Direto da maternidade para a prova da Unicamp

Camila, Lucas e Helena
Lucas, Helena, que nasceu na semana passada e Camila

Pouco antes da uma hora da tarde, Camila amamentou a pequena Helena, de apenas três dias, antes que ela seguisse para fazer o chamado exame do pezinho, no hospital, com a tia. Camila, então, entrou na sala de provas e começou outra maratona, desta vez não com um bebê recém-nascido, mas respondendo a uma série de questões de vestibular. Camila Omae, de 20 anos, está entre os 13 mil candidatos da segunda fase do Vestibular Unicamp 2017 e tenta uma vaga no curso de Engenharia Química. Ela teve o bebê na última sexta-feira e começou as provas do vestibular no domingo.

“Como a Helena nasceu de parto natural, eu me senti muito bem para poder fazer as provas. Em dois dias, já estava liberada e ela também. A amamentação no começo foi mais complicada até o leite ‘descer’, até pegar o jeito, mas agora já está tudo certo”, disse Camila.

Ela e o pai de Helena, Lucas de Campos Mello, de 27 anos, contam que fizeram contato com a Comvest antecipadamente, pois achavam que Camila faria a prova ainda grávida e prestes a dar à luz e a Comissão precisaria estar avisada. O combinado era que fossem mantendo contato para que a Comvest pudesse auxiliá-los da melhor maneira, dependendo das condições de Camila.

“Sabíamos, desde o primeiro contato, que se tratava de um caso que demandava um tratamento diferenciado, com atenção especial à mãe e ao bebê. Procuramos estar sempre preparados para essas situações especiais”, explicou Edmundo Capelas de Oliveira, coordenador executivo da Comvest.

Segundo Camila, essa atenção foi determinante. “A equipe tem sido muito atenciosa e nos deu todas as condições para que eu conseguisse fazer as provas da segunda fase, inclusive em uma sala individual, o que facilita a amamentação”, disse.

E nesses últimos dias, tem sido essa a rotina de Camila e da pequena Helena: cálculos, resolução de problemas, redação de textos intercalados com pausas para amamentar. Como Lucas também está prestando vestibular, quem têm ajudado Camila são suas duas irmãs. “Quando a Helena começa a chorar, elas olham a fralda e se não é isso, é fome!”, comentou Camila.

“Ela é muito determinada. Não sei como está conseguindo, pois parar pra amamentar, depois voltar a se concentrar e retomar o raciocínio não é fácil. Tem que ter força”, disse Larissa Omae, irmã de Camila.

Lucas, que já fez uma parte do curso de Engenharia de Computação e está tentando uma vaga para terminar a graduação, diz que o mais complicado tem sido se manter concentrado. “Enquanto estou fazendo a prova, estou concentrado, mas quando me lembro delas, me dá certa agonia”.

Camila conta que escolheu um curso noturno exatamente para que possa ficar mais tempo com Helena durante o dia. “Se eu passar, vamos montar um esquema de revezamento, sempre dá pra dar um jeito e quando começarem as aulas, a Helena já estará com três meses e uma rotina mais definida. Ela vai me dar sorte!”, disse.

“Estávamos até com medo de que ela nascesse durante as provas, mas a Helena facilitou nossa vida e chegou dois dias antes do vestibular”, comemorou Lucas.

Primeira vez
De acordo com a Comvest, em 30 anos de vestibular, é a primeira vez que um bebê recém-nascido é trazido para ser amamentado durante as provas.

 

Camila, à direita da foto, com as irmãs Carina e Larissa
Camila, à direita e suas irmãs Larissa e Carina

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