Portadores de deficiência disputam o Vestibular em igualdade de condições
18/01/2011 - 12:51
18/01/2011 - 12:51
- Text:
- Images:
- Images Editor:
Dos 77 candidatos portadores de deficiência (neurológica, visual, auditiva ou física) que se inscreveram no Vestibular Unicamp, 23 passaram à 2ª fase, todos contando com o apoio do Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação (Cepre) para realizar as provas em igualdade de condições com os demais. “A Comvest é pioneira na prestação deste serviço, iniciado antes de 1993, quando cheguei à Universidade. E vem investindo cada vez mais nesses candidatos, visto que vários deles já entraram e se deram bem em cursos como de música, medicina e engenharia”, afirma o professor Elinton Adami Chaim, responsável pela aplicação das provas no Cepre.
O Centro é vinculado à Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e tem como objetivos a pesquisa, o ensino e a assistência na área das deficiências sensoriais. Seus equipamentos permitem oferecer provas em braile, com letras aumentadas ou no computador. Se o candidato não pode ler e/ou escrever, um monitor qualificado faz isso por ele; se sofreu uma cirurgia de véspera ou passa por tratamento, a prova é levada ao hospital. “Ser portador de deficiência não implica falta de inteligência para entrar na universidade. Damos as condições para que seja medida a sua real capacidade”, diz Chaim.
Segundo Chaim, um candidato com neoplasia, debilitado pela quimioterapia, fez as provas deste Vestibular no hospital, esforço que ele considera heróico. “Temos dois candidatos em pós-operatórios (neurocirurgia e apendicectomia), dois com fraturas no braço (sem saber escrever com a outra mão), cinco com deficiência visual e outros com algum problema neurológico (dislexia, déficit de atenção e, na maioria, problemas motores)”.
Elinton Chaim montou uma equipe com 15 voluntários especializados, o que dá a média de quase um para cada candidato. William Alexandre de Oliveira é um deles: biólogo por formação, ele trabalha na área de assessoria técnica e científica do Hospital da Mulher (Caism) e monitorava um candidato que se tornou cadeirante há poucos anos, devido a um acidente na piscina. “Ele não tem força na mão direita e eu escrevo o que dita, conforme precisa, mas sem interferir na prova em momento algum. Faço isso porque acho o Cepre uma escola bonita”.
A lei assegura aos candidatos portadores de deficiência um tempo maior para terminar a prova, que pode ser de uma ou duas horas a mais, dependendo do laudo médico que é enviado e analisado pela Comvest. “Muitos têm problemas de visão e não conhecem braile, mas preferem ler as questões. Quando aumentamos a fonte para ‘arial 26’, a prova fica enorme e o candidato demora bem mais para ler o enunciado”, observa Chaim.
Foi para ganhar uma hora a mais que Sophia Bocaletto, 17 anos, candidata ao curso de Música Popular, recorreu à Comvest para fazer a prova no Cepre. Ao contrário da dislexia (dificuldade de leitura e escrita), ela sofre de discalculia, uma desordem neurológica que afeta a habilidade de compreender e manipular números, a ponto de ter que parar e refletir para ver as horas. “Sou autodidata em piano, o que pode ter causado a discalculia. Fui alfabetizada por minha avó que, por eu ser canhota, me obrigava a fazer tudo com a mão direita. Virei meio que ambidestra e tocar piano, para mim, não é tão difícil”.
Sophia, obviamente, deixou muitas questões em branco na prova de Matemática, mas conseguiu não zerar, o que a eliminaria. E acha que vai compensar com as outras matérias, possibilidade que comprovou já no dia seguinte: fez as provas de Ciências Humanas e Artes e de Língua Inglesa em apenas hora e meia.





Adicionar comentário