
E foi quando seu crescimento
explodiu: em 1995, havia no mundo 39,5 milhões de usuários da Internet. Em 1998, os internautas já
eram 150,9 milhões. No ano que
vem, serão 318,6 milhões -cerca
de 5% da humanidade.
Tal como no mundo real, o
mundo virtual é concentrador. Os
países mais ricos têm mais acesso
aos computadores, à informação,
à telecomunicação. Usuários norte-americanos são mais de 55%
da população on line; os da África
e Oriente Médio, menos de 2%.
Concentradora ou não, a Internet é um sucesso avassalador.
Provoca divórcios, arranja casamentos, divulga mentiras, democratiza informações. Abriga racistas, criminosos, mas também é
palco para empreendedores que
criam fortunas da noite para o
dia. Que o digam Jeff Bezos, da
Amazon.com, e Jerry Yang, do
Yahoo!. Para não falar de Bill Gates.
RODOLFO LUCENA
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