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Muita insistência e a necessidade de um trabalho intenso na área de educação. Foi com estes argumentos que o presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva conseguiu convencer Cristovam Buarque a renunciar à sua cadeira no Senado para assumir o ministério da Educação. "Cristovam é um nome que o Brasil vai precisar como ministro, mais do que como senador", explicou Lula na coletiva em que anunciou quatro novos integrantes de seu governo.
"Serei o ministro das Universidades", declarou Buarque, depois do anúncio. Apesar de há 15 anos defender a idéia de que as IES deveriam ter um ministério próprio, ele afirma que esta mudança está fora de questão. "Quem tem idéia é professor; ministro tem política. Esse projeto não entrará em pauta. Agora eu peguei o gosto e quero cuidar das universidades".
"Vou procurar deixar a marca do presidente Lula na universidade brasileira. Será a marca de um estadista metalúrgico na universidade brasileira, que precisa de carinho, de apoio e de soluções emergenciais, além de uma proposta nova, para o mundo novo e o Brasil novo que começa no próximo dia 1º de janeiro", afirmou, em sua primeira fala como ministro.
Quanto às questões polêmicas, como a manutenção do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e do Provão (Exame Nacional de Cursos), Buarque prefere não ser categórico. "Como disse o presidente Lula, não ganhamos a eleição para destruir, ganhamos para fazer mais. É fundamental que a implantação de um Sistema Nacional de Avaliação continue, mas a forma de fazer isso é que pode ser modificada, revista e ajustada".
Buarque pretende, também, conciliar as funções de ministro com as de professor. "Não vou deixar de dar aulas", disse o mestre da UnB (Universidade de Brasília).
Conheça o novo ministro da Educação
Ex-reitor da UnB (Universidade de Brasília), o senador Cristovam Buarque nasceu em 1944, no Recife. Formou-se em Engenharia Mecânica pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) em 1966 e tornou-se doutor em Economia na Universidade de Sorbonne, na França, em 1973. Seis anos depois, mudou-se para Brasília para ser professor da UnB, da qual foi reitor entre 1985 e 1989.
Sua vida política começou em 1989, quando se filiou ao PT (Partido dos Trabalhadores). Foi governador do Distrito Federal de 1995 a 1998. Para chegar ao governo, Buarque venceu o candidato Valmir Campelo (PTB), apoiado pelo governador à época, Joaquim Roriz (PMDB), em uma eleição acirrada. Começou com menos de 2% nas intenções de voto. Aos poucos, foi subindo nas pesquisa. A três semanas da eleição, ultrapassou a segunda colocada, Maria de Lourdes Abadia (PSDB), e conseguiu chegar no segundo turno. Foi eleito com 460 mil votos - 70 mil a mais que a adversária. Durante seu mandato de governador suas marcas foram a implantação do programa Bolsa-Escola, premiado no Brasil e no Exterior, que deve ser adotado pelo governo federal na gestão de Lula; e a adoção do "Saúde em Casa", que levava médicos a casa das pessoas.
Quando deixou o governo, em 1998, criou a ONG (Organização Não-Governamental) Missão Criança, da qual é presidente hoje. Na organização, assessorou governos estaduais e prefeituras na implantação da Bolsa Escola e ajudou países como o México, Guatemala, Chile, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Tanzânia. Ao lado do projeto Bolsa Escola Cidadã, financiada exclusivamente com recursos privados, a Missão Criança sustenta mais de mil famílias em 19 municípios brasileiros.
Ao longo da carreira, publicou 19 livros, presidiu o Conselho da Universidade para a Paz da ONU (organização das Nações Unidas), de 1987 até 1988, foi consultor de diversos organismos nacionais e internacionais dentro das Nações Unidas e participou da Comissão Presidencial para a Alimentação, dirigida por Betinho. Este ano, foi eleito senador pelo Distrito Federal com 680 mil votos, batendo recorde histórico de votação para o Senado Federal nas eleições do DF.
Nome: Cristovam Buarque
Idade: 58 anos
Doutor em Economia pela Universidade de Sorbonne (França)
Ex- reitor da UnB (1985-1989)
Portal Universia
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