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O DESAFIO
Segurança Urbana

JOÃO MAURÍCIO DA ROSA

Obviamente não faltaram citações a Andinho, apelido do seqüestrador Vanderson de Paula Lima, que se projetou nacionalmente, a partir de Campinas, como um dos mais audaciosos criminosos do país. Dentre os doze debatedores do “Simpósio Segurança Urbana – Desafio Regional e Nacional”, mesmo aqueles que não utilizaram Andinho explicitamente como exemplo, deixaram subentendido que ele é um dos frutos da desigualdade econômica e de outros males sociais, maior entrave para o combate à violência que aterroriza os brasileiros.

Parido na favela do Jardim São Fernando, mal sabendo escrever seu nome, o seqüestrador de 23 anos serviu para ilustrar a tese de que a universalidade da educação e o acesso aos serviços públicos essenciais são imprescindíveis para a prevenção da criminalidade. O reitor Hermano Tavares, durante conferência de abertura do evento, afirmou que nenhum cidadão consciente pode achar possível quebrar esta cadeia de violência sem atuar na base, o que significa, entre outras coisas, se preocupar com a educação.

Outra tese dominante no encontro, e que vai contra a corrente, é de que a violência – traduzida em números de homicídios corriqueiros – continua a mesma na periferia, tendo ressoado na mídia apenas porque ousou bater às portas da classe média, por meio de latrocínios (roubo seguido de morte) ou seqüestros. A “onda de violência”, na verdade, é uma “onda de insegurança”, segundo atesta uma pesquisa do Instituto São Paulo contra a Violência, organização não-governamental que reúne as mais poderosas empresas do país, a USP e a FGV.

O simpósio, realizado no dia 13 de março no Centro de Convenções da Unicamp, foi concebido exatamente com esta finalidade. Diagnosticar as causas e apontar soluções para o problema da segurança urbana. Promovido pela Coordenadoria de Relações Institucionais e Internacionais (Cori), o evento foi dividido em duas mesas, com características diferentes: pela manhã, reuniram-se representantes de entidades sindicais, religiosas e institucionais: à tarde, autoridades políticas e judiciais, além de um representante da OAB e outro da imprensa, o jornalista Heródoto Barbeiro, da Rede CBN e TV Cultura.

Segundo o professor Mohamed Habib, coordenador do Cori, ao organizar este simpósio, a Unicamp consolida sua participação na discussão das questões sociais prementes, contribuindo com suas propostas para solução desses problemas, como vem fazendo há quatro anos. “Durante este período a Universidade abriu suas portas para uma integração muito forte com a sociedade, em acordos e projetos com entidades e também com instituições e prefeituras de mais de 25 cidades localizadas ao redor do campus”, ressaltou o professor.

Habib lembrou que os problemas sociais atingem mais da metade dos países do mundo e 75% de suas populações, graças à política econômica posta em prática nos últimos 30 anos. “O meio acadêmico é a alavanca do desenvolvimento social. Sem o seu conhecimento não é possível fazer um diagnóstico correto e apresentar soluções. Esta é a função social da universidade e, sendo pública, a Unicamp tem um compromisso ético com a sociedade que a sustenta”, declarou.

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CARTA DA UNICAMP

Os integrantes das mesas de trabalho do Simpósio “Segurança Pública – Desafio Nacional e Regional”, e o público presente, apelam às autoridades governamentais em todos os níveis que atuem para o alcance de uma convivência solidária e fraterna entre os brasileiros. Para tanto, recomendamos as seguintes medidas de correção a serem consideradas:

Correção das políticas no campo da educação, investindo cada vez mais nos valores éticos e morais, além de estender o direito à educação para todos;

Corrigir os rumos da economia buscando o desenvolvimento sustentável, inclusive como meio para enfrentar os problemas oriundos da exclusão social.

A democratização dos meios de comunicação e a busca de desempenho mais ético entre seus profissionais para que estes, de fato, exerçam a função social que o país deseja.

Chamar a sociedade civil a participar mais efetivamente dos processos de análise e busca de soluções, para que a segurança urbana seja alcançada dentro dos parâmetros democráticos e humanísticos.

Que as universidades se envolvam cada vez mais, através de seus acadêmicos e pesquisadores, oferecendo seus conhecimentos, soluções e planos que levem à segurança urbana.

Que as autoridades governamentais, em todos os níveis, invistam na criação do policiamento comunitário, na valorização do policial cidadão e na sua atuação profissional.

 

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