Demerval Saviani recebe Jabuti em noite de Jubileu de Ouro
01/11/2008 - 05:42
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As idéias pedagógicas já tinham seu lugar no Brasil no século 15, com seus primeiros habitantes, os indígenas. Depois surgiu a pedagogia tradicional, em meados do século 18. Na década de 1930, surgiram os pensadores da pedagogia nova e, em 1969, as idéias da pedagogia produtivista. Essa trajetória é contada e analisada em uma linguagem clara e acessível no livro História das Idéias Pedagógicas no Brasil, primeiro colocado na Categoria Educação, Psicologia e Psicanálise do Prêmio Jabuti 2008, realizado há 50 anos pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Presente no jubileu de ouro do Jabuti, realizado na noite de sexta-feira (31) Sala São Paulo, na Capital, o autor Demerval Saviani, professor aposentado da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, disse que o prêmio é muito significativo para a área de educação. “Durante o trabalho, vamos produzindo textos que acabam virando arquivos daquilo que realizamos e esses arquivos se transformam em livros. Então ser reconhecido dessa maneira expressa a importância do trabalho que estamos realizando. É um prêmio mais para a área de educação. Tenho recebido congratulações reafirmando essa importância”. Uma das manifestações de satisfação, por parte dos leitores, é o esgotamento da primeira edição, com tiragem de 3 mil exemplares. “Agora estamos comercializando a segunda tiragem, que foi ampliada para 5 mil livros”, comenta Saviani. O livro foi publicado pela Editora Autores Associados.
Outro premiado da Unicamp, o professor da Faculdade de Engenharia Elétrica Mário Jino recebeu o Jabuti ao lado de dois profissionais orientados por ele na pós-graduação: Marcio Eduardo Delamaro e José Carlos Maldonado. A premiação do livro Introdução ao Teste de Software, terceiro colocado na Categoria Ciências Exatas, Tecnologia e Informática, foi motivo de surpresa desde a indicação por parte dos editores. “Quando disseram que iriam indicar, já ficamos surpresos. Nunca pensamos em receber um Jabuti. Depois, nos surpreendemos mais ainda com a seleção entre os dez primeiros na categoria. E quando nos informaram sobre a terceira colocação, nos sentimos vencedores”, revelou Jino. Uma co-edição da Elsevier e da Campus, o livro tem 17 autores e é resultado de experiências desenvolvidas com alunos de mestrado e doutorado da área de engenharia de softwares. Segundo os autores, a obra procura apresentar as principais técnicas de teste de software, mostrando suas origens, evolução e tendências. Mostra, também, como essas técnicas vêm sendo aplicadas em domínios específicos como o desenvolvimento de software para a Web ou baseado em aspectos. A publicação também oferece informações sobre depuração e confiabilidade.
Outros docentes da Unicamp foram representados na quinquagésima edição. O Jabuti de melhor Tradução a Joaquim Brasil Fontes, da Faculdade de Educação, pelo livro Hipólito e Freda: três tragédias foi recebido por representantes da Editora Iluminuras. A tradução feita por ele à obra de Eurípedes Sêneca Racine mereceu o primeiro lugar na opinião do júri. Terceiro colocado na mesma categoria, o professor do Instituto de Estudos da Linguagem Trajano Vieira foi representado pelos editores da Perspectiva na premiação de Agamêmnon. O professor da Faculdade de Ciências Médicas Paulo Dalgalarrondo, segundo lugar na Categoria Educação, Psicologia e Psicanálise, também não pôde comparecer para receber o Jabuti concedido à obra Religião, Psicopatologia e Saúde Mental.
LIVRO DO ANO - Além de ganhar o melhor livro de reportagem no jubileu, o tão procurado 1808, de Laurentino Gomes, foi o livro do ano de não-ficção. Pouco surpreso, assim como o público, Gomes disse que, ao escrever sobre a transferência da corte portuguesa ao Brasil, ele revela um pouco mais da história do Brasil. “Temos de iluminar o passado com o objetivo de entender o presente e construir o futuro”, concluiu.
Ignácio Loyola foi carinhosamente e respeitosamente aplaudido ao ser anunciado como autor do melhor livro de ficção de 2008, O menino que vendia palavras, da Editora Objetiva. “Estou surpreso, pois o livro do Cristóvão Tezza (romance O filho eterno, dedicado a uma relação entre um pai e seu filho com síndrome de down), é maravilhoso. Mas estou feliz, pois este livro é dedicado a minhas primeiras professoras Lourdes e Ruth, que me ensinaram a escrever. É a história da minha vida, da qual elas, com mais de 80 anos hoje, fazem parte”, disse.
MAIS UM – A Unicamp teve mais gente na premiação do Jabuti. Foi através de um livro de produção coletiva, E-Desenvolvimento no Brasil e no mundo – Subsídios e programa E-Brasil (foto), terceiro lugar na categoria Economia, Administração e Finanças. A publicação contou com 61 autores (três organizadores e 58 autores em 40 capítulos). O capítulo 40 foi desenvolvido numa encomenda do Ministério de Ciência e Tecnologia para a Softex e coordenado por Giancarlo Stefanuto, mestre e doutor pela Unicamp. Ana Maria Carneiro, também mestre e doutora pela Unicamp, foi a gerente do projeto, que ainda contou com o coordenador científico Paulo Tigre, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Felipe Marques, doutorando pela mesma universidade.
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