Untitled Document
PORTAL UNICAMP
4
AGENDA UNICAMP
3
VERSÃO PDF
2
EDIÇÕES ANTERIORES
1
 
Untitled Document
 


Esgrimindo. Na cadeira de rodas

RAQUEL DO CARMO SANTOS

Valber Lazaro Nazareth, autor da tese: Unicamp contará com modalidade em 2010 (Foto: Antoninho Perri)No início, em 2002, era apenas um grupo com seis praticantes que se desdobravam no aprendizado da esgrima em cadeira de rodas no Centro Universitário Hermínio Ometo, em Araras. A atividade, praticamente desconhecida no Brasil, esbarrava nas dificuldades de falta de incentivo e a inexistência de equipamentos adequados. Ademais, havia o preconceito dos praticantes da esgrima convencional em relação à pessoa com deficiência.

Desde então, muita coisa mudou no panorama da modalidade no país. O idealizador de todo este projeto, o mestre d’armas – nível de graduação de quem ministra a esgrima –, Valber Lazaro Nazareth passou a dedicar tempo e estudo a propostas, análise e implementação de técnicas pedagógicas para o ensino da modalidade para pessoa com deficiência, o que rendeu bons resultados em sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Educação Física (FEF).

Para além da pesquisa, o envolvimento de Nazareth e do seu orientador, professor Edison Duarte, na militância pela modalidade foram tão grandes que a prática se expandiu. Atualmente, a esgrima em cadeira de rodas conta com cerca de 40 praticantes em todo Brasil e faz parte dos projetos esportivos de desenvolvimento internacional do Comitê Paraolímpico Brasileiro. Longe de chegar aos mais de 500 esgrimistas convencionais, a atividade adaptada, no entanto, pode ser considerada na opinião de Nazareth como definitivamente implantada no país. Além do que, Valber é coordenador da modalidade no Comitê Paraolímpico Brasileiro e o professor Edison Duarte atua como classificador de categorias no International Wheelchair Fencing Committee.

Cadeirantes praticam esgrima em competição internacional; (Foto: Divulgação)“As iniciativas começaram tímidas, mas hoje as perspectivas são amplas. Quase 90% dos professores que atuam em clubes e academias no ensino da esgrima convencional com pessoas sem deficiência, estão capacitados para atuar também junto à pessoa com deficiência. Temos a organização institucional estabelecida através de núcleo representativo e, ainda, dispomos de equipamentos adequados que permite a prática com segurança”, destaca.

A tese de doutorado de Valber discute a esgrima em cadeira de rodas a partir de três dimensões. No primeiro momento, ele faz um estudo preliminar do comportamento combativo do praticante da esgrima em cadeira de rodas, na tentativa de estabelecer o perfil técnico e tático de jogo destes indivíduos na modalidade. Esta primeira fase é analisada por Valber no ano de 2006, durante o seu estágio de doutorado no exterior realizado no Instituto Nacional de Educação Física da Catalunha, em Barcelona na Espanha.

Num segundo momento, o trabalho caminha para um resgate histórico da esgrima desde a antiguidade na forma de arte bélica até chegar aos nossos dias como um esporte moderno Olímpico e Paraolímpico. O pesquisador discorre sobre a história da esgrima em cadeira de rodas no Brasil, fazendo um recorte no período de 2002 a 2008 e, por último, foca a pedagogia de ensino da esgrima, dando ênfase à adaptação dos procedimentos de ensino da esgrima convencional para praticantes com deficiência física.

Com a conclusão de seu estudo de doutorado, Valber agora trabalha sobre o projeto de um livro e artigos, uma vez que a investigação desenvolvida na Unicamp consiste em todo um conhecimento acumulado sobre esta modalidade desde seu surgimento no Brasil. “A esgrima em cadeira de rodas nasce primeiramente na Universidade, pelo interesse dos próprios praticantes com deficiência e independentemente do universo da esgrima convencional. Com isso, notamos que gradativamente os espaços de prática do esporte, antes aberto somente a pessoas sem deficiência, também estão começando a fomentar a esgrima adaptada para as pessoas com deficiência”, argumenta.

A Paraolimpíada, em 2016, confirmada para acontecer no Rio de Janeiro, é outro alvo para a formação de uma equipe brasileira de esgrima adaptada. Para Nazareth, é difícil prever se haverá resultados excepcionais, mas a expectativa é galgar mais um passo em direção à representatividade do esporte. “Planejamos uma classificação internacional para que os atletas participem da Paraolimpíada em 2014 e, para 2016, a esperança é alcançar um bom desempenho”, avalia. Já quanto aos trabalhos práticos na Unicamp, para 2010 será oferecida tanto a modalidade convencional como a adaptada para a comunidade universitária.

 

 

 
Untitled Document
 
Untitled Document
Jornal da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas / ASCOM - Assessoria de Comunicação e Imprensa
e-mail: imprensa@unicamp.br - Cidade Universitária "Zeferino Vaz" Barão Geraldo - Campinas - SP