Antes da prova de aptidão em Música, candidatos tentam relaxar nos corredores do IA

25/01/2011 - 06:31

Sentado no chão de um dos corredores do Instituto de Artes (IA) da Unicamp na tarde desta segunda-feira, Rodrigo Riani Barbel tirava acordes de sua guitarra. O semblante era calmo, algo incomum para alguém que aguardava a vez para participar da prova de aptidão, uma das exigências para quem concorre a uma vaga no curso de Música da Universidade. “Isso é apenas aparência. Por fora está tudo bem. Por dentro é que são elas”, explicou. E olha que o rapaz não é exatamente um iniciante em se tratando de vestibulares. “É a terceira vez que presto. Agora, espero passar, até porque, pelo que estou vendo, a concorrência está menor”, avaliou.

Assim como Rodrigo, dezenas de outros estudantes passaram pelo mesmo teste. Antes de entrarem nas salas onde fariam suas apresentações aos avaliadores, eles tentavam se acalmar afinando os instrumentos ou tirando algumas notas. Cada um cumpria um ritual diferente antes do exame. Uma garota franzina e de cabelos displicentemente presos, por exemplo, tocava o violino com o rosto voltado para a parede, com os olhos semicerrados. Naquele instante, só existiam ela e a sua música, mais ninguém. Em respeito à sua concentração, o repórter preferiu não incomodá-la.

Quem demonstrava bastante calma e segurança era o músico W. Ton, que fez graduação em Música na Unicamp e, nesta segunda-feira, faria a prova de aptidão para tentar uma vaga na Licenciatura. Com vários anos de carreira e até disco gravado, ele se dizia tranquilo. “Uma pessoa que já tem vários anos de palco, que tem disco gravado e que conta com cerca 25 alunos não tem nem o direito de ficar nervoso”, explicou. Ton disse que tocaria violão e piano e cantaria uma música de sua autoria. “Se me pedirem para tocar e cantar algo mais conhecido, vou de “Oceano”, de Djavan”, adiantou.

Entre os que circulavam pelas dependências do IA também estava Max Schenkman, dono de um visual cheio de estilo. Ostentando um chapéu de cangaceiro, o jovem paulistano demonstrava certa tranquilidade, dado que fizera a prova pela manhã. “As expectativas são boas. Achei o exame legal. Bem melhor que o de Matemática, Química e Física. Acho que vai dar. Eu nunca estudei um instrumento somente. Já fiz flauta, violão, canto e outras coisas. Acho que a universidade vai fazer com que eu aprimore técnica e conhecimentos”, avaliou, para em seguida sacar da bolsa um berimbau de boca, com o qual improvisou um rápido solo.

O professor Carlos Fernando Fiorini, professor do Departamento de Música do IA e coordenador da prova de aptidão, explicou que cada modalidade tem uma exigência específica. “Ao ler o manual, o vestibulando tem todas as informações necessárias para se preparar para o exame. Ou seja, ele já sabe o que esperamos que demonstre”. Ainda segundo o docente, a maioria dos candidatos tem um bom conhecimento sobre música. “Muitos deles têm no mínimo quatro ou cinco anos de estudos prévios”, detalhou. Sobre a qualidade dos aspirantes a uma vaga na Unicamp, Fiorini disse que, até o momento da entrevista, eles demonstravam o mesmo nível dos candidatos de anos anteriores.
 

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