Encontro debate infâncias e mídias na educação

mesa de abertura com três convidadas do evento que conversam entre si
Conferência de abertura: professora Jaqueline, a advogada Thaís e a docente Heloísa à direita

As violações dos direitos da criança na publicidade infantil ou, de forma mais abrangente, na chamada “comunicação mercadológica”, que compreende toda a atividade de comunicação comercial para a divulgação de produtos e serviços direcionados às crianças, foi um dos temas em destaque na abertura do “I Encontro Mídias, Infâncias e Diferenças: audiências e agências em foco”. O evento realizado pela Faculdade de Educação (FE) no Centro de Convenções da Unicamp começou nesta terça-feira, 16.

A advogada Thaís Dantas, do Instituto Alana, deu um panorama sobre as leis que garantem proteção e os direitos das crianças e adolescentes. Ela falou sobre o que significa a garantia constitucional da prioridade absoluta, constantemente desrespeitada e comentou sobre a importância do papel do educador na vigilância de situações de violações extremas. Thais salientou que o tema da comunicação mercadológica tem sido bastante discutido na última década.

Segundo ela as propagandas utilizam estratégias que deixam cada vez mais sutil a diferença entre publicidade e entretenimento. Ela ressaltou que a criança é muito vulnerável porque a percepção dessa diferença ocorre apenas a partir dos dez anos, segundo estudos, e apenas a partir dos doze anos a criança consegue perceber o caráter persuasivo da publicidade. “São diversos problemas que a publicidade pode gerar e agravar no desenvolvimento infantil”, salientou.

Uma outra implicação dos abusos da publicidade infantil está relacionada ao bullying. Alguns exemplos que a advogada trouxe para a palestra foram a perpetuação de ideais de beleza e imposição de padrões estéticos, a redução da autoestima infantil e a insatisfação com a imagem corporal.

Thaís participou da conferência de abertura do evento, intitulada “Mídias e Infâncias em debate”. Outra palestrante foi a professora Maria Jaqueline de Grammont Machado de Araújo da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Ela falou sobre pesquisas que realiza relacionadas à representação de pessoas com deficiência no cinema, discutindo especificamente dois filmes.

Plateia assiste a palestras do evento
Auditório do Centro de Convenções: evento segue até quarta-feira, 17

A mesa foi coordenada pela docente Heloísa Matos Lins, da FE Unicamp, também organizadora do encontro. A professora falou sobre a dificuldade de se pensar, no campo educacional, sobre as tecnologias e sobre as mídias, as armadilhas e dilemas da aproximação entre educadores e mídias. “Queremos problematizar nesta mesa as preocupações em relação à criança e ao adolescente mas também nossas preocupações em relação ao fazer docente quando ignora que as tecnologias e mídias afetam o nosso cotidiano”.

Antes das palestras o evento foi aberto pela diretora associada da FE, Debora Mazza. Ela comentou sobre os marcos regulatórios das políticas educacionais brasileiras. “Eu gostaria de lembrar agora, mais do que nunca, a importância de nós defendermos direitos sociais duramente conquistados e que se encontram no período de séria ameaça”, ressaltou. Mazza defendeu a finalidade da educação “para o pleno desenvolvimento da pessoa humana”.  Ela disse que “educação não é produto, não é resultado. Educação é um processo que se faz ao longo da vida e que conta com pessoas, lugares, situações suportes materiais imateriais e com tecnologias, que são mediações importantes para alcançar a educação como processo”.

O evento continua nesta quarta-feira (17). Acompanhe a programação.

Ouça, no Conexão Cultura, programada Rádio Web Unicamp, entrevista com a professora Heloísa Andreia de Matos Lins, do departamento de Psicologia Educacional, da Faculdade de Educação da Unicamp