Cidades
Serra retém verbas da Unicamp, USP e Unesp

Medida impediu a Universidade Estadual de Campinas de receber R$ 5,5 milhões

Maria Teresa Costa
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
teresa@rac.com.br

O governo do Estado reteve, em janeiro, R$ 5,5 milhões da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) por conta do contingenciamento orçamentário. A Unicamp deveria receber R$ 82,7 milhões, mas houve o repasse de R$ 75 milhões. O contingenciamento teve como conseqüência imediata, segundo a universidade, o cancelamento de compras de materiais e serviços, além do adiamento de investimentos programados para o início do ano, como por exemplo, a assinatura de periódicos científicos internacionais.

É a primeira vez, desde que as universidades estaduais paulistas conquistaram a autonomia universitária em 1989, que há contingenciamento dos recursos. “Isso abre um precedente perigoso no plano de gestão financeira das universidades”, informou a Unicamp, em nota.

Como o Orçamento do Estado ainda não foi aprovado pela Assembléia Legislativa, o governo pode gastar, mensalmente, 1/12 da proposta enviada à Assembléia. Se ele não for aprovado neste mês, será publicada nova resolução com previsão de despesas futuras.

Além de trabalhar com 1/12 da previsão orçamentária, o governador José Serra (PSDB) determinou, no início do ano, restrições de gastos em despesas correntes de 15% e corte de 100% nos investimentos. Com isso, R$ 315 milhões de investimentos que estavam previstos para janeiro em diversas obras no Estado foram retidos. Só foram poupados os gastos com pessoal e serviço da dívida.

Nas universidades, que recebem 9,57% da previsão de arrecadação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), o corte atingiu a Universidade de São Paulo (USP) que teve retido R$ 11,5 milhões e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), com R$ 10,3 milhões.

No caso da Unicamp, está previsto no projeto de lei orçamentário que tramita na Assembléia Legislativa um orçamento de R$ 993,8 milhões para 2007. As universidades estão impedidas de fazer contratações por tempo indeterminado. O contingenciamento, informa a Unicamp, impacta as necessidades de contratação de docentes para os cursos em implantação ou os que tiveram aumento de vagas nos últimos anos, além das necessidades de reposição em vários cursos.

O orçamento da Unicamp é baseado em repasses do Tesouro do Estado, 2,19% da arrecadação do ICMS, e receitas próprias, como aluguéis, por exemplo. A maior fatia vai para a folha de pagamentos, que deve atingir, segundo a estimativa, R$ 840,3 milhões em 2007, o equivalente a 88,25% do seu orçamento. O contingenciamento imposto pelo Estado enquanto a lei orçamentária para 2007 não for aprovada poupou os recursos destinados ao pagamento de docentes e funcionários.

Governo devolve comando do Cruesp aos reitores

O
governador José Serra (PSDB) voltou atrás e decidiu restituir aos reitores da USP, Unicamp e Unesp a prerrogativa de presidir, em sistema de rodízio, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), com mandato de um ano. No dia 1º de janeiro, Serra havia baixado decreto criando a Secretaria de Ensino Superior e atribuindo ao titular da nova Pasta a presidência do Cruesp. A medida causou mal-estar no meio acadêmico, que viu, na perda da prerrogativa de presidir rotativamente o Cruesp, a redução do papel dos reitores como interlocutores privilegiados do principal fórum de discussão institucional comum às três universidades. O decreto retornando aos reitores a prerrogativa de presidir o Cruesp foi publicado ontem no Diário Oficial do Estado. Nesse decreto, além dos reitores, integram o Cruesp, como membros, os secretários de Ensino Superior, da Educação e de Desenvolvimento. (MTC/AAN)